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Estado de Minas

Exposição de Pedro Moraleida será aberta neste sábado (23), em BH

Trabalhos pouco conhecidos do mineiro serão exibidos na Galeria Manoel Macedo. Em 2017, parlamentares e grupos religiosos tentaram censurar, sem sucesso, mostra do artista no Palácio das Artes


23/11/2019 06:00 - atualizado 23/11/2019 12:50

Em 2019, a precoce morte do artista plástico belo-horizontino Pedro Moraleida completou 20 anos. Porém, sua criatividade inquietante continua oferecendo novidades ao público. Neste sábado (23), a galeria Manoel Macedo abre a exposição A barbárie também tem poesia. O conjunto de trabalhos mantém o caráter questionador que fez dele um dos
Trabalhos de Pedro Moraleida ficarão expostos até 8 de fevereiro na Galeria Manoel Macedo, no Bairro Carlos Prates(foto: Instituto Pedro Moraleida Bernardes/Divulgação)
Trabalhos de Pedro Moraleida ficarão expostos até 8 de fevereiro na Galeria Manoel Macedo, no Bairro Carlos Prates (foto: Instituto Pedro Moraleida Bernardes/Divulgação)
destaques mineiros da cena contemporânea.

“Essa exposição poderia ser exibida em qualquer lugar do mundo. É uma coisa poética e verdadeira do artista que se propôs a fazer um trabalho muito especial, que é atemporal de tão bom”, diz o galerista Manoel Macedo, responsável pela curadoria em parceria com Marcos Hill. Macedo lamenta a ausência de Pedro, que tirou a própria vida aos 22 anos. “É uma pena ele não estar aqui, é um cara muito grande na arte. Por isso, não se trata de uma exposição de colecionador, mas de alma”, afirma.

O público verá as séries Angústia, com 12 desenhos, Cartoons, com 41, e Os deuses, com 16. Mostrados em 2002 e agora emoldurados, são trabalhos pouco conhecidos. A mostra inclui também as séries Deslocamento dos artistas, As madonas, Santíssima Trindade, Mulher e Formiga, o políptico Fluxos plenos de desejos; e o quadro Mulher e bicho estranho. Pinturas e desenhos não estarão à venda.

"Não se trata de uma exposição de colecionador, mas de alma"

Manoel Hagen, curador e galerista


  

Contramão


“Passado esse tempo, percebe-se que Pedro fez, ainda jovem, um trabalho na contramão da tendência das artes plásticas naquele momento, quando corria um pouco a ideia de que a pintura tinha morrido, com a arte contemporânea se resumindo a instalações e performances. Ele pintava e desenhava, ninguém podia dizer que não fosse contemporâneo, sobretudo no período em que vigorava a ideia de que a arte deveria ser neutra em relação a problemas humanos e sociais. Pedro fazia justamente o contrário, uma arte profundamente engajada, em sintonia com problemas humanos e sociais”, afirma Luiz Bernardes, pai do artista, que administra o acervo deixado pelo filho.

(foto: Instituto Pedro Moraleida Bernardes/Divulgação)
(foto: Instituto Pedro Moraleida Bernardes/Divulgação)
Ao comentar a preservação desse legado, Bernardes enfatiza que seu papel é “apenas de pai”. “Eu, minha mulher e meu outro filho tentamos preservar o acesso à obra dele. Decidimos se vamos emprestar ou não os trabalhos, mas na curadoria a gente não interfere. Queremos que Pedro seja reconhecido pela importância de sua obra, e não porque fizemos isso ou aquilo. Inclusive, não temos nenhum vínculo comercial com o acervo”, explica.

Nestes tempos de polarização ideológica, a obra de Moraleida foi alvo de ataques. Uma de suas últimas exposições, Faça você mesmo sua Capela Sistina, em 2017, no Palácio das Artes, motivou manifestações de grupos religiosos, estimulados por parlamentares a pedir o cancelamento da mostra, cujas imagens remetiam a sexo e símbolos cristãos. Houve várias manifestações contra a censura e artistas como Caetano Veloso vieram a público defender Moraleida.

“Pedro é um artista polêmico, as pessoas não ficam indiferentes a ele. Por isso ganhou importância no Brasil e no mundo”, observa Luiz Bernardes. Obras do artista ficaram em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, no Astrup Fearnley Museet, em Oslo, na Noruega, e no Museu de Arte Contemporânea de Lyon, na França.

“Arte é fundamental para o arejamento do pensamento humano. É um conhecimento humano que não pertence ao universo racional. Vem da intuição de perceber o que há de novo, o que está em decadência e explicitar o que está apodrecendo e o que está por vir. Por isso, muitas vezes artistas são incompreendidos ou vistos como ameaça. Porém, com o passar do tempo, essas questões se tornam pertinentes para as pessoas”, argumenta Luiz Bernardes. Um objetivos da nova exposição é mostrar a relação do trabalho de Pedro Moraleida com artistas que o influenciaram, como Van Gogh e Nietzsche.

O galerista Manoel Macedo defende a importância da exposição e da liberdade de exibir os trabalhos de Moraleida. “Hoje, há muita ignorância. Uma pessoa que destrói arte está destruindo a vida e o mundo. Muitas vezes, é gente que nem entende nada de arte. A arte é feita para o mundo, não para meia dúzia. Ninguém tem o direito de atacar obras. Se alguém atacá-las na minha galeria, pode ter certeza: o preço vai ser alto”, avisa.

A barbárie também tem poesia


Trabalhos de Pedro Moraleida. Abertura neste sábado (23), das 11h às 16h. Galeria Manoel Macedo Arte. Rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates. Informações: (31) 3411-1012. Classificação: 16 anos. Em cartaz até 8 de fevereiro.


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