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Estado de Minas EM TIRADENTES

Festival Artes Vertentes é front de resistência à crise do setor cultural

Água e destruição do meio ambiente são temas do evento presencial, que começa nesta quinta-feira (25/11) e terá nova etapa em fevereiro


24/11/2021 04:00 - atualizado 24/11/2021 07:41

Pintura de Eduardo Hargreaves, em preto e branco, mostra paisagem devastada pela mineração
Obras de Eduardo Hargreaves, em cartaz na exposição 'Brasil, Hy-Brasil', abordam a devastação do meio ambiente (foto: Eduardo Hargreaves/reprodução)
A água é novamente o mote do Festival Internacional Artes Vertentes, cuja décima edição começa nesta quinta-feira (25/11), na cidade histórica de Tiradentes. A programação reúne concertos, exposições, debates, oficinas e residências, abrangendo várias linguagens – cinema, artes visuais, literatura, artes cênicas e música.

“O festival nasceu com o propósito de promover reflexões, por meio da arte, sobre temas que julgamos importantes para a sociedade contemporânea. Água é elemento vital, intrínseco a tudo o que a gente faz. Todos nós somos água, nosso corpo é 70% constituído de água”, afirma Gustavo Carvalho, curador e diretor artístico do evento.

HISTÓRIA

De acordo com ele, o tema permite uma reflexão sobre a própria história do Brasil. “A mineração afeta diretamente a água. Falar disso no estado de Minas Gerais, que nasceu a partir da ação humana bastante degradante, nos parece muito importante, sobretudo, porque a própria cidade de Tiradentes floresceu a partir do extrativismo mineral. A água pode ser ferramenta muito potente para promover a transformação das relações humanas com o meio ambiente”, ressalta Carvalho.


''Este momento de reabertura cultural é também momento de resistência muito grande diante do cenário crítico com o qual a cultura vem sendo confrontada no Brasil. Isso só foi agravado na pandemia''

Gustavo Carvalho, curador


Diferentemente de 2020, a agenda será presencial, seguindo os protocolos sanitários, em duas etapas: de amanhã a 5 de dezembro e de 10 a 20 de fevereiro de 2022. A programação musical e o ciclo de debates serão disponibilizados gratuitamente pela internet.

“Este momento de reabertura cultural é também momento de resistência muito grande diante do cenário crítico com o qual a cultura vem sendo confrontada no Brasil. Isso só foi agravado na pandemia”, afirma o curador. “Hoje, qualquer festival representa a possibilidade de construção de um país.”

A abertura, na quinta à noite, será o concerto de piano a quatro mãos de Cristian Budu e Gustavo Carvalho. O repertório é dedicado a três compositores que nasceram em cidades à margem do Rio Danúbio: Mozart, Schubert e Brahms. As águas do Danúbio percorrem nove países europeus.

Em fevereiro, Budu volta a Tiradentes para concertos de câmera. A segunda parte da programação inclui 16 recitais com repertório clássico e quatro com a chamada “música do mundo”.

Nesta quinta-feira, será aberta a exposição “Brasil, Hy-Brasil”, do artista visual Eduardo Hargreaves, no Centro Cultural Yves Alves. Os trabalhos também remetem à água e ao meio ambiente.

“Ele propõe o trânsito entre as paisagens reais, que em Minas Gerais são completamente confrontadas com o universo da mineração, e aquelas que, mesmo desconstruídas pela ação agressiva do ser humano, continuam em nossa memória”, observa o curador.

A programação presencial marca o retorno das residências artísticas a Tiradentes, motivo de orgulho para Carvalho. “O festival é justamente o lugar do fomento da arte contemporânea. Existe um elemento de incógnita (nas residências), porque algo só vai acontecer ali a partir de uma vivência. O encontro do patrimônio imaterial com a bagagem cultural de cada artista é muito enriquecedora”, aponta Gustavo Carvalho.

RESIDÊNCIAS

Abordando fauna, flora e cursos fluviais, quatro residências serão realizadas nesta primeira etapa, conduzidas por Nelson Cruz (ilustrador), Marilda Castanha (ilustradora), Mari Mel (ceramista) e Rick Rodrigues (artista plástico).

O resultado dessas imersões poderá ser visto em fevereiro, período que coincide com o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A 10ª edição do festival é dedicada a Barbara Freitag, socióloga, e Sérgio Paulo Rouanet, diplomata e idealizador da lei federal de incentivo à cultura. O casal criou um centro cultural com sede no casarão da família em Tiradentes.

* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

10º FESTIVAL ARTES VERTENTES

Abertura nesta quinta-feira (25/11), às 19h30, com concerto dos pianistas Cristian Budu e Gustavo Carvalho, na Igreja São João Evangelista, em Tiradentes. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda no site artesvertentes.com. De hoje a 30 de dezembro, estará em cartaz a exposição “Brasil, Hy-Brasil”, de Eduardo Hargreaves, no Centro Cultural Yves Alves. Programação completa no site.


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