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Estado de Minas HERANÇA AFRICANA

Tambor Mineiro reúne Maurício Tizumba e Sérgio Pererê em live

Em 'bate-papo musical' nesta segunda (17/05), artistas farão também reflexões sobre o papel da arte no combate ao racismo


17/05/2021 04:00 - atualizado 17/05/2021 07:27

Os músicos Sérgio Pererê e Maurício Tizumba lutam para preservar o legado africano na cultura de Minas Gerais (foto: Patrick Arley/divulgação)
Os músicos Sérgio Pererê e Maurício Tizumba lutam para preservar o legado africano na cultura de Minas Gerais (foto: Patrick Arley/divulgação)

Historicamente, maio é o mês em que a ancestralidade africana ocupa as ruas mineiras em celebrações ligadas ao reinado negro e ao congado. Sem a possibilidade de encontros presenciais devido à pandemia, a tradição se reinventa nos ambientes virtuais, ganhando a chance de alcançar novos públicos. É o caso do evento realizado pela associação cultural Tambor Mineiro desde quinta-feira, que será encerrado nesta segunda (17/5), às 20h, com um “bate-papo musical” entre Sérgio Pererê, Maurício Tizumba e o público.

“O Instagram tem sido o veículo que nos aproxima das pessoas. Vamos tocar, cantar, falar e compartilhar a nossa impressão sobre o reinado, mostrando como isso engloba a musicalidade afro-mineira e os tambores de Minas. Também será um momento para matar a saudade”, diz Sérgio Pererê.

'' Se você pensar que somos descendentes de um povo que veio ao Brasil na condição de escravizado, ir às ruas com tambores e músicas desse povo, misturando dança, teatro e poesia, como é o carnaval, significa um enfrentamento''

Sérgio Pererê, músico


REFLEXÃO

O ciclo de conversas se iniciou em 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura. Na opinião de Pererê, a data é mais um momento de reflexão que de celebração. “Não há grande sentido na lei de abolição em si, mas os povos de herança banto, como o povo do reinado, do congado e da umbanda, transformaram a data no Dia dos Pretos Velhos. É interessante ressignificar. Não temos motivos para louvar a Lei Áurea, mas transformamos a ocasião em algo nosso, o que passa a fazer mais sentido”, argumenta.

De acordo com o cantor e compositor, o caminho desta reflexão é pavimentado pela cultura. Por isso, o encontro de hoje terá conversa e música. “Vamos dialogar e cantar. Estou selecionando algumas coisas minhas voltadas para esse lugar, além de músicas das festas do reinado. Não será um show, mas um bate-papo regado a música”, define Pererê.

A cultura é “arma contra o racismo”, defende o artista. “Estamos em Minas Gerais e temos de priorizar o reinado como expressão muito potente. Cultura é arma política, das maiores que temos. Se você pensar que somos descendentes de um povo que veio para o Brasil na condição de escravizado, ir para as ruas com tambores e músicas desse povo, misturando dança, teatro e poesia, como é o carnaval, significa um enfrentamento”, explica.

Os cortejos do reinado estão associados “à reconstituição de valores humanos como a dignidade e o direito”, diz o músico, enfatizando que este é o caminho para um Brasil mais democrático racialmente. “Estamos aqui para construir uma sociedade nova”, acredita.

Embora lamente o fato de as festividades do reinado não ocorrerem nas ruas este ano, Pererê destaca a capilaridade das transmissões virtuais, levando a cultura afro a novos públicos. “Isso torna os reinadeiros mais visíveis. Minas não abraça tanto o reinado, muita gente desconhece essa cultura. É como se o congadeiro só existisse nesta época do ano”, lamenta. “Porém, por meio da internet, muita gente está tendo contato com isso pela primeira vez. Gente que nunca foi a uma festa de reinado pode ver a fala de uma rainha, de um capitão, e entender que não é só folclore. Eles são pensadores, guardiões de uma cultura. O presencial, claro, conta muito nessa experiência, mas temos este outro lado positivo.”

Nesta tarde, das 14h às 16h, o Tambor Mineiro oferece a oficina “Som, corpo e tambor – Uma experiência musical”, ministrada por Bruno Messias e direcionada a crianças e adolescentes. As inscrições devem ser feitas pelo site Sympla. O evento é realizado com recursos da Lei Aldir Blanc.

CELEBRAÇÃO DE MAIO
Bate-papo com Sérgio Pererê e Maurício Tizumba. Evento gratuito promovido pelo Tambor Mineiro. Nesta segunda-feira (17/5), das 20h às 21h, no Instagram (www.instagram.com/tambormineiro).


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