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Estado de Minas LITERATURA

Feira de Tiradentes tem 50 convidados e lançamento de livro de Carpinejar

Evento na cidade história mineira começa nesta quinta-feira (14/10) e homenageia a escritora mineira Paula Pimenta e o ilustrador brasiliense Roger Mello


13/10/2021 04:00 - atualizado 13/10/2021 08:21

Boneco sentado 'lê' em banco de praça em Tiradentes
Boneco "lê" em banco de praça em Tiradentes, durante a primeira edição da FLITI, realizada no ano passado (foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)

Com uma programação que inclui lançamentos de livros, debates, espetáculos musicais e oficinas, tem início nesta quinta-feira (14/10) a segunda edição da Feira Literária de Tiradentes (FLITI), que, até o próximo domingo (17/10), vai ocupar diferentes espaços da cidade histórica mineira. 
Com um foco grande na produção infrantojuvenil e uma atenção especial para a ilustração, o evento deste ano tem como homenageados a escritora mineira Paula Pimenta e o escritor e ilustrador brasiliense Roger Mello. Ele foi o vencedor do prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da ilustração, em 2014.

Além dos homenageados, cerca de outros 50 convidados estarão presentes na 2ª FLITI, entre eles Olavo Romano, João Pedro Portinari Leão, Júlia Medeiros, Mariana Massarani e Fabrício Capinejar, que lança, dentro da programação, seu novo livro, “Depois é nunca”. 

No primeiro dia da Feira, logo após a cerimônia de abertura e das boas-vindas que a escritora Thalita Rebouças dará, em participação on-line, ao público, Roger Mello participa de um bate-papo, com medição de Volnei Canônica, a partir do tema “O pensamento e o traço: a arte narrativa no mundo”.

Já Paula Pimenta encontra o público no sábado, para falar sobre o tema “Dos livros para as telas”, em que conta sua experiência com as adaptações cinematográficas de “Cinderela pop”, em 2018, e, agora, de “Fazendo meu filme”, que acaba de ser rodado e tem previsão de estreia para o primeiro semestre do próximo ano.

Idealizadora da FLITI, Cristina Figueiredo destaca que essa segunda edição chega maior e mais diversificada que a primeira, mas sem perder o caráter intimista que ela considera que deva ser uma marca registrada do evento. “Fui diretora da Biblioteca Nacional, conheço muita gente do meio, então acaba que um autor indica o outro”, diz, sobre o que orienta a montagem da programação. 

REUNIÃO

 “É uma feira pequena, intimista, então funciona meio como uma grande reunião de amigos. Ela está aumentando, mas em perder sua essência, que é ser um grande bate-papo sobre literatura”, diz, acrescentando que, além dos convidados, a FLITI conta, este ano, com a presença de 16 editoras que estarão vendendo seus títulos a preços promocionais.

Realizada de forma presencial em agosto do ano passado, num momento em que os índices de transmissão da COVID-19 permitiam, a primeira edição da feira recebeu cerca de 3.600 pessoas, seguindo todos os protocolos do Programa Minas Consciente. Cristina aponta que esse ano não será diferente.

“O protocolo vai ser exatamente igual ao do ano passado, com máscaras distribuídas gratuitamente, aferição de temperatura e contagem do número de pessoas nos espaços de realização da Feira”, aponta.

ARENA

 Novamente ocupando o gramado do Santíssimo Resort, a 2ª FLITI dobrou de tamanho, segundo sua idealizadora, ocupando também o Largo das Mercês e o Museu da Liturgia, no centro histórico.  O gramado do Santíssimo Resort abriga a estrutura central da Feira. No local serão instalados os 16 stands de editoras e uma tenda denominada Arena Literária, onde serão realizadas as programações de lançamentos, encontros com os autores, oficinas, ciclos de palestras e apresentações culturais.

No Largo das Mercês, o Ônibus-Biblioteca FLITI ficará estacionado durante os quatro dias do evento, como aconteceu no ano passado. A diferença, de acordo com Cristina, é que, nestes dias que antecedem o início da Feira, a biblioteca sobre rodas está visitando diversas escolas municipais de Tiradentes com um acervo de 2 mil livros. 

Assim, através dessas visitas, o veículo funciona como um espaço de leitura e empréstimos gratuitos de livros para os alunos da rede pública de ensino e para os moradores da região. “No ano passado não foi possível fazer esse circuito porque as escolas estavam fechadas em função da pandemia”, diz.?   

O jardim do Museu da Liturgia, por sua vez, receberá a Roda Ilustrada, um movimento que valoriza a ilustração e o projeto gráfico como elementos dialógicos junto à narrativa verbal. A roda em espiral do jardim inspira este movimento. Nessa seara da arte gráfica, Cristina destaca o que considera um dos pontos altos da programação: a mesa dos ilustradores, que, sob o tema "Os labirintos da imagem", vai reunir Roger Mello, André Neves, Guto Lins, Mariana Massarani e Rui de Oliveira.

Público circula pela primeira edição da FLITI
Primeira edição da FLITI foi realizada no modo presencial, de acordo com os protocolos sanitários, que serão novamente observados neste ano (foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)

Homenageados otimistas

“A (idealizadora da FLITI) Cristina (Figueiredo) resolveu dar uma ênfase. Essa edição da Feira dá a importância devida à imagem narrativa e ao design também. Desde o códice maia ou os papiros egípcios, o livro é um objeto narrativo central da palavra e da imagem. Este ano a FLITI conta com a presença de várias ilustradoras e ilustradores, num contexto em que a produção narrativa visual do Brasil está em destaque, então ser um dos homenageados é muito importante, uma honra”, diz Roger Mello, que não só é o único brasileiro a ter recebido o prêmio Hans Christian Andersen, como foi o primeiro ilustrador da América Latina a merecer tal láurea.

Com dois livros sendo relançados dentro da programação da 2ª FLITI, “Clarice” e “Enreduana”, ele adianta o que pretende abordar no bate-papo de que participa, amanhã, destacando o livro como um objeto nômade que, desde sua gênese, é a casa da palavra e da imagem. 

“A partir desse tema, ‘O pensamento e o traço: a arte narrativa no mundo’, vou falar de dois momentos: o livro ancestral, em que as pessoas precisavam ir até os originais, e o livro feito em série, a partir de um chinês chamado Bi Sheng (990-1051), que antecipa 400 anos o advento do tipo móvel de Gutenberg. Na verdade, o criador do tipo móvel é esse chinês. Vamos falar um pouco desse histórico, mas o tempo todo dialogando com a produção contemporânea, no Brasil e no mundo”, aponta.

Sobre o atual cenário da ilustração no Brasil, ele acredita que se mostra sólido, amplo e diversificado. Mello considera que o próprio prêmio Hans Christian Andersen que recebeu foi, na verdade, um prêmio para o Brasil e para a América Latina. 

“A produção narrativa visual no Brasil é bastante forte, vem de muitas referências importantes, Poti, Ziraldo, Santa Rosa, Carybé, passando pela geração seguinte, com Angela Lago e Ricardo Azevedo, e chegando a esses nomes que estão representados na Roda Ilustrada, Odilon de Moraes, André Neves, Mariana Massarani e outros.”

EXPANSÃO 

A outra homenageada do evento, Paula Pimenta também enxerga um cenário em expansão quando o assunto é a literatura infrantojuvenil produzida no Brasil atualmente. Ela considera que houve uma época, quando começou a escrever, no início dos anos 2000, em que as pessoas tinham preconceito com autores nacionais. 

“Era aquele famoso não li e não gostei”, diz. Paula alude ao comportamento do público e também ao das editoras, que tinham certa resistência e se pautavam pela ideia de que é mais fácil pegar um livro que já é sucesso internacional e traduzir do que apostar num autor brasileiro desconhecido.

“Mas começaram a perceber que é muito mais legal você ler uma história que se passa no seu país, que te traz elementos familiares. Eu retrato nos meus livros o cotidiano dos jovens atuais, por isso há identificação. As pessoas estão descobrindo que você ler algo que te é familiar é mais gostoso. Percebo que as editoras estão mais abertas e os leitores também. O preconceito ainda existe, mas melhorou muito em relação há dez anos, por exemplo”, destaca.

Sobre o bate-papo de que participa no sábado, “Dos livros para as telas”, ela diz que vai falar de sua própria experiência, sua trajetória, como se tornou uma escritora conhecida e como seus livros começaram a ser adaptados para o cinema. 

“Comecei a escrever sem imaginar que aquilo que eu escrevia pudesse vir a ser publicado, quanto mais virar filme. As pessoas acham que isso acontece por mágica, fazer o livro virar filme. Vou contar um pouco como cheguei até aqui e das dificuldades de se fazer essa adaptação. Gosto da fidelidade, tive um cuidado muito grande durante as filmagens, tanto do ‘Cinderela pop’ quanto do ‘Fazendo meu filme’, para que o resultado ficasse o mais fiel possível”, aponta.

A escritora Paula Pimenta na Fliaraxá
A escritora Paula Pimenta será homenageada pela Feira Literária de Tiradentes, assim como o ilustrador brasiliense Roger Mello  (foto: Daniel Bianchini/Divulgação)

Outros destaques

Além das presenças de Roger Mello e de Paula Pimenta, Cristina Figueiredo salienta que a programação reserva muitos pontos altos, como o lançamento do novo livro de Carpinejar, a aula-espetáculo “O livro dos acalantos”, que será apresentada no domingo pelo escritor, cantor e contador de histórias José Mauro Brant, a homenagem ao centenário de Maria Clara Machado, com a presença de seu sobrinho, Chico Aníbal, num bate-papo sobre a coleção “Que bicho será?”, de Ângelo Machado, que também é seu tio, e o bate-papo com João Pedro Portinari Leão, sobrinho de Cândido Portinari, que vai falar do ataque de tubarão que sofreu e que inspirou seu livro “A isca”.

“Outra coisa é que em todos os dias de programação teremos grupos e artistas de Tiradentes se apresentando, como a Cia. dos Inventos, o Coral Entre e Vista e, no encerramento, domingo, a banda Ramalho, que celebra 161 anos de tradição na cidade histórica.”

O último dia do evento, que será mais especificamente dedicado ao público infrantojuvenil, vai contar com lançamentos de livros de autores mirins, como Maria Fernanda Gonçalves, que apresenta “Bruce: o cão da minha dindinha”, e Guy Costaneto, com “Em alto mar”. “E, claro, há um destaque todo especial para os lançamentos dos ilustradores, o Guto Lins, o Rui de Oliveira, o André Neves e o Volnei Canônica, entre outros”, aponta Cristina.


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