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Estado de Minas LITERATURA

Bienal Internacional do Livro de SP retoma o fôlego 'roubado' pela pandemia

Até 10 de julho, são esperadas 500 mil pessoas no evento, que ficou fora da agenda cultural por quatro anos. Time de convidados reúne 300 autores


03/07/2022 04:00 - atualizado 03/07/2022 00:18

Casal usando bonéscom orelhinhas do Mickey mexem em livros em estande da Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Leitores foram até o Expo Center Norte conferir as ofertas de editoras no primeiro dia da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (foto: Bienal Internacional do Livro de SP/reprodução)

Depois da ausência de quatro anos do calendário cultural brasileiro – dois deles por conta da pandemia da COVID-19 –, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo está de volta. Desde ontem (2/7), o evento ocupa 65 mil metros quadrados no Expo Center Norte, na capital paulista, onde recebe 182 expositores e cerca de 500 selos editoriais. Até o próximo domingo (10/7), passarão por lá 300 autores nacionais e estrangeiros, entre eles os mineiros Ailton Krenak e Conceição Evaristo.

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), entidade que organiza a Bienal, descreve o evento como “a maior livraria de livros físicos da América Latina”. 

Cerca de três milhões de exemplares estão disponíveis para o público, o que, segundo ele, funciona como incentivo à leitura e vitrine para editoras e autores.

“O espaço onde a Bienal acontece está totalmente tomado. Nosso evento conseguiu envolver grande quantidade de editoras e autores, contando também com parcerias inéditas com órgãos públicos para engrossar a venda de livros”, ele explica. A expectativa é receber 500 mil visitantes.

Voucher de R$ 60 para gastar na Bienal

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, forneceu voucher no valor de R$ 60 para cerca de 80 mil pessoas, entre alunos, bibliotecários e professores da rede pública.

“Com esse dinheiro, é possível comprar dois ou três livros interessantes por livre escolha, em qualquer estande de qualquer expositor. É uma forma de incentivar a leitura e o consumo de livros”, afirma Tavares.

De acordo com ele, testemunhar a relação que jovens e crianças desenvolvem com a leitura é apaixonante. “Estou no mercado há muitos anos e sempre me desperta a atenção o prazer que as crianças têm ao entrar em contato com os livros. É a minha décima-quinta Bienal, nunca vi um pai recusar um livro para uma criança. E é o livro de papel, físico, que exerce essa atração tão grande.”

''É a minha 15ª Bienal, nunca vi um pai recusar um livro para uma criança. E é o livro de papel, físico, que exerce essa atração tão grande''

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro

 
A 26ª edição da Bienal Internacional do Livro começou a ser pensada antes da pandemia da COVID-19. Estava praticamente pronta quando foi atingida em cheio pela crise sanitária que abalou o mundo. Diante das incertezas que assombraram eventos culturais no início de 2020, a CBL decidiu adiá-la por dois anos.

“Naquela época, tínhamos a Bienal 80% organizada. A participação de autores estava encaminhada, as cartas de intenção para convidá-los haviam sido enviadas. Tomamos a decisão de não cancelar o evento, e sim adiá-lo, o que foi muito acertado. Nos deu tranquilidade maior para pensá-lo”,  afirma o presidente da CBL.

De acordo com Vitor Tavares, apesar de a pandemia não ter chegado ao fim, o momento atual é de maior tranquilidade, principalmente devido à vacinação.

“Quando decidimos adiar, muitos expositores deixaram o evento com medo do que aconteceria nos próximos meses. Quando voltamos a organizá-lo, tivemos uma surpresa enorme, porque muita gente quis voltar e expositores novos buscaram comprar espaços na programação.”

Laurentino Gomes sorri para a câmera
Laurentino Gomes lança o terceiro volume da série "Escravidão" na Bienal Internacional do Livro de São Paulo (foto: LG/divulgação)

Campanha estimula o gosto pela leitura

Com o tema “Todo mundo sai melhor do que entrou”, a Bienal faz campanha pela leitura como agente de transformação. Segundo Vitor Tavares, essa ideia se reflete diretamente no visitante.

“A Bienal deixa marca na memória das pessoas. É bastante comum que elas se lembrem da primeira vez que vieram. É especial encontrar os livros do momento, ver quais serão os próximos lançamentos e ter a oportunidade de se encontrar pessoalmente com o autor preferido. Isso tudo é muito rico, principalmente para os jovens e as crianças”, ele comenta.

Quem for ao Expo Center Norte poderá esbarrar com escritores que vêm se destacando no país, como Laurentino Gomes, Mario Sergio Cortella, Miriam Leitão, Itamar Vieira Jr., Mauricio de Sousa, Thalita Rebouças e Tom Zé. Dois mineiros integram esse time: Conceição Evaristo e Ailton Krenak.

Conceição Evaristo sorri, usando vestido estampado de verde e roxo e brincos brancos enormes
A mineira Conceição Evaristo, com suas escrevivências, está entre os destaques da Bienal do Livro de São Paulo (foto: Lis Pedreira/divulgação)


Entre os nomes internacionais, a Bienal recebe o português Valter Hugo Mãe, a moçambicana Paulina Chiziane, o norte-americano Nathan Harris e a espanhola Elena Armas, que ganhou destaque nas redes sociais com o romance “Uma farsa de amor na Espanha”.

Vitor Tavares afirma que o conjunto de convidados representa “o poder criativo do ser humano”.

“Para produzir um livro, você precisa ter o dom de retratar a realidade. Além disso, você precisa convencer o público leitor de que aquele universo criado é crível. A troca que acontece quando um leitor conhece o autor, ou quando o autor conhece o leitor, é muito rica para ambos os lados. Só um evento presencial pode proporcionar isso”, reforça o presidente da CBL.

O escritor Valter Hugo Mãe está em Inhotim, tendo ao fundo obras de arte em azulejo nas cores branco e azul
Homenagem a Portugal traz o escritor Valter Hugo Mãe à Bienal Internacional do Livro de São Paulo (foto: Hugo William/divulgação)

Bienal do Livro de SP homenageia Portugal

Portugal ganhou destaque na programação. Estande do país promove o lançamento de novos títulos, com a participação dos autores. No espaço gastronômico Cozinhando com Palavras, o projeto Portugal dos Sabores oferece palestras, demonstrações culinárias e degustações de pratos portugueses.

“Há muito tempo é desejo da CBL homenagear Portugal na Bienal do Livro. Na reabertura do Museu da Língua Portuguesa, em julho de 2021, nós reiteramos essa vontade. Acredito que seja bastante simbólica a presença do país, principalmente porque estamos no ano que marca o bicentenário da Independência do Brasil. É um dos pontos altos do evento”, afirma Tavares.

A comitiva do além-mar conta com os chefs Vitor Sobral e André Magalhães e 23 autores, o que inclui escritores portugueses, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e do Timor-Leste. Todos com obra publicada no Brasil nos últimos meses ou com lançamento nesta Bienal Internacional.

''Quando decidimos adiar, muitos expositores deixaram o evento com medo do que aconteceria nos próximos meses. Quando voltamos a organizá-lo, tivemos uma surpresa enorme, porque muita gente quis voltar e expositores novos buscaram comprar espaços''

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro


Plataforma de negócios em ação

Além da vasta agenda cultural, o evento promove ações na área econômica. De quinta-feira (29/6) a sábado (2/4), a 3ª Jornada Profissional ofereceu rodadas de negócios com editores estrangeiros e programação de palestras. O objetivo é divulgar o setor editorial brasileiro no mercado global.

O Papo de Mercado Metabooks se dedica à reflexão de temas de interesse dos profissionais da cadeia do livro. Entre eles, a internacionalização da literatura brasileira e as oportunidades para o setor editorial no metaverso. Há também programação especial para as livrarias.


A RETOMADA

>> 500 mil

visitantes esperados

>> 182

expositores

>> 500

selos editoriais

>> 300

autores brasileiros e estrangeiros


>> 1,3 mil

horas de programação cultural

>> 65 mil m2

área ocupada


26ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO

Até 10 de julho. Expo Center Norte, Rua José Bernardo Pinto, 330, Vila Guilherme, São Paulo. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h; sábado e domingo, das 10h às 22h. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Informações: www.bienaldolivrosp.com.br


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