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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Peça adapta obra de Tchekhov para a realidade brasileira

Autor, diretor e elenco compartilham processo de criação com o público em sessões no YouTube


21/04/2021 06:00 - atualizado 21/04/2021 09:58

Equipe de 'A caminho do Jardim para Tchekhov' convida o público para os ensaios on-line (foto: Reprodução)
Equipe de 'A caminho do Jardim para Tchekhov' convida o público para os ensaios on-line (foto: Reprodução)


O projeto “A caminho do Jardim para Tchekhov” compartilha o processo de criação do novo espetáculo do dramaturgo Pedro Brício, que tem a atriz Maria Padilha como protagonista. A partir desta quarta-feira (21/4), quatro vídeos serão divulgados gratuitamente no YouTube com depoimentos de especialistas e profissionais envolvidos na produção, além de leituras de trechos da montagem.

O interesse em abordar a obra do russo Anton Tchekhov (1860-1904) partiu de Maria Padilha. Depois de trabalhar com Pedro Brício no monólogo “Diários do abismo” (2018), a atriz propôs a ele a adaptação do clássico “O jardim das cerejeiras”. Pedro aceitou o desafio e criou a dramaturgia que relaciona o universo de Tchekhov ao Brasil contemporâneo.



Utopia


Na trama, uma estrela do teatro (Maria Padilha), em meio à crise profissional e financeira, vê-se obrigada a morar com a filha e o genro num condomínio em Botafogo, no Rio de Janeiro. A grande atriz, em seus arroubos utópicos, deseja remontar “O jardim das cerejeiras”. A ideia parece um delírio para os familiares.

Certo dia, a atriz encontra no condomínio onde mora um senhor que diz ser o próprio Tchekhov. “Não sabemos se é alguém que conhece seu histórico como atriz, o planejamento da peça ou se é uma alucinação dela”, revela Pedro Brício. Entre os personagens há um delegado de polícia e uma médica.

Maria Padilha fará o papel da protagonista, atriz às voltas com a crise pessoal e do país (foto: Fernando Young/Divulgação)
Maria Padilha fará o papel da protagonista, atriz às voltas com a crise pessoal e do país (foto: Fernando Young/Divulgação)


Com humor, o texto lança mão da fantasia para abordar a realidade brasileira antes da COVID-19. “Gostaria de falar sobre a classe média e o acirramento da violência, da intolerância e de uma certa brutalização que houve no país nos últimos anos, em contraste com a arte, com a vontade de querer transformar isso”, explica Pedro. “O Brasil tinha o mito do ‘homem cordial’. Nos últimos anos, o país ficou mais cinza”, observa.

A violência é abordada por meio da rivalidade entre Flamengo e Vasco, motivo do grave conflito entre vizinhos que acaba em tragédia. O pano de fundo é a polarização política brasileira e sua consequência, a crise nas artes.

Os personagens enfrentam mudanças que põem valores pessoais e sociais em xeque, tema fundamental da obra de Tchekhov. Pedro Brício aponta também “o olhar aguçado sobre os tipos urbanos” tanto do autor russo quanto do carioca Machado de Assis.

O primeiro vídeo (“A caminho de Tchekhov”) será disponibilizado nesta quarta-feira (21/4). Participam três especialistas na obra do autor russo: Celina Sodré (diretora de teatro), Vadim Nikitin (ator e tradutor) e Francisco Vieira (historiador).

No segundo e terceiro episódios (“Sobre flores e sementes”), há depoimentos de profissionais cujo ofício está ligado ao dos personagens: a atriz Camila Amado, a médica infectologista Isadora Limongelli, o delegado Orlando Zaccone e a diarista Melly Pintto.

“A gente quis trazer o processo de criação para o público. Acho que as pessoas, até meus familiares, têm muita curiosidade, mas não sabem como é o ensaio de uma peça”, comenta o dramaturgo.

Brício revela que a conversa com Melly Pintto inspirou uma personagem. A convidada era professora e deixou o magistério por encontrar maior independência na vida como doméstica. “É uma loucura, o retrato da crise educacional do país”, comenta Brício. “Ela gosta (de trabalhar como doméstica), e isso é legal, porque vai de encontro ao que a gente acredita.”

No quarto vídeo, os atores Maria Padilha, Olivia Torres, Lais Vieira e Otto Jr. leem os primeiros trechos da nova peça, “Um jardim para Tchekhov”, com direção de Jefferson Miranda, que ainda não tem data de estreia.

Será o segundo trabalho de Brício durante a pandemia. Em 2020, ele escreveu e dirigiu o espetáculo on-line “Cara palavra”, sobre a poesia feminina brasileira contemporânea, com participação de Mariana Ximenes, Andréia Horta, Débora Falabella e Bianca Comparato.

Programação


QUARTA (21/4)
“A caminho de Tchekhov”
Com especialistas na obra de Anton Tchekhov: Celina Sodré (diretora de teatro), Vadim Nikitin (ator e tradutor) e Francisco Vieira (historiador)

QUINTA (22/4)
“Sobre flores e sementes” (1ª parte)
Com Camila Amado (atriz e produtora), Orlando Zaccone (delegado de polícia), Isadora Id Limongelli (médica infectologista) e Melly Pintto (diarista e professora)

SEXTA (23/4)
“Sobre flores e sementes” (2ª parte)
Com Camila Amado (atriz e produtora), Orlando Zaccone (delegado de polícia), Isadora Id Limongelli (médica infectologista) e Melly Pintto (diarista e professora)

SEXTA (24/4)
“À sombra de uma cerejeira”
Leitura dos primeiros trechos da peça de Pedro Brício. Com Pedro Brício, o diretor Jefferson Miranda e os atores Maria Padilha, Olivia Torres, Lais Vieira, Otto Jr, Alcemar Vieira, Leonardo Medeiros e Luciano Chirolli.

“A CAMINHO DO JARDIM PARA TCHEKHOV”
Texto de Pedro Brício. De hoje (21/4) a sábado (24/4), às 10h, 15h, 19h e 23h. Haverá debate com os participantes após a sessão das 19h de sábado. Transmissão: no canal do projeto no YouTube. Gratuito

*Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria


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