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Estado de Minas CINEMA DE GRAÇA

Festival brasileiro exibe o primeiro filme de Almodóvar falado em inglês

'A voz humana', estrelado por Tilda Swinton, é uma das atrações do evento on-line que começa amanhã, reunindo 33 longas e curtas de vários países


04/04/2021 04:00 - atualizado 04/04/2021 11:27

Tilda Swinton em
Tilda Swinton em "A voz humana", filme falado em inglês de Pedro Almodóvar que está entre os destaques do Festival Brasil de Cinema Internacional (foto: El Deseo/divulgação)


Lançado na última edição do Festival de Veneza, em setembro de 2020, “A voz humana” é o primeiro filme falado totalmente em inglês de Pedro Almodóvar. O novo trabalho do cultuado diretor espanhol é um curta-metragem de 30 minutos, inspirado em texto teatral de Jean Cocteau e estrelado por Tilda Swinton. A partir desta segunda-feira (5/4), o público brasileiro finalmente poderá vê-lo no Festival Brasil de Cinema Internacional.
 
A sétima edição do evento terá formato híbrido. Até 13 de abril, ela conciliará sessões presenciais no Rio de Janeiro, onde as salas de cinema estão autorizadas a funcionar, com a exibição gratuita de filmes no site do evento (www.7fbci.com.br). Além de “A voz humana”, a programação terá 20 curtas e longas na Mostra Panorama, e outros 13 na Mostra Competitiva.
 
Na produção africana
Na produção africana "Em busca", jovem do Quênia relata sua experiência envolvendo a mutilação genital (foto: 7FBCI/divulgação)
 
 
“Foi um desafio diário. Trabalhamos desde setembro nos adaptando à realidade bastante cambiante da pandemia. Tivemos de ir surfando, pois há muita variabilidade, não dá para prever muita coisa. Mas conseguimos fazer um festival de cinema em que o público poderá ir ao cinema. É isso que nos move: o ritual de ver um filme projetado”, explica Federico Bardini, produtor do festival. O evento foi viabilizado pela Lei Aldir Blanc.
 
"Liyana", longa da Suazilândia, foi idealizado por crianças órfãs (foto: 7FBCI/divulgação)
 

PROTOCOLO Nas sessões presenciais nas salas Kinoplex Tijuca e Kinoplex São Luiz, no Rio de Janeiro, será respeitado o distanciamento, garante o produtor. Haverá, no máximo, 77 pessoas no espaço que comporta 200. Quem cumpre o confinamento social neste gravíssimo estágio da pandemia terá acesso à variada programação em casa, pela internet.
 
Bardini destaca que a proposta é dar espaço a produções que não se encaixam em outras janelas nacionais. “É um festival de cinema independente, opção para albergar filmes que não entraram nos festivais de Brasília, de Gramado ou do Rio, eventos muito reconhecidos, mas de entrada mais complicada para alguns tipos de realização”, explica.
 
O filme brasileiro
O filme brasileiro "O cinema é minha vida" homenageia o diretor francês François Truffaut (foto: 7FBCI/divulgação)
 
 
Duas estreias mundiais ocorrerão no Brasil. Uma delas é o mexicano “Os vencedores do deserto”, de Ernesto Fundora. O longa documental retrata o conflito entre os governos federal e estadual com pecuaristas do estado de Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos, envolvendo a administração de recursos hídricos naquela área desértica
Também vai estrear “O cinema é minha vida”, dirigido por Cavi Borges, Patrícia Niedermeier e Rodrigo Fonseca. Com proposta mais experimental, o filme metalinguístico aborda o próprio cinema a partir da devoção do trio pelo diretor francês François Truffaut.
 
Os dois longas participam da competição que reunirá produções de outros cinco países, como o cubano “Molina's Margarita”. Dirigido por Jorge Molina, o filme de 45 minutos conta a história de um ex-professor universitário de Cuba que vive em total isolamento. Fã de Mick Jagger e dos Rolling Stones, no dia em que a banda faz seu antológico show em Havana, reaparece na vida dele Margarita, a exilada que foi sua aluna há 23 anos. Na década de 1990, os dois viveram um caso de amor interrompido pela situação política do país.
 
Ao comentar a Mostra Competitiva, Frederico Bardini destaca “O som de máscaras”, coprodução de Portugal com a África do Sul. Atanasio Nyusi, cativante contador de histórias e lendario dancarino de Mapiko, realiza uma viagem visualmente dramática que vai do passado colonial de Mocambique ao país de hoje. “Ele tem um percurso por festivais. Já premiado, ainda não foi visto no Brasil e traz uma característica que o diferencia dos outros filmes em competição”, adianta o produtor. A direção é da cineasta Sara CF de Gouveia.
 
Na Mostra Panorama, a diversidade de nacionalidades, linguagens e culturas é ainda maior. Bardini destaca “Liyana”, longa da Suazilândia. “Uma escritora e ativista recria com crianças órfãs a narrativa protagonizada por uma personagem fictícia, mesclando ação com cenas animadas. É uma proposta muito interessante”, comenta Bardini.

ÁFRICA O cinema africano, aliás, ocupa espaço importante no festival. “Em busca”, coprodução do Quênia com a Alemanha dirigida por Beryl Magoko e Jule Katinka Cramer, notabiliza-se pela franqueza ao mostrar uma jovem queniana relatando a experiência da mutilação genital feminina, tradição problemática ainda praticada por alguns grupos sociais na África.
 
“O filme é muito relevante por trazer a discussão e o conflito das mulheres no Quênia em relação à mutilação genital. Ele aborda de maneira valente e comprometida um assunto que não é facilmente retratado. É uma história comovente”, afirma o produtor.
 
Os países sul-americanos também estão em foco, com o curta “Sapo”, da Bolívia, e o documentário argentino “Saltos altos na lama”, sobre a vida de mulheres trans de origem indígena na província de Salta. Destaca-se a boa presença do cinema brasileiro, oferecendo um olhar diverso sobre a COVID-19.
 
“Há vários filmes nacionais mostrando o reflexo da pandemia Brasil”, observa Bardini. “Diário do isolamento 121”, de Elder Fraga, mescla realidade e ficção para abordar o cotidiano de uma família em quarentena, entre a angústia dos adultos e a inocência da filha criança.
Também é o caso de “A quimérica vontade de pertencer a outro mundo”, de Olavo Fernandes de Rezende Neto. O foco do curta de apenas três minutos é a angústia de um jovem que vê sua vida interrompida pela pandemia.

CAOS  Já “O mundo parou: COVID-19 em foco”, de Elder Fraga, fala do massacrante volume de informações sobre a doença e o caos provocado por ela, enquanto o longa “Me cuidem-se!”, de Bebeto Abrantes e Cavi Borges, traz registros de sete personagens sobre a quarentena.
 
“São filmes raros. Nossa preocupação é mostrar o que os realizadores do Brasil estão fazendo, sobretudo neste período tão difícil”, reforça Federico Bardini. “Tenho a forte convicção de que só a cultura vai salvar as cidades deste país. Festivais e celebrações da cultura brasileira, só isso será capaz de mobilizar o povo, que enfrenta uma situação muito complexa.”
 
Na opinião do produtor, a realidade brasileira já era dura antes da pandemia, mas os problemas se exacerbaram agora. “A única solução para melhorar o nosso estado de ânimo é a cultura. Temos de celebrar a Lei Aldir Blanc e tudo aquilo que favoreça a realização de eventos culturais”, reforça.
Amanhã, durante o evento de abertura, o ator e cineasta belo-horizontino Neville D'Almeida ganhará homenagem pelo conjunto de sua obra. Será exibida a versão restaurada de “Rio Babilônia”, filme dirigido por ele e lançado em 1982. Em 13 de abril, a premiação da Mostra Competitiva será transmitida ao vivo, às 16h, no site do festival. Haverá prêmios para 15 categorias.



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