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Estado de Minas O MELHOR DOS DOIS MUNDOS

Pizza ganha versão mineira com massa de pão de queijo e ingredientes locais

Numa mordida, você sente a crocância da casquinha do pão de queijo e a suculência do recheio de pizza


22/05/2022 04:00 - atualizado 22/05/2022 09:02

Pizza de pao de queijo de linguica
A linguiça defumada artesanal entra no lugar do pepperoni, assim como o queijo minas artesanal de leite cru substitui a muçarela (foto: Nuu Alimentos/Divulgação)

Pão de queijo e pizza. Imagina juntar duas paixões nacionais em uma só mordida. Foi exatamente o que fez a Nuu Alimentos, empresa fundada pela mineira Rafaela Gontijo.
 
A pizza de pão de queijo é uma massa de polvilho coberta com bastante queijo e outros ingredientes mineiros, como linguiça e doce de leite. Você sente a crocância da casquinha do pão de queijo e a suculência do recheio da pizza. Ou seja, o melhor dos dois mundos.
 
A ideia surgiu de um erro. Na época, a Nuu transformava o seu pão de queijo em “pão” de hambúrguer. Para isso, descongelava e modelava a massa de um jeito diferente. Um dia, alguns pacotes descongelados sobraram e o chef Erik Nako, sócio de Rafaela, resolveu fazer uma pizza.
 
Dessa experiência até o produto vendido hoje foram quase dois anos de pesquisa e desenvolvimento. Os sócios chegaram ao tamanho de uma pizza brotinho para que a massa fique crocante por inteiro e caiba em qualquer fritadeira elétrica, uma das indicações de preparo. Também dá para assá-la em forno convencional, forno elétrico e frigideira.
 
A marca trabalha com sabores tipicamente mineiros. O pepperoni sai para a linguiça defumada artesanal entrar, enquanto o requeijão substitui o catupiri na pizza de frango defumado. Em vez de chocolate, as pizzas doces são cobertas com doce de leite e goiabada. Em todas elas, o queijo minas artesanal de leite cru ocupa o lugar que seria da muçarela.
 
Com a exceção do polvilho, todos os ingredientes são produzidos em Patos de Minas, onde fica a fábrica, ou nas redondezas. Manjericão e alecrim são colhidos na horta. “Temos o compromisso de trazer inovação, mas também de preservar a nossa história e a nossa cultura”, pontua Rafaela, que nasceu e cresceu em Patos de Minas.

Sem glúten é tendência

Como a massa não leva farinha de trigo (apenas polvilho), a pizza de pão de queijo acaba atraindo quem não consome glúten. E a marca já estava de olho nesse público, acompanhando uma tendência mundial.
 
“Vimos que nos Estados Unidos o mercado de pizza sem glúten estava crescendo e isso chegaria ao Brasil. Só que a maioria das massas são à base de couve-flor ou grão-de-bico, muito fitness, e as pessoas querem comer um produto gostoso.”
 
rafaela gontijo nuu alimentos
'Temos o compromisso de trazer inovação, mas também de preservar a nossa história e a nossa cultura', pontua Rafaela Gontijo, fundadora da Nuu Alimentos, que nasceu e cresceu em Patos de Minas (foto: Junior Silva/Divulgação)
 
A história da Nuu começou há sete anos com o pão de queijo tradicional. Rafaela morava no Rio de Janeiro, trabalhando em uma multinacional, e costumava levar para os amigos a massa que comia na fazenda da família, em Patos de Minas.
 
O sucesso era tanto que ela quis pesquisar sobre esse mercado. “A verdade é que o pão de queijo foi industrializado, virou quase uma commodity. Então, de forma impetuosa, larguei tudo para empreender.”
 
Rafaela e Eric fizeram uma expedição de BH a Patos de Minas provando todo pão de queijo que encontravam pelo caminho. No total, foram mais de 100. Antes dos testes, eles ainda buscaram em cadernos de receitas (inclusive da avó dela) o modo antigo de fazer a massa. “Vimos que não existe segredo nenhum. O que faz um bom pão de queijo é a escolha dos ingredientes”, comenta.
 
Inicialmente, os sócios vendiam o pão de queijo em feiras. Depois entraram em uma grande rede de supermercados do Rio de Janeiro e chegaram a ter uma loja temporária na cidade. A empresa dobrava de tamanho ano após ano, até que chegou a pandemia.
 
“Decidimos que íamos parar de crescer e mergulhar nos processos para entender o impacto que a nossa produção ia gerar para os nossos filhos.” Naquele momento, eles compravam queijo e leite de pequenos produtores e terceirizavam a produção.

Mais sustentável possível

A Nuu hoje se propõe a ser uma indústria regenerativa, o que significa adotar práticas sustentáveis e reduzir a emissão de carbono em toda a sua cadeia. Para isso, construiu uma fábrica própria, inaugurada em outubro do ano passado, seguindo todos os critérios de sustentabilidade.
 
pizza de pao de queijo com doce de leite
Em vez de chocolate, o doce de leite mineiro é uma das opções de cobertura doce (foto: Nuu Alimentos/Divulgação)
 
A empresa também investe em fazendas-modelo (as duas primeiras são de queijo e ovo) para incentivar seus fornecedores, que são pequenos produtores rurais, a seguirem o mesmo caminho.
 
“Demora mais ou menos 20 anos para transformar uma área do agronegócio tradicional em agrofloresta com biodiversidade”, aponta Rafaela, orgulhosa do prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU), que elegeu a Nuu como um dos 50 melhores pequenos negócios regenerativos do mundo.
 
Do ponto de vista das receitas, os sócios trabalham pela valorização dos ingredientes locais e querem sempre extrair o melhor deles. “No fim, tudo tem que ter sabor. Precisamos entregar produtos que façam o consumidor dizer 'nuu' de tão gostoso”, destaca a empreendedora, em referência à interjeição que os mineiros falam quando comem algo muito bom e que virou o nome da empresa.

Serviço

(34) 99722-9534

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