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Estado de Minas MÚSICA

A convite do filho de Rita Lee, duo mineiro faz remix de 'Mania de você'

Os irmãos gêmeos mineiros Lucas e Marcos, que formam o Dubdogz, foram convidados por João Lee para o projeto 'Classix remix'


26/04/2021 04:00 - atualizado 26/04/2021 07:31

Os irmãos gêmeos mineiros Lucas e Marcos, de 27 anos, que formam o duo de música eletrônica Dubdogz(foto: Mário Cézar/Divulgação)
Os irmãos gêmeos mineiros Lucas e Marcos, de 27 anos, que formam o duo de música eletrônica Dubdogz (foto: Mário Cézar/Divulgação)
Em tempos difíceis, em que o futuro está cada vez mais turvo, nada como uma volta ao passado. O passeio é simples e divertido. Abra um aplicativo de streaming. Digite Rita Lee. Alegria das alegrias, todos os álbuns da eterna Rainha do Rock estão lá, nos esperando.

“Lança-perfume”, o disco de 1980, é capaz de nos tirar do banzo de noites pandêmicas. O “Acústico – Ao vivo”, de 1998, dá uma geral na carreira de Rita, que, ao lado de Roberto de Carvalho, compôs canções cheias de graça, amor e irreverência. De 2001, “Aqui, ali, em qualquer lugar”, a releitura que o casal fez da obra dos Beatles, alegrou os dias até da sisuda Yoko Ono.

Navegando mais um pouquinho, o grande barato para fãs da cantora. O filho dela, João Lee, de 42 anos, acaba de lançar “Classix remix”, o primeiro dos três discos que, juntos, irão reunir 36 remixes de canções do repertório de Rita e Roberto. 

Para a empreitada, João chamou artistas que o influenciaram e que, de alguma forma, fizeram parte de sua carreira, que este ano completa 25 anos, desde a sua estreia como DJ.

Nomes escolhidos, o produtor conversou com cada um para saber que música queria remixar. A liberdade foi total. A atenção foi redobrada para que não houvesse dois remixes da mesma música no mesmo estilo de eletrônico. 

O processo de seleção das canções, segundo João, foi intenso e uma das partes mais interessantes desta jornada. “Depois de receber boa parte dos remixes, montei os álbuns. Eu já tinha o conceito todo na cabeça, então o processo aconteceu naturalmente. Infelizmente, nem todas as músicas que queria entraram no projeto.” 

Ficaram de fora da seleção canções dos álbuns “Fruto proibido” (1975) e “Entradas e bandeiras” (1976), ambos dos tempos de Rita com a banda Tutti Frutti. O problema é que os multitracks dos discos não foram encontrados e, com isso, o trabalho de remix se tornou impossível.

VERSÕES

Na lista de convidados, The Reflex  deu nova versão para “Lança perfume”. Marky assina duas versões em estilos diferentes para “Caso sério”; Gui Boratto reviu “Mutante”; Renato Cohen, “Atlântida”; Mary Olivetti, filha de Lincoln Olivetti, responsável pelo arranjo de “Lança perfume”, aquele dos anos 1980,  escolheu “Cor de rosa choque”.

Os irmãos gêmeos Lucas e Marcos, que formam o duo Dubdogz, e os amigos deles Gabriel e Rodrigo, da Watzgood, mineiros de Juiz de Fora, deram uma nova roupagem a “Mania de você”. 

João já tinha tocado algumas vezes com os meninos do Dubdogz e gosta muito do trabalho que eles fazem. “As produções são muito boas”, afirma. “O empresário deles, Octavio Fagundes, é dono de um clube em Juiz de Fora (Privilege) onde já toquei muitas vezes, além de ser um grande amigo. Então foi fácil conectar as pontas.”

Naturais de Juiz de Fora, Lucas e Marcos, de 27 anos, começaram a tocar há 10, na Europa. Por aqui, já se apresentaram no Deputamadre e na extinta boate naSala. Começaram no estilo trance progressivo e hoje seguem na house music. Tiveram o primeiro contato com a música de Rita Lee ainda na infância. 

“Escutávamos em casa, no carro”, conta Lucas, por telefone. Os irmãos chamaram Gabriel e Rodrigo (Watzgood) para uma participação. Em dois dias, o remix de “Mania de você”estava pronto. Lucas e Marcos avaliam que o projeto é importante para chamar a atenção da garotada para o rico universo musical de Rita Lee. 
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

“Classix remix vol.1”
• 12 faixas
• Disponível nas plataformas digitais

Filho do casal faz “fusão” de 
sua carreira com a dos pais


João Lee conta que o projeto “Classix remix” começou a ser planejado em 2013, para ser lançado junto com a comemoração de 50 anos de carreira de sua mãe, naquele ano. “Olhando para trás, foi até melhor ter lançado só agora. Deu mais tempo para planejar e juntar os artistas que eu queria”, afirma.

João é o filho do meio do casal. Antes dele veio Beto (44) e depois, Antônio (40). Os irmãos viveram a infância e a adolescência em ambiente de muita liberdade e suporte dos pais para seguir a profissão que desejassem. 

“Nunca impuseram nada. Quando eu era adolescente, perceberam que gostava de música eletrônica e me deram de aniversário de 17 anos um par de vitrola e um mixer. A partir daí comecei a comprar vinil e tocar.”

Instrumentos musicais e palco nunca seduziram o garoto, que se formou em administração e trabalhou por um período em um banco de investimentos. “Gostava mais de estúdio, tecnologia e do business. Não conseguia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Tive que fazer uma escolha e resolvi seguir com música”, conta. 

Um belo dia, João Lee resolveu encarar a picapes e, no início dos anos 2000, ganhou título de DJ Revelação de uma revista especializada. Vinte e cinco anos depois da estreia, ele considera já ter realizado boa parte do que queria. 

Garante que nunca vai parar de tocar ou produzir, em que pese o fato de há alguns anos dividir seu tempo entre a música eletrônica e outros projetos, como o filme, o documentário e a exposição baseados na biografia da mãe (“Rita Lee – Uma autobiografia”, Editora Globo), lançada há cinco anos.

FUSÃO

João considera o “Classix remix” uma fusão da sua vida musical com a dos pais. “Celebro os mais de 50 anos de carreira deles com os meus 25”, afirma. Rita e Roberto tiveram uma carreira musical com altos e baixos, mas sempre produtiva e com dezenas de hits. 

Considerando os álbuns lançados entre 1970 (“Build up”) e 2012 ("Reza"), são mais de 210 canções. João diz não ter uma preferida. “É impossível escolher uma favorita. Mesmo.”

Embora ele e seus irmãos sejam filhos de um casal expoente na música brasileira, o DJ comenta que não é capaz de identificar um momento específico em que se deu conta da importância artística dos pais. 

“É até difícil explicar, mas, por ser filho, tenho um certo distanciamento maluco em relação a isso. Chego até a esquecer que são artistas.” Para os irmãos, a carreira musical dos pais proporcionou uma infância e adolescência divertidas, por poderem acompanhar shows e gravações em estúdio. 

“Acompanhávamos sempre que podíamos. Era tudo muito divertido. Era tipo um mundo de fantasia. Mas a escola sempre vinha em primeiro lugar”, diz João. Em texto de divulgação de “Classix remix”, Rita escreveu que nunca teve um disco dela em casa. João se diverte com a afirmação da mãe. “Ela realmente não gostava de ouvir seus álbuns em casa. Eram tantos shows seguidos que, em casa, dava uma pausa. Mas eu tinha todos e ouvia direto.” 

Não só ouvia como tocava nas pistas por onde passou. “(Toquei) Várias vezes”, diz. “Mas no lugar certo, hora certa e para as pessoas certas. Nos últimos anos,  tenho tocado muito remix de clássicos e rock nos meus sets. Então encaixa perfeitamente. Tô louco para tocar os remixes novos.” Um projeto reservado ao futuro pós-pandemia. 

A viagem musical ao maravilhoso mundo de Rita Lee e Roberto de Carvalho não vai acabar nos passeios pelo streaming nem sequer na trilogia de remix capitaneada por João Lee.  Em junho, o casal promete um intervalo na aposentadoria para lançar música inédita. 

Em uma live, Roberto definiu a canção, em inglês e francês, como música esquisita em estilo dance pop rock. João já ouviu. “Achei incrível. Incrível. Acho que as pessoas vão se surpreender.”


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