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Estado de Minas AUDIOVISUAL

Cinema fecha o ano com pouco público e ameaçado pelo streaming

Em ano caótico para as salas, filmes ficaram na gaveta para 2021 ou estrearam diretamente nas plataformas, enquanto poucos se arriscaram nas salas reabertas


31/12/2020 04:00 - atualizado 31/12/2020 08:01

Mulher-Maravilha: 1984 estreou em 32 países, mas tem arrecadação baixa, já que as salas operam com capacidade reduzida, de acordo com protocolo sanitário(foto: Warner Bros./Divulgação)
Mulher-Maravilha: 1984 estreou em 32 países, mas tem arrecadação baixa, já que as salas operam com capacidade reduzida, de acordo com protocolo sanitário (foto: Warner Bros./Divulgação)
Quando 2020 começou, provavelmente ninguém imaginava que Bad boys para sempre, lançado em janeiro, chegaria a dezembro como a maior bilheteria do ano no cinema norte-americano. 

Terceiro filme da franquia de ação e comédia Bad boys, iniciada em 1995, o título tinha seu apelo, com Will Smith e Martin Lawrence encabeçando o elenco. Contudo, produções mais pujantes estavam programadas para estrear e, certamente, ocupar o topo da lista, que acabou totalmente reconfigurada por causa da pandemia

Alguns filmes superaguardados foram adiados para 2021 e outros foram lançados diretamente no streaming, apimentando ainda mais a disputa entre as plataformas digitais e as empresas exibidoras. Mas mesmo com as capacidades das salas reduzidas em razão da crise sanitária, quando foi possível reabri-las, houve quem seguiu apostando na telona para arrecadar seus milhões.

Foi o caso de Mulher-Maravilha: 1984, que chegou aos cinemas do Brasil e de outros 31 países no último dia 17. A estreia nos EUA foi na última sexta e, embora represente uma esperança de faturamento para os cinemas no pior ano da história, seus números finais não devem chegar nem perto daquilo que era esperado quando o filme foi finalizado, com um custo estimado em US$ 200 milhões. 

Até o momento, a arrecadação global foi de apenas US$ 85,4 milhões. Mesmo com a entrada no mercado estadunidense, os números não devem melhorar muito, já que o filme foi lançado simultaneamente no streaming HBO Max. 

Antes do longa da super-heroína, outras produções já haviam encarado a pandemia, entrando em cartaz na reabertura das salas. A principal delas foi a ficção Tenet, de Christopher Nolan, lançada em agosto nos EUA e na Europa e em outubro no Brasil. Houve questionamento se seria acertada ou não a decisão de lançar o filme com a pandemia do novo coronavírus ainda em curso, mas os resultados foram satisfatórios, no entendimento do diretor, considerando a especificidade deste ano

EMOÇÃO 

Lançado em janeiro, antes da pandemia que obrigou o fechamento de salas, Bad boys para sempre chegou a dezembro como a maior bilheteria do ano(foto: Sony Pictures/Divulgação)
Lançado em janeiro, antes da pandemia que obrigou o fechamento de salas, Bad boys para sempre chegou a dezembro como a maior bilheteria do ano (foto: Sony Pictures/Divulgação)

"A Warner Bros. lançou Tenet, e eu estou emocionado que (o filme) tenha feito quase US$ 350 milhões. Mas estou preocupado que os estúdios estejam tirando conclusões erradas sobre o nosso lançamento — que, em vez de olhar para onde o filme funcionou bem e como isso pode fornecer a receita tão necessária, eles estejam olhando para onde ele não correspondeu às expectativas pré-COVID e comecem a usar isso como desculpa para fazer a exibição levar todas as perdas da pandemia em vez de entrar no jogo e se adaptar", disse Nolan ao jornal Los Angeles Times, em novembro.

A arrecadação fez de Tenet a segunda maior bilheteria do ano no mundo entre os filmes norte-americanos, atrás apenas de Bad boys para sempre, que faturou US$ 426,5 milhões. Ambos foram superados pelo chinês The wight hundred, exibido apenas no país asiático, mas consolidado como maior faturamento do mundo no ano da pandemia, com US$ 461 milhões.

Para efeito de comparação, a maior bilheteria de 2019, Vingadores: Ultimato, somou US$ 2,7 bilhões mundialmente. Tenet foi o único filme lançado durante a pandemia a figurar entre as 10 maiores bilheterias do mundo em 2020 até aqui, sem contar filmes chineses. O resultado, no entanto, fez com que a Warner (responsável pelo filme) optasse agora por lançar todas as suas próximas produções simultaneamente nos cinemas e no streaming, como já fez com Mulher-Maravilha: 1984. 

As plataformas digitais de consumo doméstico foram a saída escolhida por alguns estúdios para chegar ao público durante a pandemia. Foi a opção feita pela Disney, que, em 2019, havia lançado seu próprio serviço, o Disney +. Os lançamentos da versão live-action de Mulan e da animação Soul, dois dos filmes mais aguardados de 2020, foram feitos com exclusividade por lá. O primeiro em setembro e o outro no último dia 25 de dezembro. 

Se a decisão foi problemática para as salas de cinema, ela também representa o aumento da concorrência em um mercado anteriormente dominado pela Netflix. Mesmo antes da pandemia, a maior plataforma de streaming já vinha lançando produções importantes, que chegaram inclusive às grandes premiações do cinema mundial, como Roma, O irlandês e História de um casamento. 

Além da Disney, o Amazon Prime Video abrigou o lançamento da comédia Borat: Fita de cinema seguinte, em 23 de outubro, um dos filmes mais comentados e até relacionado em algumas listas de melhores do ano. Em breve, outro grande lançamento acontecerá por lá: Um príncipe em Nova York 2, estrelado por Eddie Murphy, marcado para 5 de março. 

TERROR 

A Netflix não ficou para trás e promoveu diversos lançamentos originais de destaque. O primeiro deles foi o terror espanhol O poço, lançado em março, uma distopia em que pessoas são obrigadas a viver em uma prisão vertical. 

Mais recentemente, em dezembro, chegou A voz suprema do blues, último filme do ator Chadwick Boseman, o intérprete do Pantera Negra, que morreu em 28 de agosto, vítima de um câncer. O ator também está no elenco de Destacamento blood, de Spike Lee, outra produção da Netflix, lançada em junho e cercada de elogios. 

A empresa não costuma divulgar dados sobre a audiência de seus filmes, mas é possível notar o sucesso deles entre o público na lista de melhores do ano do site Rotten Tomatoes, que mensura avaliações dos espectadores e dos críticos. Metade dos 10 filmes mais bem avaliados são da Netflix. O primeiro da relação é o terror psicológico O que ficou para trás, de Remi Weekes, seguido do inspirador documentário Crip camp: Revolução pela inclusão

Outros serviços de streaming, como Net Now, VivoPlay, Looke, entre outros, também foram a alternativa para muitos filmes que não encontraram oportunidades com as salas fechadas. Especialmente para o cinema nacional, que por essa via lançou filmes como Baixo Centro, vencedor da Mostra de Tiradentes de 2018, A febre, premiado no Festival de Brasília de 2018, Pacarrete, vencedor do Festival de Gramado em 2019, e o documentário Babenco - Alguém tem que ouvir o coração dizer: parou, selecionado para representar o Brasil no próximo Oscar.

Alguns desses títulos foram também exibidos no cinema, em algumas capitais brasileiras, mas com lançamento simultâneo no streaming e nenhum resultado expressivo de bilheteria. 

Num ano tão complicado para a atividade cinematográfica, houve ainda a opção de nem encarar as condições adversas das salas de cinema nem ir para o streaming. Muitas grandes estreias ficaram para 2021, no Brasil e no exterior.

É o caso de 007 – Sem tempo para morrer, adiado para 2 de abril, Velozes e furiosos 9, remarcado para 28 de maio, e Viúva Negra, reagendado para 7 de maio de 2021. No Brasil, Detetives do prédio azul 3 - Uma aventura no fim do mundo, novo título da franquia infantil que costuma fazer grandes bilheterias, está programada para chegar aos cinemas já na próxima semana (em 7 de janeiro), contando que os cinemas estarão abertos dentro dos protocolos


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