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Estado de Minas AUDIOVISUAL

Animais roubam a cena dos humanos e se tornam estrelas no cinema e na TV

Série 'Pet stars' tem gato astro de comercial, bulldog ator e até galinha que se considera cadela. 'Professor polvo' levou o Oscar 2021 de Melhor documentário


02/05/2021 04:00 - atualizado 02/05/2021 08:48

"Gato-propaganda"em comercial dirigido por Aaron Benitez, estrela da publicidade pet nos Estados Unidos (foto: Fotos: Netflix/divulgação)
A disputa tinha um grupo de ativistas pró-inclusão de pessoas com limitações motoras, jornalistas que descobriram escândalo da saúde pública na Romênia após incêndio que chocou o país, mulher que batalha pela libertação de um marido condenado à prisão e até detetive que se infiltra em asilo para investigar abusos contra idosos. Porém, o protagonista do filme que levou o Oscar 2021 de Melhor documentário em longa-metragem é o polvo fêmea de uma floresta de algas no litoral da África do Sul. No embalo do sucesso de “Professor polvo”, a Netflix aposta no estrelato de animais em produções bem menos elaboradas, como é o caso da série “Pet stars”.

No filme premiado com o Oscar, também produzido pela gigante do streaming, os diretores Pippa Ehrlich e James Reed revelam a improvável amizade entre o cineasta Craig Foster e o molusco. Ao longo de um ano, Foster mergulha no oceano quase diariamente para visitar o polvo que “conheceu” por acaso. Com sensibilidade e belíssimas imagens submarinas, ele registra a rotina da criatura, impressionado com sua incrível capacidade de raciocínio, adaptação e sobrevivência.

Homem e animal desenvolvem fortes vínculos, encontrando até mesmo formas de interagir, embora Foster seja rigoroso em sua decisão de jamais intervir no fluxo natural da vida do polvo, mesmo quando ele está em perigo.
Série %u201CPet stars%u201D mostra o dia a dia de Colleen Wilson, agente de talentos do mundo animal que trabalha em Hollywood
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LASSIE 
Bichos de várias espécies já ocuparam as telas do cinema e da TV. Vale lembrar os heróis caninos Rin-Tin-Tin e Lassie, o golfinho Flipper e a orca Willy. Todos estrelas de produções que, hoje em dia, talvez não sejam ideais do ponto de vista dos direitos dos animais. Graças às múltiplas possibilidades de filmagem e compartilhamento de vídeos por meio de plataformas digitais, uma nova era se abriu para a bicharada diante das câmeras. E é exatamente isso que “Pet stars” mostra.

Com cinco episódios de cerca de meia hora, a série acompanha duas profissionais da Pets on Q, agência de talentos de Hollywood especializada em bichos. “Se tem algo que as pessoas amam são os animais delas. Eles são compartilhados, às vezes até demais. Graças às redes sociais, animaizinhos fofos podem garantir altos lucros”, diz Colleen Wilson, fundadora da empresa, logo na abertura do seriado.

Com proposta narrativa direcionada ao humor leve – enquadrada no filão “alto-astral” usado pela Netflix para classificar suas atrações –, as filmagens mostram o trabalho de Colleen e de sua sócia Melissa Curtis para conectar animais a marcas e impulsionar a carreira deles.

No primeiro episódio, a dupla acompanha o Concurso de Cão Mais Feio do Mundo, em Petaluma, na Califórnia. Os participantes são encantadoramente esquisitos e populares – alguns deles agenciados pela Pets on Q, com destaque para a bulldog Puka. As empresárias aproveitam a oportunidade para conhecer e se associar a celebridades caninas com potencial para estourar nas redes sociais.
Bulldog tem seu momento star graças à agência Pets on Q
Bulldog tem seu momento star graças à agência Pets on Q

FANTASIAS 
No episódio seguinte, o reality show mostra a seleção de cães e gatos para o comercial de TV de uma loja de fantasias para animais. Cabe a Colleen e Melissa encontrar os pets mais desenvoltos diante das câmeras e mais carismáticos em seus truques. Os eleitos estrelarão uma peça publicitária dirigida por Aaron Benitez.

Criador do canal Aaron's Animals, que soma mais de 36 milhões de visualizações com vídeos estrelados pelo gato Michael e outros bichos caricatos em situações inusitadas, Benitez é um dos grandes nomes desse mercado. No comercial, bichos fantasiados interagem durante uma festa de aniversário.

Com detalhes sobre o negócio que promete lucros para agentes e donos de pets, a série também traz cenas divertidas e até estapafúrdias. Num dos episódios, busca-se “animal não convencional” para outra propaganda. Embora a Pets Q agencie raposa, coelho, ouriço e gambá, faltam aves e répteis ao elenco.

No surpreendente teste de seleção, o público conhece a galinha Koa, que pensa ser cadela, e, de acordo com a dona, é capaz de mais de 80 truques. Vários deles são exibidos. Koa tem mais de 4 mil seguidores no Instagram (@koa.trick.chicken), plateia que certamente vai aumentar com a exibição da série, no ar desde sexta-feira (30/4). Também são apresentados passarinhos dançarinos e uma tartaruga meio atrapalhada.

Por incrível que pareça, Colleen e Melissa vão até o evento chamado Repitcon em busca de répteis influenciadores digitais. Não é tarefa fácil, pois embora surjam muitos candidatos exóticos, quase nenhum deles tem perfil criado em rede social. A dupla se vê obrigada a encontrar outra solução.

Negócios envolvendo estrelas do mundo animal ganham destaque. No quarto episódio, a missão da agência é realizar um desfile de moda canina tendo como modelos cães resgatados de situações de abandono. Explica-se como funciona a produção do vestuário canino, e as agentes da Pets on Q encontram corpos ideais para cada modelito. A graça fica por conta da flexibilização do regulamento para que o porco Charlie, de personalidade muito peculiar, possa participar.

No quinto e último episódio, o desafio é encontrar o garoto, ou melhor, o cachorro-propaganda para a marca de óleo de canabidiol destinado a terapias caninas. A dupla de agentes vai até o Surf Dog, campeonato de cães surfistas na Califórnia. Enquanto os descolados candidatos vão surgindo, alguns deles populares na web, há comentários sobre o comportamento dos totós e desafios para contornar problemas psicológicos dos pets.

RESGATE 
Para fãs de vídeos engraçados com bichos, a série é um refúgio em meio às tensões cotidianas. Mas além do caráter lúdico, “Pets stars” não deixa de defender os animais. Colleen Wilson tem um dálmata surdo, ao qual se refere como seu grande amor. A agente de talentos trabalha numa ONG dedicada ao resgate e adoção de cães – um pouco disso é mostrado nas cenas.

“A missão delas se concentra em tornar o mundo um lugar melhor, um animal por vez. Ao longo dos episódios, os espectadores não só conseguem ver como dirigem seus negócios, garantindo parcerias para animais de estimação, mas também como trabalham com resgates para destacar animais que precisam de uma vida melhor. Quer seja uma oportunidade de negócio ou uma nova casa que muda a vida, seu primeiro amor (e prioridade) são os animais”, diz o comunicado oficial da Netflix sobre a dupla de humanas do seriado “Pets stars”.
"Professor Polvo" chama a atenção pela inteligência de seu protagonista molusco

“PROFESSOR POLVO”
. Documentário
. Direção: Pippa Ehrlich e
James Reed
. 85 minutos
. Disponível na Netflix

“PETS STARS”
. Série
. Primeira temporada
. Cinco episódios
. Disponível na Netflix


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