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Estado de Minas Especial Educação

Arte é espaço para engajamento ambiental

Crianças aprendem que tudo o que tem na natureza pode ser transformado em arte


27/10/2019 04:00 - atualizado 28/08/2020 18:07

Alunos do Galileo Galilei usaram criatividade na Mostra de Arte(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Alunos do Galileo Galilei usaram criatividade na Mostra de Arte (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
 
Mãe Gaia, na mitologia grega, é um ser primordial, de um potencial enorme. É a Terra, a própria criação em si, com todos os seus elementos responsáveis pela vida. Para fazer os pequeninos do ensino infantil entenderem tudo isso, uma escola da Região Centro-Sul de Belo Horizonte interligou o meio ambiente ao poder de sensibilidade da arte. Ontem, durante a Mostra de Artes anual, familiares puderam ver de perto a criatividade para abordar um assunto tão importante para os dias atuais e o futuro de gerações.
 
A exposição intitulada Mãe Gaia x Ecoarte na infância traz os trabalhos das crianças feitos com materiais da natureza. O objetivo da Escola Infantil Galileo Galilei, no Bairro Funcionários, foi trabalhar percepção, sensibilidade, cognição e criação, conforme explica uma das diretoras, Denise Gaia. “Nossa proposta é ensinar às crianças e mostrar ao público que tudo que tem na natureza pode ser transformado em arte. O objetivo é o registro de criações poéticas que contribuem para a preservação do planeta com rico material nas quais brincadeiras ao ar livre e relações humanas têm relação especial”, afirma.
 
As diretrizes desse manifesto artístico foram pautadas pela infância e a natureza, arte e ciências, ecologia no cotidiano, escutas, diálogos, vozes e ações das crianças. E não é só para esta edição da mostra. A escola tem a educação ambiental como premissa em todas as turmas anualmente. Ano passado, o projeto de sala do maternal 3 foi Guardiões da Natureza. Nele, a meninada acurou o olhar para plantas e situações diversas do cotidiano. 
 

O aluno tem a sensação de que no meio ambiente tudo pode ser reutilizado sem que nada seja prejudicado

Denise Gaia, diretora

 
 
Oficinas de plantio de mudas e sementes, de tintas naturais (urucum, açafrão, terra e caule da beterraba) prometem dar outro sentido a cores e formas feitas por pais e filhos. Um livro de artes das crianças do maternal 3 até o 2º período foi lançado. Um varal de folhas secas pintadas emocionou, bem como os trabalhos feitos a partir de rodelas de laranja secas.
 
Os pequenos do 2º período pintaram tela inspirados numa imagem de lavandas e fizeram vasinhos de cactos com pedra pintada e argila. Na confecção de um robô também com materiais reutilizáveis, trabalharam, para além da arte e da ecologia, conceitos de cooperação e equipe. 

PROJETOS


Um carro de Fórmula-1 montado dentro da sala, um cavalo gigante e um berimbau. O que têm em comum? Todos foram feitos por crianças de apenas 4 aninhos que puseram a mão na massa para construir, com material reciclável, os objetos de uma exposição sobre saúde e esporte de um colégio na Região Noroeste de Belo Horizonte. Esse é um exemplo de como as questões ambientais se tornaram premissa na sala de aula, desde o ensino infantil. Educadores apostam nessa idade em que o terreno é fértil para novas informações para formar, desde já, cidadãos comprometidos e preocupados com o planeta.
 
A exposição foi toda montada com material reciclável. Os alunos do 1º período pintaram 431 garrafas PET e montaram o carro dentro da sala. Para falar de hipismo, foi feito cavalo com caixas de sapato. Já a turminha do 2º período usou jornal e tampinha de garrafa plástica para fazer um berimbau. No Colégio Santa Maria, o tema meio ambiente permeia os projetos desenvolvidos ao longo de todo o ano. “As crianças da educação infantil aprendem pelo sentido. Elas experimentam, vivenciam, o que abre enorme possibilidade de trabalhar habilidades socioemocionais. A natureza e o meio ambiente servem não só para entenderem e se conscientizarem, mas para pôr em prática todos os conceitos”, afirma a coordenadora da educação infantil e do 1º ano do nível fundamental da unidade Coração Eucarístico, Adriana Dorna.

CONSTRUIR JUNTOS

Na semana das crianças, a brincadeira envolveu papais e mamães em torno da construção de brinquedos com materiais reutilizáveis. Em datas comemorativas, este é o método: construir, juntos com os pais ou os professores, brinquedos que poderão ser usados enquanto tiverem vida útil. O jogo da memória feito com papel de caixa de papelão, por exemplo, é o xodó das turminhas e foi parar na brinquedoteca da escola. “Isso é importante para perceberem que é possível reutilizar e que isso traz benefício grande para a natureza”, ressalta a coordenadora.
 
A família, aliás, é chamada o tempo todo para ter junto essa formação. Na rotina, os pequenos aprendem conceitos que levarão para o resto da vida, seja a noção do desperdício na hora do lanche e a valorização do alimento, seja a importância do cuidado com o jardim. Temas da atualidade, como as queimadas na Amazônia, também são tratados, respeitando a linguagem adequada para a idade.
 
Há 31 anos na coordenação, Adriana Dorna fala da evolução ao longo das décadas. “Antigamente se falava sobre meio ambiente, sempre trabalhei neste sentido, mas não com uma intencionalidade tão grande. Não havia retorno e essa questão da visão do todo (planeta, país). Até porque não tinha redes sociais, que se bem aproveitadas são muito favoráveis a esse trabalho”, relata. Se antes era unilateral, do colégio para as famílias, hoje é via de mão dupla. “A intencionalidade está presente em todos os campos, fora os recursos disponíveis atualmente para tornar tudo isso mais vivo, mais próximo e concreto.” 
 
 

Fiscais da natureza

 
A sustentabilidade é um valor e, por isso, passa de maneira transdisciplinar por todos os conteúdos. Essa é a visão do Colégio Santo Agostinho, que tem consolidado o Grupo de Trabalho, Envolvimento e Iniciativa Ambiental (Geteia) para cuidar do tema. Com os pequeninos a partir dos 3 anos de idade, a estratégia é levar situações do cotidiano para eles analisarem, tentando resolver problemas e os fazendo entender o meio em que estão, de forma lúdica e prática.
 
E a consequência supera as expectativas, à medida que os ensinamentos em sala de aula ultrapassam os muros da escola para chegar até em casa. “O adulto escuta a criança. Quando ela fala sobre um assunto como esse, serve de exemplo. Os pais relatam o cuidado que têm em casa com o tempo de banho e o que fazer com a água. As crianças se tornam uma espécie de fiscais em casa”, conta o professor de geografia e integrante do Geteia Saulo Soares, da unidade Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
 
E, por isso, o termo “teia” não é à toa. Tem a ver com conectividade. “Os meninos passam a ser multiplicadores disso, enquanto um valor, e passam, além de atuar na escola, a ter posicionamento crítico em relação ao meio ambiente e com um olhar diferente nas práticas”, diz Soares. E não adianta só discutir. Eles exigem pôr em prática. Qualquer resíduo em sala de aula, por exemplo, é destinado à coleta seletiva.
 
Dois pontos nas portarias do colégio têm sacolas ecológicas para o depósito de materiais que podem ser trazidos também de casa. As lixeiras são mais um estímulo à separação dos materiais, que são recolhidos por uma cooperativa de catadores de Nova Lima. “É esse o valor da sustentabilidade. Não é legal falar sobre isso e não dar opção. Tem que mostrar e vivenciar para eles entenderem seu papel na sociedade.” 


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