George Israel, atrás do saxofone, olha para a câmera

George Israel, ex-Kid Abellha, diz que o pop rock nacional vive de antigos sucessos e precisa se renovar

Marcos Samerson/divulgação


George Israel, ex-saxofonista e guitarrista do Kid Abelha, se aventura em projetos solo desde 2007. Nesta sexta-feira (26/5), porém, ele relembra antigos hits do pop na festa temática dedicada aos anos 1980 realizada no Underground Pub, em BH.

A “Kid”, como é chamada carinhosamente por ele e pelos fãs, emplacou canções que até hoje fazem parte das histórias de amor dos apaixonados. Apesar do sucesso da banda, George não se considera uma pessoa nostálgica. Diz guardar ótimas lembranças daqueles tempos, mas prefere viver o agora e olhar para o futuro.
 
O saxofonista conta que ele, Léo Jaime e Nilo Romero acabaram de se encontrar para gravar cenas de um documentário sobre Cazuza (1958-1990), ícone do rock brasileiro. Para o ex-Kid Abelha, saudosismo só é bem-vindo em momentos de descontração com amigos, como Léo e Nilo.

“Durante um tempão, a gente estava só andando para a frente sem olhar para trás, fazendo e lançando um monte de coisas. Agora tem sido uma curtição lembrar aqueles momentos durante esses encontros”, conta.

Saudades de Cazuza

A amizade de George e Cazuza começou em1981, quando foram apresentados por Frejat, no começo do Barão Vermelho. Compuseram 17 canções, entre elas “Brasil” e “Burguesia”. Em 2010, aliás, o saxofonista lançou o álbum “13 parcerias com Cazuza” em homenagem ao amigo.

“Se tem uma coisa de que tenho saudades dos anos 80, é do Cazuza vivo, da pessoa dele”, diz George. “Talvez esta seja a minha única saudade, de resto acho que a gente viveu muito bem.”

No show de hoje, o músico vai fazer homenagem a Erasmo Carlos e Rita Lee, roqueiros que nos deixaram, além de cantar sucessos do Kid Abelha. Também mostrará ao público mineiro músicas de seus lançamentos mais recentes, “Batendo a tua porta” e “Reza forte”, que contaram com participação de Cathy Israel, filha dele.

“Meu repertório é extenso, então acabo sempre fazendo um rodízio. Mas, lógico, tem as músicas principais que contam a minha história e não podem sair. É o caso dos Mutantes. Gosto de dar uma passadinha por ali, pois eles fizeram a minha cabeça”, comenta.

Nos últimos anos, George Israel aposta em seu projeto de música eletrônica, o que o tem aproximado do público mais jovem. Entre os remixes, há novas versões de “Lágrimas e chuva”, “Exagerado” e “Sai do sereno”.

“Gosto de ir trilhando caminhos paralelos. Nesse contato com o pessoal mais novo, cheguei até a cantar no casamento de pessoas que se conheceram nas minhas festas”, diz.

Apesar da experiência positiva com remixes, George não tem planos de se afastar do pop rock que o tornou conhecido. Mas adverte que o gênero precisa se renovar.

“Sigo esperando o retorno do pop rock no Brasil. De certa forma, ele acabou se fixando no passado. O popular, até hoje, ainda são as músicas do passado”, observa.

“Houve novidades bem interessantes nos anos 1990/2000, como Raimundos, Charlie Brown Jr. e até mesmo o Planet Hemp, que trouxe nova linguagem. Mas depois disso, o estilo não teve muita continuidade”, afirma.

Agenda cheia

Com 63 anos de idade e 40 de carreira, George Israel tem a agenda cheia. Conta que faz três shows por final de semana, em média. Segundo ele, isso o revitaliza.

“Tem ali uma magia quase de cura. Às vezes você está todo troncho, meio caído, meio doente... Mas quando acabo um show, tô zerado, mais descansado do que entrei. É quase um vício.”

* Estagiária sob supervisão da  editora-assistente Ângela Faria

FESTA ANOS 80

• “Baile do George #40 anos”, com George Israel, e comemoração dos 17 anos da banda Chevette Hatch.
• Nesta sexta-feira (26/5), no Underground Pub (Avenida Itaú, 540, Dom Cabral). A casa abre às 19h.
• Ingresso: R$ 35 e R$ 40. Camarote: R$ 250. À venda no site Sympla.