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Estado de Minas CONHECENDO A COZINHA

Projeto que valoriza comidas regionais passa a ter programação durante uma semana inteira

Fartura BH começa nesta segunda-feira e segue até o próximo fim de semana, quando o público poderá experimentar pratos criados por chefs de todo o Brasil


postado em 29/09/2019 06:00 / atualizado em 29/09/2019 08:57

De Brasília, o chef Thiago Paraíso traz arroz de linguiça de javali defumada com queijo brie e gel de pimenta dedo-de-moça com pitanga(foto: Thiago Paraíso/Divulgação)
De Brasília, o chef Thiago Paraíso traz arroz de linguiça de javali defumada com queijo brie e gel de pimenta dedo-de-moça com pitanga (foto: Thiago Paraíso/Divulgação)

Depois de percorrer todo o país, de Belém a Porto Alegre, o Fartura – Comidas do Brasil entra agora em nova fase. A partir da próxima edição em Belo Horizonte, que começa amanhã, o projeto passa a ter novo formato, com programação estendida para uma semana. “O festival é muito legal, mas precisamos de mais tempo para passar para o público o nosso conceito da origem ao prato, além da questão da transformação social e da educação”, pontua o diretor-geral, Rodrigo Ferraz.
 
Uma das novidades este ano é o Transformação Social, que se divide em duas frentes. Amanhã e terça, chefs vão ensinar receitas e curiosidades gastronômicas para crianças e adolescentes em escolas públicas de Belo Horizonte. A ação também se volta para o empreendedorismo gastronômico, fomentando e capacitando um agente (ainda não divulgado), em parceria com Sesc e Senac. “Já temos um exemplo que deu muito certo em Tiradentes, do Restaurante Du Elvas, que dobrou o movimento. O diferencial deles é ter tudo no quintal, não só horta, mas vaca, porco e galinha.”
Já na quinta e sexta, está programada a estreia do seminário “Cultivar: conversas sobre gastronomia da origem ao prato”, voltado para estudantes e profissionais da área, além de outros interessados. Os participantes discutirão temas como gastronomia e negócios, do êxodo urbano, como se come em restaurantes no século 21, e comida do futuro.
 
O público terá a oportunidade de experimentar a torta de chocolate com compota de nêspera, fruta comum em Porto Alegre(foto: Fartura/Divulgação)
O público terá a oportunidade de experimentar a torta de chocolate com compota de nêspera, fruta comum em Porto Alegre (foto: Fartura/Divulgação)
 
 
As comidas continuam a ser o principal atrativo para o grande público. No próximo fim de semana, vários pratos serão servidos no Espaço Chefs e Restaurantes, em frente à sede da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, no Barro Preto. “Sempre escolhemos pessoas ligadas ao que vimos nas expedições – que são a base de tudo, contemplando todas as regiões do país, com destaque para Minas”, explica Ferraz. A equipe já esteve este ano no Paraná e no Mato Grosso e ainda planeja viajar por Minas.
 
A mineira Alento lançará dois sabores de sorvete. Um deles é de chocolate produzido na cidade. “Já está no nosso DNA trabalhar com produtores artesanais, então fico muito feliz de usar este chocolate mineiro com notas de banana, que ficam ressaltadas”, comenta Talita Viza. O sorvete será servido em uma casquinha pouco convencional. A massa é assada com raspas de queijo meia cura de Cruzeiro da Fortaleza, no Alto Paranaíba.
 
O sorvete de coco queimado é um dos lançamentos da Alento(foto: Natália Alvarenga/Divulgação)
O sorvete de coco queimado é um dos lançamentos da Alento (foto: Natália Alvarenga/Divulgação)
 
 
O segundo lançamento da Alento é de coco queimado. “Pegamos o coco fresco e fazemos todo o trabalho de caramelização e torra. Parece que você está comendo uma cocada congelada”, descreve Talita, que vai servir outros sabores com ingredientes mineiros, entre eles doce de leite de Pouso Alegre, goiabada de Urucânia e amora de Campestre.
 
Pela primeira vez em BH, Thiago Paraiso, de Brasília, se sentiu honrado com o convite para cozinhar na “cidade que abriga grandes chefs do Brasil”. Neto de mineiro, ele escolheu destacar a linguiça defumada de javali que usa em um de seus restaurantes, o Saveur Bistrot, bistrô francês com cardápio voltado para carnes exóticas.

ARROZ MOLHADO Com esta linguiça, ele vai preparar um arroz molhado. Na receita, ainda tem pedaços de queijo brie e gel de pimenta dedo-de-moça com pitanga (à base de ágar-ágar). “O prato tem muitos sabores fortes presentes, o defumado da linguiça, o mofo um pouco mais forte do brie e a acidez do gel, então acho que junção disso tudo vai agradar bastante ao paladar do pessoal.”
 
Liliana Andriola sempre se anima com a oportunidade de conhecer a cultura de outros estados. Em BH, ela vai apresentar algo particular da sua cidade, Porto Alegre: a nêspera, muito comum nos quintais de casa e nas ruas. “É uma fruta tipo pêssego, só que com mais acidez, que não se usa tanto em receitas.” A confeiteira do Restaurante Mandarinier faz uma compota para servir por cima da torta de chocolate com base de biscoito e crumble com raspas de bergamota (para nós, mexerica).
 
No Espaço Interativo, reservado para as aulas, Caetano Sobrinho, de BH, vai ensinar a fazer tropeiro de feijão andu verde. No Caê Restaurante e Bar, ele é servido como guarnição, mas durante o festival será prato único. “Criei essa receita andando pelo Mercado Central. Feijão andu, comum no Norte de Minas, é excelente para tropeiro porque cozinha muito rápido e não passa do ponto.” Depois é só misturar com linguiça, ovo, couve e bacon.

Veja a programação completa em bit.ly/FarturaBH2019


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