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Estado de Minas MÚSICA

Melancólica, Lana Del Rey reage a críticas com o disco 'Blue blanisters'

Cantora lança o segundo álbum em 2021, respondendo a ironias endereçadas a 'Chemtrails'. Os dois projetos dialogam em 15 faixas, algumas delas dispensáveis


26/10/2021 04:00 - atualizado 26/10/2021 23:12

A cantora Lana Del Rey posa com um jardim ao fundo
Lana Del Rey gravou durante a pandemia o álbum lançado na última sexta-feira (foto: Universal/divulgação)

Dois dias depois de lançar o álbum “Chemtrails over the country club”, em março passado, Lana Del Rey pegou os fãs de surpresa ao anunciar, nas redes sociais, que o disco seguinte já estava pronto, se chamaria “Rock candy sweet” e chegaria em junho. Os meses se passaram e o trabalho não saiu. Adiado, ganhou um novo título, “Blue banisters”, e finalmente chegou às plataformas digitais na última sexta-feira (22/10).

O anúncio parece ter sido um ato impulsivo da artista na tentativa de responder às críticas negativas a seu trabalho recém-lançado. No Instagram, Lana publicou a foto de um artigo da revista Harper's Bazaar que criticava “Chemtrails”.

“Gostaria de agradecer por textos gentis como este por me lembrarem de que minha carreira foi construída em cima de apropriação cultural e glamourização de abuso doméstico. Vou continuar a desafiar esses pensamentos no meu próximo álbum, chamado 'Rock candy sweet'”, ela escreveu.

Esse parece ter sido o gancho para que Lana transformasse em música as insatisfações que vem acumulando desde que despontou como musa indie incompreendida. Com 15 faixas, o novo trabalho é recheado de baladas melancólicas de voz e piano que mostram a artista descrente não só da própria vida, mas do mundo.

Desde a primeira música, “Text book”, lançada como single em maio, Lana estabelece um clima de desolação no qual citar o movimento Black Lives Matter faz todo sentido. Na faixa-título, ela expõe suas habilidades como contadora de histórias e reprisa os vocais agudos de “Chemtrails”.

“Arcadia”, lançada como single e clipe no início de setembro, apresenta a Lana Del Rey já conhecida por aqueles que acompanham seu trabalho. Com pegada elegante e marcada por atmosfera fúnebre, ela canta frases como “meu corpo é um mapa de Los Angeles” e “eles me construíram com 300 pés de altura só para me derrubar”.



“Black bathing suit” indica que o disco foi escrito durante a pandemia, momento em que ela precisou cancelar boa parte da turnê “Norman fucking rockwell!”, inclusive no Brasil. A letra cita dias em casa e chamadas via Zoom.

“Dealer” é compartilhada com a Last Shadow Puppets, banda de Alex Turner (Arctic Monkeys) e Miles Kane (The Rascals). A faixa quebra o ritmo após a sucessão de três baladas bastante monótonas – “If you lie down with me”, “Beautiful” e “Violets for roses”.

“Blue banisters” tem canções em diálogo direto com a sonoridade e a estética folk setentista que inspirou Lana em “Chemtrails over the country club”. “Nectar of the gods” e “Living legend”, compostas com o ex-namorado Barrie-James O'Neill, não escondem que faixas de ambos foram criadas quase simultaneamente.

EM FAMÍLIA

Disco longo para os padrões atuais da indústria, o álbum traz as dispensáveis “Thunder”, “Wildflower wildfire” e “Cherry blossom”. Mas isso passa despercebido por conta da última faixa, a surpreendente “Sweet Carolina”, parceria de Lana com o pai, o empresário Rob Grant, e a irmã da cantora, Chuck Grant.
     
 Com “Blue banisters”, Lana chega ao oitavo álbum disposta a descumprir algumas das regras da indústria em nome da própria arte. Além de lançar dois discos no mesmo ano, ela desativou todas as suas redes sociais e agora deixa que as músicas falem por si.
A cantora Lana Del Rey de vestido amarelo e pernas cruzadas na capa do disco 'Blue banisters'
(foto: Universal/reprodução)

“BLUE BANISTERS”

• De Lana Del Rey
• 15 faixas
• Universal Music
• Disponível nas plataformas digitais


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