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Estado de Minas SÉRIE

'Dix pour cent' revela divertida guerra de egos nos bastidores do cinema

Nova temporada da produção francesa, em cartaz na Netflix, brinca com as neuras das estrelas Charlotte Gainsbourg, Jean Reno e Sigourney Weaver


11/02/2021 04:00 - atualizado 11/02/2021 07:57

O astro Jean Reno pode salvar o emprego da agente Andréa (Camille Cotin) em Dix pour cent(foto: Fotos: Netflix/divulgação )
O astro Jean Reno pode salvar o emprego da agente Andréa (Camille Cotin) em Dix pour cent (foto: Fotos: Netflix/divulgação )


Chiliques de estrelas do cinema são a matéria-prima das revistas de fofocas. Podem também render boa ficção, como sabem os que curtem a série francesa Dix pour cent (Dez por cento), criada por Fanny Herrero, cuja quarta temporada é exibida na Netflix.

São mais seis episódios (talvez os últimos) de uma série de grande sucesso, que tem por epicentro a agência parisiense de talentos ASK. Quem a segue desde o início sabe que parte do charme está no fato de os artistas interpretarem a si mesmos, com algum exagero e doses generosas de autoironia. Mas sabem também que o verdadeiro núcleo cômico/dramático é formado pelos próprios integrantes da agência de talentos.

Batem ponto na ASK o chefão e estrategista um tanto cínico Mathias (Thibault de Montalembert), a agressiva e hiperativa Andréa (Camille Cottin), o bom-moço Gabriel (Grégory Montel), o agente com vocação de ator Hervé (Nicolas Maury), a veterana Arlette (Liliane Rovère), o arrivista Hicham (Assaad Bouab), a novata Camille (Fanny Sidney), a esfuziante Noémie (Laure Calamy) e Sophia (Stéfi Celma), a recepcionista que deseja ser atriz.

A americana Sigourney Weaver protagoniza episódio da série francesa
A americana Sigourney Weaver protagoniza episódio da série francesa

FRANÇA 
A composição da agência reflete uma França liberal que se vê progressista, multicultural e multiétnica, com presenças do rapaz gay, da lésbica assumida, da candidata a atriz negra e do árabe bem-sucedido. Mesmo os idosos têm assento no escritório da ASK.

A agência não vai lá muito bem das pernas. Mathias deixou a equipe com Noémie, a dupla agora virou casal e está prestes a trabalhar para um concorrente. Endividada, a ASK precisa de um trunfo urgente para fazer caixa e salvar o pescoço.

Enquanto isso, os funcionários devem gerir vidas pessoais complicadas. Andréa tenta administrar a vida de casal com um bebê. Gabriel acha que a fama de bom caráter o prejudica em métier tão agressivo. Hervé e Sophia descobrem que têm mesmo vocação para o palco e a tela, enquanto Camille ganha experiência e pretende abrir a própria empresa.

Além do mais, o CEO da empresa resolveu contratar uma pessoa que todos detestam, a maquiavélica Elise Forman (Anne Marivin), e o ambiente se degrada quando ela se agrega ao grupo. Entre ela e Andréa cria-se um estado de guerra declarada. Dá gosto ver essa batalha de egos e línguas afiadas.

Enquanto tudo vai esfarelando na ASK, a equipe precisa administrar os talentos sob contrato e resolver seus problemas. Charlotte Gainsbourg aceitou fazer um papel no filme do amigo de infância, sem saber que o roteiro é uma verdadeira bomba. Como se desvencilhar do trabalho sem magoar o diretor?

GALà
Naquele que talvez seja o melhor episódio desta temporada, a americana Sigourney Weaver desembarca em Paris para rodar um filme. O que a atrai é a possibilidade de contracenar com um jovem galã. Porém, como também não leu o roteiro, ignora que seu partner é um senhor de idade, Bernard Verley, mais preocupado com a aposentadoria do que com aventuras românticas.

Em outro episódio, o ator José Garcia não consegue mais decorar suas falas depois de se reencontrar com um amor de juventude, intenso e passageiro. Será Andréa, no auge de sua própria crise matrimonial, quem tentará gerenciar o caos amoroso de seu contratado. O episódio é inspirado numa história real ocorrida com o ator Jean-Louis Trintignant.

Será Jean Reno (de O profissional) a última tábua de salvação para a agência à beira da concordata. Ele seria o protagonista ideal de um filme de sucesso produzido pela própria ASK. Isso se não estivesse aposentado e mais propenso ao ócio do que se envolver numa produção duvidosa.

São vários os ingredientes que explicam o sucesso de Dix pour cent. Um deles é o tom agridoce que, com frequência, se resolve em comédia. Também são funcionais tramas à parte, como a relação de pai para filha (não reconhecida) entre Mathias e Camille. Ou a conturbada vida amorosa de Andréa, que engravida em inesperada noitada hétero e tenta criar o bebê com a companheira Collete.

STAR SYSTEM 
Há, claro, o encantador charme dos bastidores do mundo artístico, com seus protagonistas poderosos, mas cheio de fraquezas, ansiedades e limitações. Atores são vistos por esse lado bastante humano – o tom cômico e sem maldade de tratamento deve ter contribuído para a adesão de boa parte do star system francês ao projeto.

De qualquer forma, Dix pour cent mostra algumas verdades sobre o mundo do cinema. Há muita competição, rivalidade e golpes baixos. Também há amor e ódio e, por baixo do charme, motivações menos nobres. Mas algo talvez impalpável, como o amor pela arte do cinema, dá liga mesmo a essas contradições.

Toda a confusão de plumas, paetês e interesses econômicos termina com um filme sobre a tela. O amor ao cinema, mostrado de forma leve e humorada, não é a menor qualidade de Dix pour cent. Tomara que continue. 

DIX POUR CENT
.Série francesa
.Quatro temporadas
.24 episódios
.Netflix


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