Publicidade

Estado de Minas ENEM 2019

Veja dicas para evitar pegadinhas na prova do Enem

Professores explicam como candidatos podem identificar as respostas 'disfarçadas' de alternativas corretas


postado em 06/10/2019 04:00 / atualizado em 09/10/2019 15:44

A professora de biologia Denise Arão diz que redução, extrapolação e contradição são truques usados nas perguntas(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
A professora de biologia Denise Arão diz que redução, extrapolação e contradição são truques usados nas perguntas (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Se no passado palavras apareciam no enunciado das provas dos vestibulares de maneira maliciosa, para confundir candidatos e testar seu poder de escapar às questões feitas para induzir o estudante ao erro, na era do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) as pegadinhas não se escondem.

Elas fazem parte da estrutura das questões e, por isso, mais do que nunca, é preciso atenção para identificar as respostas disfarçadas de corretas e pensadas para distrair quem está fazendo o teste. Na busca pela única opção certa, a melhor alternativa é não se descuidar da interpretação dos textos motivadores, comandos e enunciados.

Lá se foi o tempo em que as questões afirmavam que todas as alternativas são corretas, a não ser por um detalhe: o exceto. Ou, ainda, pediam para achar aquela resposta incorreta. Palavras consideradas perigosas, que misturadas ao nervosismo dos candidatos a uma vaga nas universidades exigiam a máxima atenção, desapareceram das 90 questões do Enem. O Enem é 100% alternativa correta, como explica a coordenadora do pré-Enem e professora de biologia do Colégio Chromos, Denise Regina Arão.

Dicas para não cair em armadilhas

  • Na prova de ciências humanas ou linguagens, é mais provável que as questões ofereçam uma alternativa que possa levar o estudante a marcá-la, pois um conceito foi exposto de forma correta, mas a pergunta não é respondida objetivamente

  • Nas matérias que pedem cálculos, as alternativas podem conter resultados alcançados por erros básicos, como uso equivocado de sinais, fórmulas ou raciocínios que fujam da lógica-padrão de resolução

  • Os erros mais comuns cometidos pelos candidatos do Enem estão ligados à interpretação de textos motivadores, comandos e enunciados

  • Fique atento: apenas uma resposta entre as cinco alternativas é a correta. As outras contêm informações que não conseguem responder corretamente aos questionamentos expostos nos enunciados e comandos das questões

A prova tem um texto-base que pode vir acompanhado de uma imagem que também faz parte dele. Depois, vem o enunciado da questão, chamada de comando, e que sempre se refere ao texto-base. “Em sequência, há cinco alternativas, de A a E, onde estão os “distratores”. O texto-base ajuda a conduzir mecanismos cognitivos para resolver a situação-problema”, explica a professora.

São três tipos de “distratores”, que, como a palavra sugere, estão ali invariavelmente em quatro das cinco possibilidades para “distrair” quem faz a prova. O primeiro é o de redução. Nele, a alternativa parece correta, mas falta informação do comando da questão. O segundo, o de extrapolação, ao contrário, ultrapassa o comando. Já o de contradição vai totalmente contra o comando e o texto-base, conforme destaca Denise.

“Sempre terá a redução, a extrapolação, a contradição e uma estará inteiramente fiel ao comando”, relata. E fica outra dica preciosa: sem ler o texto motivador, nem pensar em resolver. “Ele é fundamental para tomar como referência e dominar o assunto da questão”, afirma Denise.

Cuidado com as distrações no texto

O professor de história e coordenador pedagógico do QI Pré-Vestibular, Rafael Verdim, ressalta que os participantes da prova do Enem devem ficar atentos ao fato de que nem sempre as informações contidas nos “distratores” estão erradas conceitualmente. “Pode ser que algumas questões contenham alternativas com informações corretas, o que pode vir a influenciar os estudantes a marcá-las, mas essas informações, não necessariamente, respondem aos enunciados e comandos da prova”, destaca. “A lógica de aplicação de 'distratores' é a mesma para toda a prova, mas em conteúdos em que é preciso maior capacidade de interpretação de textos ou onde perguntas conceituais apresentam maior subjetividade, é necessária maior atenção”, completa.

Outra pegadinha é o fato de as provas serem transdisciplinares. Logo, ao serem separadas por áreas e não por matérias, num mesmo caderno o candidato passa em questão de minutos de uma disciplina para outra e que, ao mesmo tempo, conversam entre si. Caso da área de ciências da natureza, que abarca química, física e biologia. “Não tem muito bem definido quem é dono da questão. Não é uma prova específica, mas que interage e transita em várias disciplinas, o que exige do candidato ter uma maestria maior. Uma hora precisa dominar certa disciplina, depois outra. O cérebro deve, assim, fazer ligações entre elas.”

E é nessas ligações que ocorrem os erros mais comuns dos estudantes – na interpretação de textos motivadores, comandos e enunciados. Rafael Verdim conta que muitos dizem errar questões simples por não atentar para as informações contidas nas questões. “É muito importante que o estudante consiga responder exatamente ao que se pede nas questões, especialmente aquelas que podem ser consideradas fáceis, pois o erro em questões fáceis representa mais impacto na nota do estudante devido ao cálculo da TRI (Teoria de Resposta ao Item). Resumindo, além de saber o conteúdo da questão, há de se saber interpretar o que a questão está pedindo”, avisa.


Publicidade