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Estado de Minas ENEM 2021

Enem 2021: inscrições começam nesta quarta-feira (30/6)

Especialistas analisam como deve ser a prova deste ano e os alunos contam suas expectativas para o exame


29/06/2021 18:18 - atualizado 29/06/2021 18:41

As inscrições para o Enem 2021 começam nesta quarta-feira(foto: Agência Brasil/Reprodução )
As inscrições para o Enem 2021 começam nesta quarta-feira (foto: Agência Brasil/Reprodução )
As inscrições para a edição 2021 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começam nesta quarta-feira (30/6) e vão até 14 de julho. As provas estão marcadas para os dias 21 e 28 de novembro

Para se inscrever, os candidatos devem acessar a página do participante e escolher entre fazer a prova impressa ou digital.
 
Este ano o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização do Enem, vai oferecer mais de 101 mil inscrições para a versão digital da prova. Apenas alunos que já concluíram o ensino médio ou vão concluir em 2021 podem optar por este modelo. 

Além disso, as provas impressa e digital serão feitas na mesma data e, portanto, terão as mesmas questões e proposta de redação. 

Essa é a segunda edição do exame realizada durante a pandemia

“Para esse ano, não esperamos grandes mudanças. É fato que todo ano tem algumas pequenas variações. Às vezes uma prova mais fácil, outra mais difícil, mas não é uma mudança drástica. Nós acreditamos que o Enem não deva ter mudanças estruturais”, afirma o diretor de ensino do Grupo Bernoulli, Rommel Domingos. 

Apesar de não acreditar em muitas diferenças, segundo ele, a preparação dos alunos foi afetada pela pandemia e as aulas remotas. 

“A preparação do aluno foi afetada desde o ano passado, em função da pandemia. Grande parte deles se adaptou bem ao ensino remoto, conseguiu desenvolver e crescer apesar das dificuldades. Está agora se preparando para o Enem e não deve ter perda no seu rendimento. Mas é fato que há um grupo de alunos que não se adaptou e está tendo dificuldade de administrar o seu tempo e estudar. Em particular, os alunos mais pobres, que têm menos espaços em sua residência, que não tem bons equipamentos, a qualidade da internet.”

Outro que não acredita em mudança no nível das provas é o diretor da Associação Pré-PUC e UFMG Pré-vestibular, Richard Thuin. 

“A maior alteração seria a prova on-line. As duas vão ser no mesmo dia esse ano. Quanto ao conteúdo não vejo diferença não.”

Ele também destaca que a pandemia dificultou a preparação dos alunos, principalmente os mais carentes. 

“Eles tiveram aula on-line, alguns conseguiram acompanhar, outros não. Em função disso, nós estamos formando muitos alunos no EJA (Educação de Jovens e Adultos). Principalmente alunos de 3° ano que não concluíram na escola pública e estão buscando o curso EJA. Com a pandemia, os pais de alguns alunos perderam o emprego e os filhos precisaram buscar atividades para ajudar no sustento da casa. Com isso, alguns pararam de estudar e resolveram terminar o curso com o EJA, por ser mais rápido. E ele habilita o aluno a fazer as provas do Enem”, explica.  

Mas, para Rommel Domingos, existe um fator positivo para a edição deste ano. “A ansiedade é menor. Esse ano a pandemia continua. O retorno do pré-vestibular já aconteceu e do colégio ainda não, estamos aguardando. Mas é um retorno muito comedido, muitos alunos ainda continuam em casa. Mas a ansiedade esse ano é muito menor que a do ano passado. O ambiente não está pesado, com uma ansiedade tão grande.”

Aprovação não foi afetada


Os dois diretores afirmam que, apesar de alguns alunos terem apresentado dificuldades com as aulas on-line, a aprovação não foi afetada. 

“De uma maneira geral, a aprovação não é afetada. Só que o indivíduo é afetado porque tem aquele que se adapta bem e tem aquele outro que não tem esse perfil, não gosta de ficar em casa, não tem bom ambiente em casa ou simplesmente porque ele não se adapta. Esse aluno acaba sendo prejudicado pela imposição de uma realidade que é a pandemia”, ressalta Rommel Domingos. 

Para ele, o fato dos cursinhos já terem retornado com as aulas presenciais pode ajudar nesse problema. 

“Tem a questão do pré-vestibular já ter voltado. Então vem para a aula presencial justamente os que precisam mais. O aluno que já está mais adaptado, continua estudando em casa. E o aluno que está sofrendo mais e não conseguiu se adaptar, acaba entrando no rodízio e sendo beneficiado. Foi importantíssima a volta ao presencial, nesse caso.” 

Richard Thuin acredita que as aulas on-line exigem um esforço maior dos alunos

“Na aula on-line, os alunos ficam mais tímidos e não perguntam. As aulas ficam gravadas. O curso remoto precisa de muita dedicação. Com as vídeo-aulas, apesar do aluno ter mais carga de conhecimento e mais tempo, é mais superficial. O aluno não aprende o contexto todo. Esse aluno vai precisar de mais interesse e, alguns alunos nessa idade tem pouco interesse.”

Apesar disso, ele afirma que a aprovação na edição deste ano não foi afetada. “Em 2020, nós tínhamos diversos alunos de escolas públicas que continuaram as aulas mesmo a distância e tivemos uma aprovação muito expressiva, de 86%.”

Dois alunos com perfis diferentes


Ana Beatriz Gontijo tem 19 anos e vai fazer o Enem pela segunda vez. Ela se formou em 2020 e tenta o curso de medicina. 

“No início deste ano foi a primeira vez que eu fiz (o Enem) valendo, não como treineira. No início, a adaptação às aulas on-line foi muito difícil. E a confusão toda de fazer enquete, falaram que seria uma data, depois foi em outra. Só foi adiando. Isso foi muito angustiante, a gente não tinha nenhum cronograma para seguir e planejar porque não tinha uma data.”

Ela acredita que o impasse sobre a realização do exame pode ter atrapalhado seu desempenho.  

“Não posso colocar a culpa 100% nisso, mas acho que prejudicou sim. Foi uma prova muito diferente em relação ao conteúdo. Por exemplo, História do Brasil, não caiu praticamente nenhuma questão. E os professores nos prepararam de acordo com as experiências anteriores do Enem.”

A estudante conta que, este ano, a preparação está sendo mais tranquila.  

“Como a gente já teve a experiência do on-line ano passado, esse ano está sendo um pouco mais fácil. Eu já peguei o ritmo, o jeito de estudar em casa. Inclusive eu estou no pré-vestibular em que as aulas presenciais já voltaram (no modelo híbrido). Mas eu nem estou indo porque já me acostumei com a rotina de estudar em casa.”

Para ela, as aulas remotas tem suas vantagens. “Você pode pausar a aula, assistir de novo, ver na velocidade mais rápida, que acaba facilitando. Acho que vai ser bem melhor do que foi ano passado.” 

Outro ponto positivo para a preparação, segundo Ana Beatriz, é o exame já ter uma data definida. “Mesmo que ela seja adiada em 1 ou 2 meses, a gente não tá totalmente sem direção. Isso facilita bastante.” 

Já Wanderson dos Santos, de 24 anos, vive uma situação diferente. Ele vai tentar o Enem pela terceira vez, sempre estudou em escola pública municipal e terminou o ensino médio em 2015. Também quer fazer medicina, mas não conseguiu se adaptar ao ensino remoto. 

“Foi uma experiência muito ruim por causa da distração. Qualquer barulho te distrai e a preparação acaba prejudicada. Na aula presencial você tem um compromisso maior. Na aula on-line não, como ela é gravada, você sempre pode deixar para ver depois. Começa a fazer outras coisas e quando vê está com um monte de matéria acumulada”, explica. 

Ele também fez as provas da edição 2020 do Enem e conta como foi a experiência.“Achei a prova mais complicada, difícil. Acho que eles cobraram coisas que a gente não via no cursinho.”

Além disso, o estudante enfrentou dificuldades em acessar as aulas. “Nessa época de pandemia, com muita gente em casa, acaba que sobrecarrega o sistema. Então a internet fica muito mais lenta. Às vezes, eu perdia a aula porque não tinha internet.”

Como não conseguiu se adaptar às aulas remotas, decidiu voltar para o presencial. “Eu prefiro voltar para as aulas presenciais, on-line de novo eu não quero, me prejudicou muito.” 

* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie. 


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