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Estado de Minas 'NOVO NORMAL'

Shows-surpresa nas vitrines de Nova York trazem esperança para músicos

Projeto do Kaufman Music Center oferece repertório diversificado, mas sem anunciar o local do concerto para evitar aglomeração em tempos de pandemia


31/03/2021 04:00 - atualizado 31/03/2021 07:17

Em Manhattan, transeuntes acompanharam o recital de Michael Katz realizado no último dia 25(foto: Angela Weiss/AFP)
Em Manhattan, transeuntes acompanharam o recital de Michael Katz realizado no último dia 25 (foto: Angela Weiss/AFP)
Depois de um ano de luzes apagadas nas salas de concerto e cenários transferidos para o mundo virtual, a vitrine vazia em Nova York oferece um raio de esperança para artistas e o público.

Músicos vêm participando em concertos improvisados de todos os gêneros para pequenos sortudos no Upper West Side de Manhattan. Recentemente, notas de Beethoven e Debussy harmonizavam, em certa manhã, com a trilha sonora da cidade dominada por buzinas, trabalhadores nas ruas e o som dos pombos.

'Uma das lições da pandemia é simplesmente o apetite que as pessoas têm por música, teatro, dança e qualquer tipo de arte ao vivo'

Michael Katz, violoncelista



STEINWAY 

Em um ano, foi a primeira vez que o violoncelista Michael Katz conseguiu ser acompanhado por um pianista. Spencer Myer tocou em um piano branco Steinway – experiência pela qual músicos de todo o mundo estavam “ansiosos”, de acordo com ele.

“Realmente, necessitamos de uma relação recíproca. Poder trazer música para as pessoas, como fizemos, é algo realmente único e especial”, afirma Katz.

“Tentamos ter um pouco de tudo, de músicos clássicos a artistas da Broadway, jazz e improvisadores experimentais”, informa Kate Sheeran, diretora do Kaufman Music Center e idealizadora do projeto “Musical storefronts” (“Vitrines musicais”).

O local dos shows não é divulgado, pois os organizadores querem evitar grandes multidões devido ao distanciamento social imposto pela pandemia. A série de concertos, que começou no inverno do hemisfério norte, seguirá até a primavera. Assim, as pessoas que andam pelas ruas podem ser surpreendidas por um espetáculo.

Nova York é vítima da rápida propagação da COVID-19, com mais de 31 mil mortes e 830 mil casos da doença, além de cidadãos com vidas profundamente abaladas pela pandemia. Entre os mais atingidos estão os músicos, obrigados a sobreviver de apresentações virtuais ou aulas on-line, enquanto shows foram cancelados e auditórios fechados, alguns para sempre.

“Nossa indústria tem sido devastada, especialmente os artistas de palco, cujas vidas foram duramente impactadas”, diz Kate Sheeran.

A campanha de vacinação em Nova York começou há alguns meses. Dois terços dos adultos receberam pelo menos uma dose – entre eles, músicos ansiosos por voltar ao trabalho.

“Uma das lições da pandemia é simplesmente o apetite que as pessoas têm por música, teatro, dança e qualquer tipo de arte ao vivo”, diz o violoncelista Michael Katz. “É algo de que elas necessitam, na mesma medida em que necessitam de água e comida. Não é apenas entretenimento, não é somente uma mercadoria”, conclui.


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