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Estado de Minas ATUALIDADES

70 anos da revolução que tornou a China em uma potência econômica

Entenda o processo que transformou um país absolutista e rural em uma das nações mais poderosas do planeta


postado em 01/10/2019 13:20 / atualizado em 01/10/2019 18:10

Nessa terça, 1 de outubro, fazem 70 anos que o líder comunista Mao-Tsé Tung proclamou a República Popular da China, instaurando um regime que perdura até os dias de hoje. Apesar de recente, o processo que possibilitou a subida de Mao ao poder iniciou bem antes, no século XIX.
Apesar do passado comunista, a implantação de um modelo de práticas capitalistas, a partir da década de 80, tornou a China a segunda maior potência econômica no mundo.(foto: Worldatlas)
Apesar do passado comunista, a implantação de um modelo de práticas capitalistas, a partir da década de 80, tornou a China a segunda maior potência econômica no mundo. (foto: Worldatlas)

A corrida das potências imperalistas pelas riquezas da China

A China sempre representou um atraente mercado consumidor e fornecedor de produtos cobiçados pelos ocidentais como a seda, o chá, as porcelanas e o artesanato de luxo. Por outo lado, o comércio com a região era raro e difícil, até porque os chineses viam os ocidentais como bárbaros e ignorantes, e não se interessavam pelas suas mercadorias. Tornando histórias, como a do mercador veneziano Marco Polo, lendárias devido as grandes distâncias e perigos desse tipo de viagem.
Potências imperialistas, como Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Áustria, Itália e até os Estados Unidos lotearam o direito ao comércio, recursos naturais e territoriais da China no séc XIX e início do XX. (foto: 1900-kensekhon.ca)
Potências imperialistas, como Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Áustria, Itália e até os Estados Unidos lotearam o direito ao comércio, recursos naturais e territoriais da China no séc XIX e início do XX. (foto: 1900-kensekhon.ca)

No início do século XIX a situação mudaria. Países europeus, como a Inglaterra, França, Rússia, Japão, Alemanha e até mesmo Estados Unidos, iniciam uma disputa pela supremacia comercial na região. Através de conflitos, como as Guerras do Ópio, a rebelião Taiping e as Guerras Sino-Japonesas, o governo imperial chinês foi enfraquecendo, abrindo seu mercado às potências ocidentais e cedendo espaços territoriais e locais estratégicos como os de Honk Kong, Coreia, Indochina, Birmânia, Taiwan e muitos outros. Depois de 1895, a partilha da China entre as potências imperialistas parece inevitável. 

Artes marciais x armas modernas

Surge uma reação violenta e nacionalista, que viria através da Guerra dos Boxers. No contexto marcado por privilégios e humilhações levou inúmeros chineses a organizarem atos de rebeldia. Em 1900, os Boxers, membros de uma sociedade secreta que praticava uma arte marcial sagrada, iniciaram uma revolta nacional contra os estrangeiros. Um exército internacional composto pela nações imperialistas europeias, norte-americanos e japoneses utilizando armas modernas como fuzis, metralhadoras e artilharia pesada, sufocou brutalmente a rebelião. Os chineses foram condenados a pagar uma indenização e a permitir a presença de tropas estrangeiras no país. Os Boxers foram vencidos. A semente, porém, estava plantada.
Fuzileiros navais norte-americanos combatendo os Boxers na China. Contraste do uso de armas modernas contra armas brancas e artes marciais dos chineses. A rebelião foi sufocada por um exército estrangeiro formado por oito nações, onde milhares foram mortos - muitos assassinados em execuções públicas cruéis. Apesar de derrotado, o levante dos Boxers foi a base do movimento para o fim do absolutismo chinês e a expulsão dos países que ocupavam o país.(foto: John Clymer)
Fuzileiros navais norte-americanos combatendo os Boxers na China. Contraste do uso de armas modernas contra armas brancas e artes marciais dos chineses. A rebelião foi sufocada por um exército estrangeiro formado por oito nações, onde milhares foram mortos - muitos assassinados em execuções públicas cruéis. Apesar de derrotado, o levante dos Boxers foi a base do movimento para o fim do absolutismo chinês e a expulsão dos países que ocupavam o país. (foto: John Clymer)

As Revoluções Chinesas

A Revolução Chinesa pode ser dividida em dois períodos: o movimento nacionalista que derrubou a dinastia Qing, em 1911, proclamando a República da China, uma revolução chefiada por Sun Yat-sen, fundador do Kuomintang e primeiro presidente; e a Revolução Comunista de outubro de 1949 concluída após a Guerra Civil Chinesa, em que os comunistas tomam o poder e Mao Tse-tung torna-se líder supremo do país. Com o início da Era Mao, a China passou por uma série de reformas nos moldes comunistas com o apoio da União Soviética.
Mao Tse-Tung proclamando a fundação da República Popular da China em 1 de outubro de 1949 na cidade de Pequim.(foto: Wikicommons)
Mao Tse-Tung proclamando a fundação da República Popular da China em 1 de outubro de 1949 na cidade de Pequim. (foto: Wikicommons)

Cronologia após a Revolução Comunista

1958
O plano estatal de industrialização "Grande Salto para a Frente" é lançado gerando o caos e a fome no país. Calcula-se que mais de 20 milhões de pessoas morreram nesse período.

1966
Tentando apagar o passado imperial, dos privilégios e tradições da China, Mao cria a "Revolução Cultural". Na verdade era um programa que perseguiu os opositores do regime e doutrinou a juventude. Milhares foram mortos ou presos em campos de trabalhos forçados. 

1972
O Estados Unidos e China voltam a ter relações comerciais.

1976
Mao Tsé-Tung morre aos 82 anos.

1978
Começam as reformas econômicas que liberaram investimentos estrageiros no país e as práticas capitalistas voltaram a ser permitidas. Inicia-se a era de Deng Xiaoping. 

1989
Estudantes chineses se revoltam pacificamente pedindo democracia. O movimento foi brutalmete sufocado em Pequim no evento conhecido como o Massacre da Praça da Paz Celestial.

1997
Honk Kong volta a fazer parte do território chinês. O território funciona sob arranjo "um país e dois sistemas", pois pertence a China Comunista, mas com outro sistema de governo.

2011
A China se torna uma potência econômica (2ª maior do mundo).

2018
Governo Trump promove uma guerra comercial contra a nação, sobretaxando os produtos chineses a partir de 2019 no território norte-americano.
Shangai na China: um dos mais importantes centros financeiros do planeta.(foto: CCO Max Pixel)
Shangai na China: um dos mais importantes centros financeiros do planeta. (foto: CCO Max Pixel)

Um pouco mais de uma década antes de se tornar líder da China, Mao Tsé-Tung fugia com 100 mil rebeldes comunistas perseguidos pelo exército nacionalista em um caminhada desesperada de mais de 12 mil quilômetros, repletos de combates e doenças em um episódio conhecido como a Longa Marcha. Somente 9 mil chegaram vivos no destino final. A eles, Mao teria dito "só progride quem é modesto, o orgulho nos obriga a dar passos para trás". Com passos pequenos, provações imensas e aprendendo com os erros, a China se tornou uma das grandes nações do mundo atual.   

Artigo de Atualidades do Percurso Pré-Vestibular.  

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