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Estado de Minas CULTURA

18 grafiteiros transformam muro de siderúrgica em arte, em Sabará

Muro da entrada da ArcelorMittal de 2 mil m², antes todo cinza, ganha cores pela criatividade de grafiteiros de várias partes do Brasil; 60% são mulheres


23/11/2021 14:30 - atualizado 23/11/2021 14:41

Muro grafitado
Projeto Fábrica de Graffiti deve consumir 1.300 latas de spray em Sabará (foto: Lucas Guerra/Utrópica)
As pessoas que passam apressadas pela Avenida Juscelino Kubitschek, próximo ao Centro Histórico de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), agora ganharão um novo motivo para desacelerar o passo: ver um imenso muro, que antes era todo cinza, cheio de obras de arte.

A entrada da siderúrgica da ArcelorMittal, com mais de 2 mil m² de muro, está ganhando desenhos de grafiteiros de várias regiões do Brasil. 

As obras estão em andamento e a previsão de conclusão é na próxima terça-feira (30/11). O projeto, chamado Fábrica de Graffitis, está atualmente na cidade mineira, mas já contemplou outros quatro outros. Em Sabará, o trabalho tem um detalhe especial: mais de 60% dos artistas são mulheres. Dos 18 grafiteiros participantes, 11 são do sexo feminino. 

“No meu trabalho eu faço só personagens que são mulheres. Para este mural específico, dei o nome de ‘As originárias’ e coloquei mulheres indígenas e negras. Eu escolhi fazê-las em preto e branco, eu procuro fazer a cor da pele ou branca ou amarela e não exatamente da cor real porque faz parte de um sentimento que tenho que não estou em um único lugar, não me sinto indígena ou negra totalmente, sou uma mistura de cada, um pouco de tudo”, explica Marieta, artista de Manaus (AM) selecionada por voto popular para participar do projeto. 

Segundo a assessoria de comunicação da empresa, essa é a primeira vez que o projeto ultrapassa os 50% de vagas reservadas a artistas mulheres, dando mais espaço para a arte feminina. O projeto em Sabará é patrocinado pela Fundação ArcelorMittal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. 

Tradicional e contemporâneo

A proposta é unir o tradicional e o contemporâneo – a estética de uma cidade histórica, com construções que remontam ao século 17, e a arte urbana, surgida nos anos 1970.

“A liberdade criativa é uma característica central da Fábrica de Graffiti. Não estabelecemos temas para os grafiteiros e trabalhamos exclusivamente com artes autorais. Essa também é uma forma de estimular o setor cultural e apoiar os artistas”, comenta a fundadora e produtora executiva da Fábrica de Graffiti, Paula Mesquita Lage. É previsto o uso de 1.300 latas de spray no projeto.

Esboço de grafite em prancheta
Fábrica de Graffitis reúne, em Sabará, 18 artistas de diferentes regiões do Brasil (foto: Lucas Guerra/Utrópica)
 
Mais do que democratizar a arte de rua, dando acesso ao olhar de todos os moradores das cidades por onde passa, o projeto pretende descentralizar o acesso ao escolher municípios em áreas distantes dos centros culturais urbanos, os quais recebem a maioria dos projetos culturais do país. 

Artista local

O grafiteiro Claudinei de Carvalho, mais conhecido como Ploc, é o artista local convidado. Nascido e criado em Sabará, começou a desenhar ainda criança. Foi vendo um clipe do Afrika Bambaataa, um dos precursores do hip hop, que ele conheceu o graffiti.

No vídeo, o rapper novaiorquino usava uma lata de spray para pintar.
 
“Comecei a praticar em casa e, em 1999, fiz meu primeiro trabalho como grafiteiro, vencendo um concurso de um jornal local com o tema Brasil 500 anos”, conta.

Neste projeto, Ploc vai trazer uma estética barroca que remete à história da cidade. “Quero pintar as memórias de Sabará, coisas que os antigos moradores comentam e não existem mais. E também motivos semeadores de sonhos e as questões sociais envolvidas nisso”, explica. 

De Norte a Sul 

Os dois artistas selecionados pela convocatória (voto popular) da Fábrica de Graffiti em Sabará vêm de lugares opostos do Brasil. Marieta é de Recife (PE), mas foi em Manaus (AM), onde vive desde 2010, que se tornou grafiteira e pintou os maiores murais de sua carreira, com artes de até 28 x 2,6 m de comprimento.

Guime é de Joinville (SC) e começou a grafitar muito jovem, com 14 anos. Hoje, aos 22, tem em seu portfólio a pintura das empenas do edifício da Secretaria de Saúde da sua cidade, trabalhando também com ilustrações digitais e modelagem 3D. 

Quem são os 18 grafiteiros do muro em Sabará

Ploc (Claudinei de Carvalho), Marieta (Nádja Kristhina Lima Amaral), Guime (Guilherme Luan Pereira), Mona (Amanda Soares Vilaça), GAL (Giselle Marie Silva Ramos), Tita (Tânia Marina do Nascimento Gomes), Tina Soul (Ana Cristina Assunção Leite), Siang (Estela Amaral de Almeida), Tefa (Stephanie Lorraine Ribeiro Ferreira de Paula), Flô (Lanna de Souza Batista), Fear (Vagner Luiz caldeira da Silva), Leds (Ledinir Marques do Nascimento), Ash (Marcos Rodrigues de Freitas), Clara Valente (Maria Clara Barbosa Valente), Comum (André Novais Machado), Mari Flô (Maria Flor Canuto), Thiago Alvim e Larissa Duque. 


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