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Estado de Minas

Conflitos pessoais de um sobrevivente

Escritor Emerson César lança o livro O último homem, que narra a trajetória de Raul Torres, que vive entre os muros de Tuopia, a cidade perfeita pós apocalipse, e de um casamento em crise no ano de 2391


22/07/2020 04:00

Autor se diz entusiasta pela ciência e que gosta de consumir esse tipo de assunto (foto: Arquivo Pessoal)
Autor se diz entusiasta pela ciência e que gosta de consumir esse tipo de assunto (foto: Arquivo Pessoal)
No ano de 2391 os seres humanos estão à beira da extinção. Uma arma biológica matou a maior parte da população da Terra. Outra parte feneceu em decorrência de uma série de guerras. Raul Torres, o único a resistir, também começa a apresentar os mesmos sintomas: febre alta e alucinações.

É nesse cenário que tem início o romance O último homem, de Emerson César, autor de Diamantina. Mais conhecido pela trilogia de ficção política Revolucionários, ele chega ao terreno da distopia com uma narrativa que dialoga diretamente com o momento atual.

Raul está morrendo, mas a despeito disso, quer de toda maneira chegar ao mar. Só que o caminho não será fácil. O professor e médico é morador de Tuopia, a cidade perfeita. “É um lugar que conseguiu superar todos os problemas sociais, de desigualdade, preconceito, intolerância. Seus moradores têm como princípio maior a educação e a ciência, usam a tecnologia como força de trabalho para a produção de alimentos”, explica Emerson.

Não à toa, o nome da cidade do romance é um anagrama de utopia. Mas a perfeição vai até certo ponto. As pessoas de Tuopia vivem entre muros – não podem sair dali. A população tem tudo, mas não tem liberdade. “Conto essa história de como a civilização chegou até ali para concentrar tudo em um só homem. Na verdade, a questão principal do livro são os conflitos emocionais do personagem, um homem que se sente duplamente como um prisioneiro: da cidade onde vive e do casamento em crise”, acrescenta o autor.

Ainda que no tempo presente da narrativa Raul esteja sozinho, em boa parte o personagem está sempre com alguém a seu lado. Pode ser a mulher, o filho, o pai, a irmã. Essa presença se dá por meio das alucinações que Raul tem por causa da doença. “A cada nova ‘visita’, ele relembra como era a vida antes do holocausto”, diz Emerson. De certa maneira, esse retorno do personagem a uma realidade que não existe mais é também um passeio pela história da humanidade.

O romance recém-lançado é derivado de um conto que o autor publicou há três anos. “Sou entusiasta da ciência, então consumo muito desse tipo de conteúdo. Já imaginava uma possível pandemia, mas quando escrevi o conto não tinha ideia. Decidi transformar a narrativa em romance em janeiro de 2019 e só fui terminá-lo no começo de abril”, finaliza Emerson César.

(foto: Dragão Urbano/Reprodução )
(foto: Dragão Urbano/Reprodução )
O ÚLTIMO HOMEM

. De Emerson César
. Editora Dragão Urbano
. 220 páginas
. R$ 9,90 (PDF) e R$ 29,90 (livro)
. Informações: dragaourbano.com.br.


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