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Estado de Minas

Mostra Benjamin de Oliveira começa nesta segunda e dá voz a artistas negros

Programação de evento idealizado por Maurício Tizumba inclui espetáculos como "Sonhos de gaveta" e conta com oficinas e palestras


21/06/2021 04:00 - atualizado 21/06/2021 07:02

Bailarino Wesley Ribeiro protagoniza
Bailarino Wesley Ribeiro protagoniza "Sonhos de gaveta": "Estamos conseguindo colocar nossa boca do lado de fora e gritar mais alto" (foto: Adriana Costa/DIVULGAÇÃO)
A Mostra Benjamin de Oliveira chega à sexta edição reafirmando o compromisso com a valorização da cultura negra. A programação on-line gratuita, que começa nesta segunda-feira (21/06) e se estende até domingo (27/6), oferece espetáculos, palestras e oficinas de dança, teatro, música e contação de história. A transmissão acontece ao vivo no Teatro Feluma e pode ser vista pelo YouTube da Cia. Burlantins.

Criado em 2013, o evento foi idealizado pelo artista Maurício Tizumba em homenagem ao primeiro palhaço negro do Brasil, o mineiro Benjamin de Oliveira (1870-1954). A proposta era valorizar a cultura artística afro-brasileira, garantindo o protagonismo dos artistas negros no palco. Viabilizada pela Lei Aldir Blanc, a sexta edição reafirma este compromisso oferecendo diferentes atividades formativas e atrações artísticas de BH, com curadoria da atriz Júlia Tizumba.

“São mais pessoas negras se juntando para continuar deixando nossa fala bem alta e mostrar a arte, o poder, que a gente ainda consegue movimentar nesse momento tão crítico. É uma oportunidade incrível porque vai ter vários intérpretes falando, de formas muito diferentes e pontuais, sobre o que os negros ainda precisam”, descreve o bailarino Wesley Ribeiro, de 42 anos, professor do projeto social Anjos D’rua.

Wesley abre a programação de espetáculos nesta quinta-feira (24/06) com “Sonhos de gaveta”. É a primeira vez que o artista mineiro tem a oportunidade de apresentar um trabalho autoral durante a pandemia de COVID-19. Apesar das dificuldades enfrentadas, ele destaca a união dos artistas negros neste período de crise do setor cultural.

“Nós estamos conseguindo colocar nossa boca do lado de fora e gritar mais alto. Somos um povo empoderado, que consegue trazer um diálogo para apresentar nossa cultura, vivências e histórias. Isso tudo que aconteceu durante a pandemia fortaleceu muito nossa cultura e só trouxe mais força para a gente correr atrás dos nossos desejos de espetáculos, para criar coisas que ficaram engavetadas”, diz o bailarino.

O espetáculo “Sonhos de gaveta” é fruto deste contexto em que Wesley decidiu retomar ideias e desejos artísticos ocultos no passado. A atração, de 25 minutos, expressa os sonhos, sentimentos e anseios libertados neste período de isolamento social. “Esse espetáculo me faz olhar para dentro de mim e colocar algo a mais para fora”, afirma.
Espetáculo
Espetáculo "E se todas chamasse Carmem", da Breve Cia, tem elenco predominantemente negro (foto: Pablo Bernardo/divulgação)

Os passos e movimentos fazem um trajeto subjetivo pela vida de Wesley. O hip-hop é o fio condutor da dança, devido ao vínculo com a carreira do artista há 27 anos. Os movimentos expressam a libertação dos sonhos engavetados, conduzindo o bailarino por caminhos ainda não percorridos. “O hip-hop é por onde eu começo a contar minha história dentro do ‘Sonho de gaveta’, e ele vai me levar até as outras vertentes: o contemporâneo, a dança de salão e aos lugares onde eu quero chegar”, revela.

Três peças teatrais com elencos predominantemente negro completam a programação de espetáculos: "E se todas se chamassem Carmem?", da Breve Cia, "Meu canto de graça", da Cóccix Companhia Teatral, e "Abena", da Cia. Bando (teatro infantil). As atrações apresentam diferentes temáticas dentro do contexto brasileiro, como a disputa amorosa, a morte e a moradia. A dramaturgia também é tema da palestra “Teatralidades negras e as várias possibilidades de pensar-ser-estar em cena”, da atriz Soraya Martins, que acontece na sexta-feira (25/06), às 17h30.

A Mostra Benjamin de Oliveira começa nesta segunda-feira (21/06) com a oficina de escrevivência musical "Encantoar", de Michele Bernardino, que apresenta um panorama da música negra em diáspora nas Américas. O tema também será abordado no contexto teatral, na oficina “Dramaturgia como arte da escrevivência”, da atriz e diretora Amora Tito, da Breve Cia, de BH. As inscrições para palestras e oficinas devem ser feitas pelo Sympla. Os vídeos continuam disponíveis no YouTube após a exibição.

6ª Mostra Benjamin de Oliveira
A partir desta segunda (23/06) até domingo (27/06). Programação gratuita. Transmissão on-line dos espetáculos direto do Teatro Feluma pelo YouTube da Cia Burlantins (youtube.com/ciaburlantins). Inscrições gratuitas para palestras e oficinas pelo Sympla.

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro

PROGRAMAÇÃO

ESPETÁCULOS

>> Quinta-feira (24/06), às 20h
"Sonhos de Gaveta", com Wesley Ribeiro (dança)
>> Sexta-feira (25/06), às 20h
"E se todas se chamassem Carmem?". Breve Cia. (teatro)
>>Sábado (26/06), às 20h
"Meu canto de graça". Cóccix Companhia Teatral (teatro)
>>Domingo (27/06), às 17h
"Abena", da Cia. Bando (teatro infantil)

ATIVIDADES FORMATIVAS

>> Hoje (21/06) e amanhã (22/06), às 17h
Oficina Encantoar – Michele Bernardino
>> Quarta-feira (23/06) e quinta (24/06), às 17h
Oficina de Contação de histórias – Fabiana Brasil (Cia. Bando)
>> Sexta-feira (25/06), às 17h30
Palestra “Teatralidades negras e as várias possibilidades de pensar-ser-estar em cena” – Soraya Martins
>> Sábado (26/06) e domingo (27/07), às 14h
Oficina Dramaturgia como arte da escrevivência – Amora Tito (Breve Cia)


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