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Estado de Minas LITERATURA

Sonia Sant'Anna lança 17 contos e novela autobiográfica no livro 'Rondó'

Aos 83 anos, a irmã do aclamado contista Sérgio Sant'Anna diz que o caçula a influenciou. Autora de romances históricos, ela passou 10 anos sem publicar


12/06/2021 04:00 - atualizado 12/06/2021 09:45

Sonia Sant'Anna revela histórias de família em 'Rondó'(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Sonia Sant'Anna revela histórias de família em 'Rondó' (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


Nascida em família de escritores e irmã mais velha de Sérgio Sant'Anna (1941-2020), considerado mestre do conto, Sonia Sant'Anna construiu uma carreira literária baseada em romances históricos. Seu novo livro, “Rondó” (Editora Penalux), lançado após um hiato de 10 anos, reúne 17 contos e uma novela autobiográfica, representando o retorno da autora ao gênero em que começou a exercer o ofício.

Nesta entrevista, Sonia explica que parou de lançar livros devido ao encolhimento do mercado editorial, mas não deixou de escrever durante a última década – tem guardados dois inéditos, a serem publicados.

Aos 83 anos, ela decidiu contar a sua versão de uma história de família, com a qual teve contato aos 13. Em maio do ano passado, Sonia perdeu Sérgio, que morreu aos 78 anos, de COVID-19. Apesar de mais velha que ele, a modéstia a faz pensar que não influenciou o irmão, mas espera, sim, ter sido influenciada por ele.

“Rondó” interrompe um hiato de 10 anos sem lançamentos inéditos. O que a levou a parar de lançar livros? O que a senhora fez nesta última década? 
O governo, cliente certo para livros didáticos e de literatura para distribuir nas escolas, passou a comprar menos. Por outro lado, algumas cadeias de livrarias deixaram de pagar as editoras. O mercado editorial encolheu. A Zahar, pela qual publiquei meus livros mais bem-sucedidos, foi absorvida pela Companhia das Letras, e nossos contratos descontinuados. Mas não passei esses 10 anos sem escrever. Além do trabalho como tradutora, tenho dois inéditos, sendo que um deles com contrato assinado para publicação há cinco anos. Foi quando as pequenas editoras, também chamadas independentes, começaram a  ocupar mais e mais espaço. E com uma delas, a Penalux, venho publicar “Rondó”.

“Rondó” é composto por 17 contos e uma novela autobiográfica. Quando ocorreu a produção desses textos? A edição e o lançamento do livro foram influenciados, de alguma maneira, pelos dias em casa por conta da pandemia?
A pandemia dura pouco mais de um ano, e os 17 contos foram escritos em épocas diferentes. A novela autobiográfica foi difícil de escrever – interrompi e recomecei inúmeras vezes. Durante a pandemia, apenas a revisão, e as conversas com editores, até chegar a um acordo com um deles.

Em relação aos contos, qual é a particularidade desse tipo de narrativa que mais a atrai? “Rondó” traz a história real de sua própria família. Por que decidiu escrever sobre ela?
Costumo dizer que uma determinada história me aparece pedindo para ser escrita. Será que é isso que se costuma chamar de inspiração? Sou uma contadora de histórias, e disso se compõem meus romances históricos, contos e a novela autobiográfica. Esta eu sempre desejei escrever, mas custei a criar coragem para publicá-la. De vez em quando me arrependo de tê-lo feito, mas não tem mais volta.

Sua carreira é marcada por romances históricos. No entanto, “Rondó” é um livro de contos. Por que a decisão de aderir a esse formato?
Minhas primeiras produções foram no gênero conto, que não chegaram a ser publicados. Mas eu havia feito, por encomenda do irmão Ivan, uma pesquisa sobre a história de Goiás. Com parte do que ele não utilizou, escrevi um romance histórico para entrar em um concurso. Fui premiada, e o livro, “Memórias de um bandeirante”, publicado pela Editora Global. Mas a história não se desenrola em compartimentos estanques, um fato histórico se liga a outro, daí surgiram outros romances. Dois deles têm por personagens antepassados meus, inclusive a quinta-avó Iria, irmã de Bárbara Heliodora. Como vê, a história familiar já vinha me rendendo livros há bom tempo.

Seu irmão Sérgio Sant'Anna faleceu em maio do ano passado. Ele era reconhecido como um grande escritor que construiu legado irrefutável na literatura brasileira. A senhora se considera influenciada pelo trabalho dele? Acredita que o influenciou de alguma forma?
Seria pretensioso da minha parte imaginar que influenciei o Sérgio de alguma forma. Apenas, sendo ele o caçula, indiquei algumas leituras para o Sérgio ainda adolescente. Se fui influenciada por ele? Espero que sim.

A senhora desenvolveu trabalhos durante a pandemia?
Traduzi alguns livros infantis para a Editora Moderna e trabalhei em um projeto que me é muito caro. Escrever histórias para crianças, em coautoria com a neta mais velha, Irene Pinheiro, de 33 anos, que costuma escrever desde pequena.

O Brasil atravessa um momento de tensão política que afeta, principalmente, os setores da cultura. Na opinião da senhora, o que significa produzir neste atual cenário brasileiro?
Os produtores de cultura agem sob a influência do tempo em que vivem. A literatura, inclusive a de ficção e as recentes produções do cinema brasileiro, é prova disso. E o humor costuma florescer nessas épocas – como se viu durante a última ditadura militar e vemos agora.

(foto: Penalux/reprodução)
(foto: Penalux/reprodução)
“RONDÓ” 
.De Sonia Sant'Anna
.Editora Penalux
.138 páginas
.R$ 40



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