Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

No roteiro turístico

Com mais de 100 opções de petiscos, pratos e sobremesas, Mercado da Boca, em Nova Lima, é ponto de parada obrigatório para quem quer viver uma experiência gastronômica diferente


postado em 24/02/2019 05:08

Surf and Turf, do Bouche et Bocca(foto: ingrid cavalcanti/divulgação)
Surf and Turf, do Bouche et Bocca (foto: ingrid cavalcanti/divulgação)



O que era apontado como tendência já virou realidade em Minas. Inspirado no conceito de food hall, em expansão pelo mundo, o Mercado da Boca se consolida como opção de entretenimento gastronômico em Nova Lima, um ano depois da sua inauguração. A novidade está em oferecer, num mesmo lugar, pratos, petiscos e sobremesas de vários chefs conhecidos a preços mais acessíveis.


“Acreditamos que esse modelo se aproxima mais do que o cliente procura hoje, que é um pouco mais de informalidade na hora de consumir gastronomia, sem perder a qualidade”, destaca um dos sete sócios, Renato Guerra, satisfeito de ver que o espaço se tornou, inclusive, ponto turístico. O mercado tem mesmo um clima mais descontraído. Lá não tem garçom nem reservas. As mesas coletivas são ocupadas por ordem de chegada e os visitantes retiram os pedidos no balcão.
No mercado, Fred Trindade tem a chance de seguir com o seu propósito de democratizar a alta gastronomia. “Viajei o mundo inteiro, conheci muitos mercados, como o da Ribeira, em Lisboa, e desde o início queria fazer parte desse projeto”, diz o chef, que destaca a vantagem de manter uma operação mais prática e menos estressante que de restaurante. Ele só precisa cuidar da cozinha.


A parceria começou pelo Zé Trindade, que tem uma pegada de boteco. “Servimos uma comida que não é tão sofisticada, mas tem a mesma qualidade do Trindade”, define Fred, referindo-se ao seu restaurante no Lourdes, que fechou as portas no fim do ano passado (o imóvel foi vendido). A ideia do chef é assumir de vez a veia portuguesa, então ele ampliou as opções de arroz, como o Solar dos Leitões, que é cozido no caldo galopé e tem joelho de porco desfiado, ovo caipira frito e torresmo. Em breve, deve entrar no cardápio o bolinho de bacalhau recheado com requeijão de raspa.


Há dois meses, Fred assumiu também o Bouche et Bocca, a mais nova operação do mercado. “Pensamos em um bistrô que mistura influências italianas e francesas”, explica. Um dos pratos que tem mais chamado a atenção é o atum com espaguete de palmito pupunha ao molho cremoso de mel, limão e gengibre. O chef levou para o cardápio alguns clássicos do Trindade, como o magret l’orange (pato ao molho roti, de laranja e azeite de ervas) com batatas fritas rústicas e o surf and turf (lagosta com tornedor de filé-mignon na brasa), acompanhado de talharim ao molho alfredo.


Além de conquistar o público pela diversidade (são mais de 100 opções de pratos), o modelo de food hall desperta o interesse dos chefs por viabilizar projetos com um risco menor que o de um restaurante isolado. “Toda a gestão de serviços comuns, como limpeza, segurança e marketing, está centralizada conosco, então a operação tem que se preocupar basicamente em oferecer boa comida e bom atendimento”, aponta Renato.

PIZZA Chef do extinto Pecatore, o italiano Raffaele Autorino escolheu o Mercado da Boca para abrir a sua primeira pizzaria, Prima Napoletana. “Não troco por nenhuma estrela Michelin. É um jeito de me sentir em casa”, comenta o italiano, que desistiu de restaurantes e hoje comanda o negócio com a mulher, Regiane Novaes. Da pequena cozinha, sai a legítima pizza napolitana. “Falam que é a melhor pizza da região, eu tenho certeza”, diverte-se. A clássica marguerita é a mais vendida.


O chef agora se prepara para inaugurar um novo espaço no mercado, que vai se chamar Napul’e. Nele, o italino servirá panuozzo, sanduíche com pão de pizza e recheios napolitanos, como copa lombo, aliche, provola (muçarela de búfala defumada) e brócolis. Outra novidade será o preparo ao vivo do que ele chama de “falsa burrata”, já que o queijo tem recheio de ragu de almôndegas. Na loja ao lado, vai funcionar a cozinha de preparo de massas e conservas. “Quero crescer com os projetos juntos porque o meu desejo é abrir uma casa na cidade para servir pizza e sanduíches.”

 

 

Referência nacional

 

A inspiração para criar o Mercado da Boca vem de food halls espalhados pelo mundo. Os sócios visitaram mercados gastronômicos de várias cidades, incluindo Lisboa, Madrid, Amsterdã e Nova York, antes de importar a ideia, que chama a atenção de moradores locais e turistas. Desde a abertura, já passaram por lá mais de 150 mil visitantes.


Passado o primeiro ano, já dá para entender o que funciona. As mesas compartilhadas, que eram dúvida no início, já não preocupam mais. Sobre a comida, o sócio Renato Guerra observa que o cliente gosta de se envolver em experiências diferentes. “O cliente chega sem saber o que quer comer e, ao dar volta no mercado, acaba escolhendo o que é mais atraente aos olhos”, observa o sócio. Para ele, é isso que justifica o sucesso de pratos preparados ao vivo, como a paella de Rodrigo Zarife, a pizza da Prima Napoletana e o fettucine ao cacio e pepe do Experiência Rullus.


Para Túlio Pires, que há 38 anos comanda o Rullus Buffet, a operação no mercado surgiu como uma oportunidade de ampliar a sua atuação. “Buscamos sempre inovação e não poderíamos ficar de fora do primeiro mercado gastronômico de Minas.” Em pouco tempo, o atendimento ao varejo se mostrou bem-sucedido. Os visitantes não deixam de passar pelo Experiência Rullus para acompanhar o preparo do fettucine ao cacio e pepe, que é finalizado na hora dentro de um grana padano de 34 quilos.


A massa é transferida para a peça de queijo depois que já está cozida e misturada ao creme de parmesão. Os chefs incorporam raspas de grana padano ao molho, flambam e acrescentam a pimenta. O fettucine pode ser servido com fraldinha braseada, legumes ou camarões. “Já trabalhamos com cozinha ao vivo no bufê e acertamos em cheio ao fazer a massa na frente dos clientes. Esse prato é o líder de vendas”, comemora o empresário, que gasta quatro queijos por mês. Nessa mesma linha, tem a raclette, queijo que derrete aos poucos na mesa. As opções de acompanhamento são batatas, legumes e pães.


O plano agora é consolidar o Mercado da Boca como referência local e nacional de gastronomia. Não faltam convites para levar a ideia a outros estados, mas os sócios querem melhorar ainda mais o serviço dentro de casa. “Finalizamos o primeiro ano com o sentimento de dever cumprido, satisfeitos de trazer para a cidade um projeto inovador e ver a felicidade dos clientes”, destaca Renato.

 

 

Arroz Solar
dos Leitões

Ingredientes

1kg de arroz agulhinha pré-cozido; 1,5kg de copa lombo; 200g de paio; 10g de alho picado; 5g de cominho em pó; 200ml de caldo de galopé; 50g de manteiga; 1 ovo caipira; sal, pimenta-do-reino, alecrim, tomilho, coentro e páprica defumada a gosto

Modo de fazer

Um dia antes, tempere a copa lombo com sal, pimenta-do-reino, alecrim, tomilho e 1 dente de alho amassado. Coloque no forno com gordura de pato e deixe confitar a 120 graus por 10 horas. Enrole em filme e deixe resfriar. Depois de resfriado, corte em medalhões. Doure no forno. Para o arroz, pique o paio e o alho. Refogue o paio, o alho e as especiarias em uma panela funda com azeite e coloque o arroz pré-cozido. Coloque o caldo de galopé 2 dedos acima da altura do arroz e deixe cozinhar até ficar macio. Finalize com manteiga. Se precisar, acrescente mais caldo e manteiga para ficar cremoso como um risoto. Disponha o medalhão de copa lombo sobre o arroz já finalizado e o ovo caipira frito.


Publicidade