Publicidade

Estado de Minas Det na Estrada

A vida é superação: como me tornei médica

Conheça o depoimento da médica Tamara Mello


21/09/2020 14:30 - atualizado 21/09/2020 16:00

Você já sentiu que queria muito alcançar um objetivo, mas que não era bom o suficiente pra isso?  Vou contar uma história que começou em 2012. 

Era agosto, eu estava no 3º ano do Ensino Médio na Escola Técnica de Formação Gerencial - SEBRAE. Eu estava vivendo uma época muito confusa em relação ao futuro e em relação à qual seria a melhor opção de curso. Como é complicado escolher o que fazer pelo resto da vida aos 18 anos! Até então, eu pensava em fazer engenharia de produção no Ibmec. Por que engenharia de produção? Eu adorava logística, queria trabalhar com gestão, afinal, estava cursando o ensino médio técnico em administração, porque queria trabalhar com negócios. 

O ano foi chegando ao fim e começaram as dinâmicas de despedidas com os professores. Tive uma professora de Recursos Humanos que fez a seguinte atividade: entregou uma folha em branco e mandou escrever onde você se via daqui a 10 anos.
Meu trote de vestibular e foto da formatura em medicina. (foto: Arquivo pessoal)
Meu trote de vestibular e foto da formatura em medicina. (foto: Arquivo pessoal)

Foi então que... Meu Deus! O que eu iria escrever? Fiquei alguns minutos com a folha em branco e a caneta na mão, pensamento vazio. 

E do nada, literalmente, apareceu na minha cabeça: MEDICINA! Assim que veio esse pensamento, logo o ofusquei. Afinal, como assim medicina? Nunca fui a melhor aluna da sala. Minhas notas eram medianas. O meu colégio, apesar de ser referência em administração nível técnico, não oferecia um bom preparo para vestibulares concorridos. 

A vontade foi maior que o meu racional. Nesse momento, não existia mais outro curso. Não existia outra opção pra mim. E mesmo sem entender, escrevi com confiança: "Em 10 anos, me vejo médica". Sempre me emociono lembrando desse momento. 

Cheguei em casa e contei tudo para minha mãe e para minha irmã, que me deram todo o apoio. Pronto, estava decidido! Eu me matricularia no cursinho e faria de tudo que eu pudesse para conquistar o meu sonho! Estava feliz, animada e tudo fazia sentido pra mim agora. 

Começou o ano de 2013, Eu me matriculei em um cursinho tradicional em BH, conhecido pelas aprovações em medicina. Chegou o primeiro dia que foi literalmente um balde de água fria! Cheguei e deparei com cem alunos na sala, todos pareciam mais preparados, todos pareciam ter feito um ensino médio excelente. Senti que o sonho estava muito distante da minha realidade, e nesse dia eu voltei pra casa chorando. "Mãe, onde eu estava com a cabeça?" foi o que eu falei quando cheguei em casa. 

No dia seguinte, acordei e pensei: não vou desistir. O caminho vai ser longo, e não importa quanto tempo dure, eu vou chegar lá! 

Cada dia fui me esforçando mais. Cada dia eu fui aprendendo a estudar. Aprendendo a me concentrar. Aprendendo os melhores métodos de estudos pra mim!

Nessa caminhada, tive a oportunidade de conhecer o Determinante Pré-Vestibular - e foi uma virada de chave.  Lá, tive contato com professores que conheciam de fato as minhas dificuldades. Que estavam dispostos a partir do básico comigo. Que se esforçaram junto comigo pra suprir todas as demandas que faltaram do meu ensino médio. Além disso, o Determinante tornou a jornada mais leve e prazerosa. Eu sentia que estava amparada e sou eternamente grata a esse lugar.

Chegou julho de 2014. Eu estava afiadíssima! Já era capaz de estudar por longas horas, sabia os melhores métodos pra mim, treinava com provas antigas das faculdades de medicina e sentia que a hora estava chegando. Mesmo antes de passar, já me sentia muito orgulhosa de mim por nunca ter desistido, por ter trilhado o caminho do zero.  Chegou a prova da Faculdade de Medicina de Barbacena (Funjob). 

Passei em 16° lugar! Foi o dia mais feliz da minha vida e a primeira realização de um sonho. Em plena copa do mundo! Foi festa que não acabava mais! 
Internato rural e meu primeiro plantão em Belo Horizonte.(foto: Arquivo pessoal)
Internato rural e meu primeiro plantão em Belo Horizonte. (foto: Arquivo pessoal)

Localizada na cidade de Barbacena, a faculdade ficava a duas horas de Belo Horizonte, ou seja: era hora de fazer as malas. Passadas as comemorações, esse foi o grande desafio. Sou nascida e criada na capital, era muito acostumada com a minha rotina, com minhas amizades. Não foi fácil me despedir. 
Barbacena é uma das cidades mais frias de Minas e era inverno! Estava muito frio, eu estava sozinha e era uma rotina completamente nova. Conseguem imaginar? E o medo de não me adaptar? 

Foi quando descobri que Barbacena, apesar de fria, é extremamente calorosa! A faculdade é muito unida e a minha turma é extraordinária. Laços foram feitos entre dias inteiros no laboratório de anatomia, noites de estudo e também intermeds, viagens e muitos eventos da faculdade! Fiz amigos que se tornaram família! Deus escolheu a dedo pra mim não só a faculdade, mas também a turma. 

Nos primeiros períodos, temos as matérias mais básicas: Anatomia, histologia, embriologia... Muuitas aulas! Às vezes ficávamos na faculdade desde cedinho até a noite. A partir do 4 período, começamos a ter aulas nos hospitais. É um momento muito gostoso, que finalmente colocamos o estetoscópio no pescoço e começamos a nos sentir mais médicos. 

Também fez parte da minha faculdade um grande número de projetos extracurriculares: participei de ligas acadêmicas, dei monitoria, fiz estágio extracurricular, até toquei chocalho e tamborim na charanga da faculdade. Foram anos muito bem aproveitados! 

No 9 período, começa o internato: prática, prática e prática. Clínica, pediatria, ginecologia, cirurgia... 

No 5 e 6 anos, é quando começam os famosos estudos para as provas de residência. E vou contar um segredo pra vocês: começa um segundo pré-vestibular, um segundo cursinho! 

Eu me formei em julho desse ano. Tenho muito orgulho do meu caminho até aqui! De tudo que foi conquistado com muito esforço e trabalho duro. 
Internato rural e a paixão em tratar as pessoas.(foto: Arquivo pessoal)
Internato rural e a paixão em tratar as pessoas. (foto: Arquivo pessoal)
Sou completamente apaixonada pela medicina e vivo meu propósito! Recomendo a todos essa sensação. Todos os dias me sinto grata por trazer cuidado a outro ser humano. Você, seja pré-vestibulando, aluno do ensino médio, ou alguém que não está feliz no curso que escolheu: não desista! Parece clichê, mas a verdade é que tudo vai valer a pena. Hoje a caminhada pode parecer difícil, mas o legado será para sempre! 

Outro dia ouvi falarem que o mercado da medicina está saturado. Sinceramente? Não acredito em mercado saturado pra quem se esforça pra ser acima da média. Pra quem busca se diferenciar, sempre existirá espaço. 

Hoje vivo uma época não muito diferente de quem estuda pra um vestibular de medicina! As provas de residência serão em dezembro e estou me preparando todos os dias pra isso. Além disso, trabalho em um Posto de Saúde da Família na atenção primária e dou alguns plantões em PS aos fins de semana. Sim, a rotina está cansativa e me exige muito! Mas tenho um grande objetivo pela frente e nada vai me tirar dele. 

Fora a medicina, eu me dedico ao trabalho com redes sociais. No meu instagram, compartilho um pouco sobre a minha rotina, sobre hábitos saudáveis que adquiri ao longo dos anos e sobre estudos para residência! É um trabalho muito gratificante, porque me permite ajudar um grande número de pessoas. Além disso, considero extremamente importante a presença digital na área médica e isso está crescendo cada vez mais.

Enfim, essa é a minha história até aqui! E ainda está sendo escrita... quem sabe daqui a uns meses não volto aqui pra contar como é a rotina na residência?  Esse é o meu próximo desafio. E se eu puder deixar uma conclusão... 

Seja movido a desafios! Um abraço!
 
Tamara Teixeira Mello 
@Tamarateixeira  

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade