
Eternizado como o icônico Capitão Kirk de “Jornada nas estrelas” (1966-1969), o ator William Shatner leva a ficção científica para o mundo real na segunda temporada de “Inexplicável”, que estreia neste sábado (22/5), às 21h20, no History Channel. Com ajuda de especialistas, o astro de Hollywood apresenta análises dos eventos e lendas que intrigam a humanidade há séculos, como os mistérios que envolvem o continente de Atlântida, as múmias do Egito e as pragas.
“O universo conforme o conhecemos até agora confirma que não sabemos tudo, essa é a parte ficção científica. Somos incapazes de imaginar uma coisa que não seja real. Não temos fundamento para pensar aquilo que não existe, então, tudo que está posto como ficção científica pode existir. E, mesmo assim, é inexplicável”, disse Shatner, em coletiva de imprensa realizada de forma virtual no Zoom, na última terça-feira (18/5).
Sócrates
Aos 90 anos, o ator norte-americano – vencedor do Emmy e Globo de Ouro pela série “Justiça sem limites” – exibe intensa vitalidade e grande fascínio pelos mistérios do planeta Terra. Por outro lado, ele está menos confiante no futuro do que o destemido capitão Kirk, que navegou por diferentes galáxias em “Jornada nas estrelas”. O famoso princípio de Sócrates (“Só sei que nada sei”) tornou-se o lema de vida de Shatner. Na entrevista, ele repetiu a palavra “inexplicável” para descrever as tramas da segunda temporada pelo menos 20 vezes. Ele se diz comovido pelo mistério da vida e conta que poder discutir alguns desses enigmas foi o que o atraiu no projeto.
“Aprendi que achava que sabia alguma coisa. Sou um homem velho, leio muito, converso com pessoas e aprendo muito. Mas percebi que, na verdade, não sei nada. Nós achamos que estamos aprendendo, mas não sabemos nada. Essa é a verdade, que abrange toda a nossa vida, da infância à velhice. Às vezes, acho que isso é desapontador, mas, ao mesmo tempo, cria uma esperança e a vontade para descobrir alguma coisa a mais. É disso que se trata.”
No episódio de estreia, a série aborda o mistério de Atlântida, remontando a Platão. O filósofo grego acreditava que o continente perdido foi o lar de uma civilização avançada, destruída por uma catástrofe que alagou a cidade. Desde então, arqueólogos tentam provar sua existência. A série questiona se as novas tecnologias podem ajudar a decifrar a sua localização ou se este mistério permanecerá sem solução
“A cidade de Atlântida não foi descoberta, mas a própria ideia de que ela existiu é alucinante. Você tem que assistir ao programa para entender que existem muitas e muitas circunstâncias em que os seres humanos construíram coisas (no passado) e nós não sabemos como eles fizeram isso, ou por que eles construíram isso”, comenta Shatner.
Sociedades latinas que foram extintas são uma das questões que intrigam o ator. “Algumas das grandes civilizações da América do Sul, da América Central nós sabemos o que aconteceu (em sua extinção). Mas há outras muito mais antigas que ainda são um mistério. Nós não temos ideia de como eles deixaram essas grandes pedras lá sem a engenharia. Ouvimos alguns engenheiros dizendo: nós não podemos colocar essas rochas hoje do jeito que eles colocaram”, diz.
No episódio “Múmias misteriosas”, a série analisa a cultura egípcia de preservar defuntos na busca da pós-vida, uma crença religiosa. William teve a oportunidade de visitar as pirâmides do Egito e observar as múmias de perto.
“Essa mumificação foi pensada para preservar a vida daquela pessoa para ela ir ao pós-vida. Então, talvez esse corpo não deveria ser preservado e, sim, a alma. E eles compreendiam o que era alma. Mas é possível mensurar a alma? O que eles estavam pensando? O que há no pós-vida? Isso é inexplicável na mumificação.”
Em meio à pandemia do novo coronavírus, “Inexplicável” aborda o mistério das pragas. “Os vírus em si são misteriosos, assim como a origem dessas pandemias. E o que acontecerá com os vírus à medida que eles vão se tornando mais inteligentes? Eles conseguem iludir a gente. Podemos encontrar uma solução (para a infecção), e eles nos driblam. Os vírus continuam criando estratégias diferentes, que nós devemos continuar descobrindo”, afirma.
Nesse sentido, ele acredita que o mundo inteiro precisa aprender com a experiência da pandemia de COVID-19. “De certo modo, estamos conseguindo lidar com ela, em alguns países dá para ver a luz no fim do túnel com as imunizações, que serão chave para deter tantas outras mortes. Mas nós devemos perceber que isso é uma coisa preliminar. As pandemias vão ser endêmicas, e a gente deverá enfrentar muitas vezes o que estamos vendo agora. E elas serão cada vez piores”, ressalta.
No entanto, William Shatner destaca que o aquecimento global é o que realmente mais o assusta nos últimos tempos. “O futuro da existência da vida humana na Terra é hoje uma grande pergunta cuja resposta depende de nós. Não há nada inexplicável em relação ao aquecimento global. Sabemos o que é. Vamos fazer alguma coisa a respeito”, conclama.
Ele diz que gostaria que os espectadores se esforçassem para se aprofundar nos assuntos além das informações oferecidas pela série. “Essa necessidade de o ser humano continuar avançando, tanto física quanto mentalmente, e tentando responder a perguntas é um mistério. Surgem novas teorias, coisas que nos deixam pensando, e a ciência começa a explicá-las. Agora, a ciência pode explicar o inexplicável? Talvez esse seja o maior mistério de todos. Gostaria que tentassem.”
“Inexplicável”
Com William Shatner. Segunda temporada da série estreia neste sábado (22/5), às 21h20, no History Channel
*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes
