Publicidade

Estado de Minas desafios

Além da sala de aula


25/10/2020 04:00

Victor Machado, vice-diretor- geral e gestor de novos projetos da Escola Santo Tomás de Aquino, diz que a tecnologia aproxima a educação do contexto de vida do aluno(foto: Gladyston Rodrigues/em/d.a press)
Victor Machado, vice-diretor- geral e gestor de novos projetos da Escola Santo Tomás de Aquino, diz que a tecnologia aproxima a educação do contexto de vida do aluno (foto: Gladyston Rodrigues/em/d.a press)


Ninguém discorda quanto à relevância da presença física. Por outro lado, a compreensão de que o estudante é protagonista do processo de ensino-aprendizagem, com o desenvolvimento de sua autonomia e necessidade de engajamento, é mais um aspecto potencializado com a pandemia. Na opinião de Juliana de Carvalho Moreira, diretora-geral pedagógica da rede de colégios Santa Maria Minas, um caminho que não está limitado à sala de aula.
 
"O ensino remoto é um grande desafio em todo o país devido às limitações do acesso à internet e aos dispositivos eletrônicos, por fatores socioeconômicos e geográficos. Na rede de colégios Santa Maria Minas, o percentual de alunos que acessam nossa plataforma de ensino é quase de 100%. Mas temos a certeza de que o ensino remoto, na educação básica, não substitui as atividades presenciais, a convivência, a interação e as relações pessoais que se dão dentro da escola."
 
     Lucas Vinícius Marra de Freitas, de 16 anos, é aluno do 9º ano do ensino fundamental na unidade Floresta do colégio, em BH. Para ele, o coronavírus está ensinando sobre persistência e o valor do trabalho dos profissionais da educação. "O ensino remoto, em espectro global, nos mostra a capacidade que temos para aderir ao novo. De certa forma, também nos convida a olhar para as desigualdades sociais, como o acesso restrito à internet nas zonas carentes", compara.

EXEMPLO QUE FICA Para Lucas, o colégio foi eficiente na adaptação do ensino para as plataformas digitais, reforçando o zelo com os estudantes. "Nós, alunos, fazemos o máximo para que os professores não se sintam sozinhos durante as aulas, procurando uma interação cada vez maior. A ideia de que o professor é o centro da sala de aula acabou. O ensino remoto exige a participação de todos."
 A precisão em estar em constante caminho de aprendizado e aprimoramento profissional é outro ensinamento da pandemia, na opinião do professor David Abrão Pereira da Silva. Ele é coordenador de ciências da natureza e química no Santa Maria Minas. O exemplo que fica é a garra e a criatividade dos educadores para lidar com as novas realidades, reinventando a maneira de se relacionar com os alunos e os elementos do conhecimento, ainda mais diante de uma situação inesperada. 
 
      "Acredito que a tecnologia seja mais um meio para somar e aprimorar a metodologia de ensino-aprendizagem. Os professores incorporaram em suas ferramentas a câmera, o microfone e, em alguns casos, até mesas digitalizadoras e o quadro digital. Várias ferramentas digitais pouco conhecidas foram integradas às nossas práticas da noite para o dia."

Fluência digital "A sala de aula não é mais aquele espaço entre quatro paredes, dentro da escola. Passa a ser em qualquer lugar, a qualquer momento, e estruturada de diferentes formas", diz Victor Machado, vice-diretor-geral e gestor de novos projetos da Escola Santo Tomás de Aquino. A tecnologia aproxima a educação do contexto de vida do aluno. Projetos, atividades, trabalhos em grupo e outros desafios têm que ser resolvidos mesmo com todas as adversidades do momento, reforça Victor.
 
"Não há como negar que o ensino remoto continuará. Afinal, flexibilidade, customização do modo de ensino-aprendizagem, tornando-o mais colaborativo e cooperativo, bem como o fortalecimento da comunicação entre as partes envolvidas no processo educacional, são alguns dos benefícios decorrentes deste período.”
 
Victor ressalta que um aspecto importante, no caso do Santo Tomás de Aquino, foi a fluência digital que já tinha sido estabelecida em anos anteriores. “Diversas ferramentas já estavam incorporadas, fazendo com que a adaptação fosse breve", pontua. 
 
    Na outra ponta, apesar da distância física, a pandemia fortaleceu laços. "Já que a sala de aula entrou na casa de todos, os alunos puderam conhecer os professores, e vice-versa, além do ambiente escolar. As relações se tornaram mais próximas, na medida em que ambos puderam entender melhor os desafios da outra parte, favorecendo de forma indireta e o espírito colaborativo.”
Vitor Magalhães, de 17, está no segundo ano do ensino médio no Santo Tomás de Aquino, onde estuda desde os 6 anos. "A escola tem se inovado, com ferramentas que auxiliam no desenvolvimento de todos nós, alunos. Com empenho e dedicação, por parte da diretoria e da instituição como um todo, conseguiu se adaptar rapidamente à pandemia, que pegou todos de surpresa", diz Vitor.
 
palavra de especialista
Érika Cabral Pereira, relações-públicas do Colégio Santa Paula
 
"Maior desafio será a rotina"
 
“As escolas precisarão enfrentar todo um complexo sanitário para conseguir manter o distanciamento e adaptar a instituição ao desejado, em nível de segurança e saúde. Então, nesse contexto, o maior desafio será a rotina, haja vista as inúmeras mudanças que ocorrerão na forma como será necessário frequentar as dependências dos colégios. O âmbito emocional também será um grande obstáculo, pois sabe-se que, neste período, houve o aparecimento e/ou agravamento de inúmeros distúrbios psicológicos. Será necessário saber lidar com os estudantes e com os desdobramentos do longo período de ensino a distância. Do ponto de vista didático e de aprendizado, cada instituição terá um desafio diferente e, também, em graus distintos.” 
 
 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade