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Estado de Minas

Apenas São Francisco terá ensino presencial


26/09/2020 04:00

Escola Municipal Inês Ferreira da Rocha, no município de São Francisco, tem dificuldade para acesso à internet no local (foto: Secretaria de Educação de São Francisco/Divulgação)
Escola Municipal Inês Ferreira da Rocha, no município de São Francisco, tem dificuldade para acesso à internet no local (foto: Secretaria de Educação de São Francisco/Divulgação)
São Francisco, de 56,32 mil habitantes, no Norte do estado, é a única das 68 cidades da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) a anunciar a volta das aulas presenciais após a pandemia do novo coronavírus. A entidade realizou reunião por videoconferência com os secretários municipais de Educação da região para verificar o posicionamento deles diante da autorização do governo do estado para a reabertura imediata das escolas. 

O Norte de Minas é a única região do estado em que os municípios estão em bloco na onda verde, autorizada pelo governo de Minas a retomar as aulas a partir de 5 de outubro, segundo critérios do Programa Minas Consciente. Na próxima terça-feira, o governo estadual deve divulgar o protocolo para a volta das atividades presenciais nas escolas.

Conforme adiantou o Estado de Minas, os prefeitos norte-mineiros ficaram apreensivos em relação às consequências que a reabertura das escolas agora poderia acarretar, não somente por conta dos riscos de contaminação do coronavírus, mas também por possíveis impactos que o fato poderá causar nas eleições municipais. Muitos deles são candidatos ou apoiam nomes que concorrem ao comando das prefeituras. O prefeito de São Francisco, Evanilso Aparecido Carneiro (Solidariedade), é candidato a um novo mandato nessas eleições.

De acordo com a Amams, durante a reunião de ontem, os secretários “mostraram que a retomada das aulas presenciais pode colocar em risco a vida dos alunos, dos servidores e ainda dos familiares, pois com o contato pode haver uma contaminação de forma geral”. Ainda segundo a associação, eles alertaram para a falta de recursos para o transporte escolar e as dificuldades para cumprir o protocolo de segurança, como o distanciamento entre os alunos.

O único a manifestar posicionamento diferente foi o secretário municipal de Educação de São Francisco, Alberth Monção, que anunciou que vai retornar as aulas presenciais em 5 de outubro para os cerca de 4,8 mil alunos da rede municipal da cidade. Ele disse que o prefeito da cidade, Evanilso Carneiro, o Veim, deve assinar decreto até terça-feira oficializando a medida. A reportagem não conseguiu contato com o prefeito da cidade, às margens do rio São Francisco.

“O mundo está voltando ao normal. Será que somente a educação não pode voltar ao normal? Temos que tentar fazer alguma coisa para a volta das aulas (presenciais). Não podemos ficar parados, apenas esperando pela vacina. A vida precisa voltar ao normal dentro daquilo que podemos fazer”, afirmou o secretário Alberth Monção em entrevista ao EM.

Monção salientou que o grande problema enfrentado em São Francisco é com a manutenção do ensino pelo sistema virtual, que deixa muitos alunos praticamente sem estudar por não conseguirem acesso à internet. Segundo ele, a dificuldade de acesso aos conteúdos pela rede mundial é enfrentada pela metade dos estudantes de São Francisco, principalmente pelos moradores de comunidades rurais, onde não chega sinal de internet ou de telefonia celular.

“Fizemos apostilas para nossos alunos. Mas somos sabedores de que o professor é indispensável no ensino/aprendizado e precisamos ter a coragem de iniciar com todos os cuidados e protocolos necessários”, assegura o secretário de Educação de São Francisco. Ele explica que a Prefeitura de São Francisco vai adotar uma série de cuidados para a reabertura das escolas.

Um deles será o retorno gradual, em um sistema rodízio, de tal forma que metade dos alunos de cada sala vão para escola em uma semana, enquanto a outra metade fica em casa – alternando a situação entre os grupos na semana seguinte. Além disso, haverá um distanciamento de 1,5 metro entre os alunos, que também deverão passar o recreio e consumir a merenda dentro da sala de aula, com o uso de máscara e álcool em gel cedido pela municipalidade. As escolas serão desinfetadas semanalmente.

Em alta 
Os casos de COVID-19 continuam subindo em Minas Gerais. Somente nas últimas 24 horas, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou 4.578 novos casos da doença. Ao todo, desde março, 283.479 pessoas foram infectadas pelo coronavírus em Minas, segundo o boletim divulgado na manhã dessa sexta-feira. O número de óbitos ontem ultrapassou a marca dos 7 mil. Com 73 confirmações de anteontem para ontem, o estado já perdeu 7.056 pessoas para a doença.

três perguntas para...


ALBERTH MONÇÃO
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Por que a Prefeitura de São Francisco decidiu pelo retorno das aulas presenciais agora?

Decidimos pelo retorno dentro da deliberação do Programa Minas Consciente. Já estamos desde de 18 de março sem ter aulas presenciais. São sete meses parados. Não somos um país de Primeiro Mundo. Temos muitas dificuldades, entre elas o acesso à internet. Fizemos as apostilas para nossos alunos, mas somos sabedores que o professor é indispensável no ensino/aprendizado e precisamos ter a coragem de iniciar com todo os cuidados e protocolos necessários,  mas iniciar se faz preciso.

Quais as perdas que os alunos tiveram com a pandemia?

Inúmeras são as perdas dos alunos com a pandemia, haja visto que não desfrutamos de nenhum lugar de destaque nas avaliações na América do Sul. Estamos abaixo de nossos vizinhos. E em relação aos países de Primeiro Mundo não podemos nem falar ou fazer comparações. Já são quase sete meses de pandemia e não podemos apenas ficar esperando pela vacina eficaz. Temos que voltar à normalidade gradativamente. Agora é a hora das escolas voltarem e é isso que vamos fazer.

Qual a realidade da educação no município? Qual o percentual de alunos que têm dificuldades para ter acesso à internet?

A nossa realidade não difere dos outros municípios norte-mineiros. Em torno de 50% dos nossos alunos enfrentam essa dificuldade, principalmente na zona rural, onde o acesso à internet realmente é muito difícil.




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