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Estado de Minas

Entreolhares, premiado em festival nos EUA, projeta atriz mineira

Marina Azze vive personagem deficiente visual em drama no casamento. Produção faturou cinco troféus nos Scene Festival, de Maryland


postado em 11/07/2020 04:00

Direção do filme, ambientado nos anos 1960, é do gaúcho Ivann Willig: transplante de córnea é uma das referências da produção(foto: ARQUIVO PESSOAL)
Direção do filme, ambientado nos anos 1960, é do gaúcho Ivann Willig: transplante de córnea é uma das referências da produção (foto: ARQUIVO PESSOAL)
Dirigido pelo ator, escritor, cineasta e diretor gaúcho radicado no Rio de Janeiro Ivann Willig, o filme Entreolhares foi o vencedor de cinco prêmios no The Scene Festival, mostra de cinema norte-americano realizada no estado de Maryland (EUA). A película arrebatou os troféus de Melhor diretor, Melhor cena, Melhor som, Melhor atriz, que foi para Marina Azze, e Melhor ator, para Daniel Satti. Completa o elenco a atriz paulistana Tuna Dwek.

A produção ganhou também como Melhor filme no Cosmos, festival da Índia. No mesmo país, foi indicado nas categorias Melhor filme romântico, Melhor direção e Melhor atriz para o Tagore International Film Festival (TIFF).

Rodado nas montanhas capixabas, o drama romântico trata a redenção, o perdão e a salvação do amor. Por ora, está sendo lançado em festivais nacionais e internacionais. O roteiro de Willig tem estrutura nada convencional, com reviravoltas que desafiam o espectador do início ao fim.

Único brasileiro indicado para o Scene Festival, Entreolhares venceu cinco prêmios no Inhapim Cine Festival (MG): Melhor filme, Melhor diretor, Melhor atriz, Melhor direção de arte e Melhor figurino. “É a realização de um sonho. Este é o 40º troféu em minha carreira e o primeiro internacional. Ganhei os troféus de Melhor atriz nos dois festivais”, festeja Azze.

Nascida em Varginha, no Sul de Minas, ela diz que Entreolhares a tem deixado nas nuvens. “Parece que estou sonhando, vivendo um filme no qual uma personagem sonhava fazer filmes no interior mineiro. E não é que o sonho se tornou realidade?”

Azze é apaixonada por cinema. “Formei-me no Rio de Janeiro e passei a fazer um filme atrás do outro e a frequentar festivais. E foi em um desses que conheci o Willig. Ele já ganhou quase 70 prêmios. Eu ficava encantada com o trabalho dele.” Ela o compara a um “maestro mágico”.

E foi num desses encontros que Willig e entregou a Azze o roteiro de Entreolhares. “Ele me convidou para fazer a Maria. Li e fiquei apaixonada. Fomos até o Espírito Santo em busca de um local ideal fazer as filmagens.” A casa, em formato redondo, tem relação com o perfil do roteiro.

Maria, personagem de Azze, é deficiente visual. “Fiz toda uma pesquisa para montar a personagem. Fiquei meses fazendo laboratório, foi intenso. O programado era lançar neste ano, mas a pandemia não deixou”, lamenta.

TERRA NATAL 
A atriz chegou a morar em Belo Horizonte, mas resolveu voltar para a terra natal. “O cinema entrava cada vez mais forte em minha vida e achei que podia trazê-lo para Varginha. Lá, montei um Centro de Cultura, uma associação. Ensinamos cinema para crianças, jovens adultos e pessoas da terceira idade. Eles fazem filmes, participam de festivais e até ganham prêmios.”

Além de atriz, Azze é realizadora de festivais. Organiza dois: o Offcine, em Varginha, e o Inhapim Cine Festival, na cidade mineira de Inhapim, em sua primeira edição, e que será anual. “Mesmo em período de pandemia, temos outros filmes, mas que somente serão lançados no ano que vem. Já tínhamos alguns inscritos em festivais, como é o caso de Entreolhares. Infelizmente, algumas produções que estávamos programando para filmar ainda neste ano tiveram de ser canceladas.”

Ela lamenta também a suspensão ou cancelamento da maioria dos festivais. “Felizmente, alguns ainda foram feitos em regime on-line. Estamos com muita produção, mas como sobreviver nesta quarentena? Como tenho uma escola de formação de atores, acabei montando um curso on-line para poder sobreviver e, ao mesmo tempo, fazer com que os alunos continuem seus estudos”.

No caminho do perdão
Entreolhares é um drama entre um casal, Sandro e Maria, e se passa nos anos 1960. “Eles têm uma relação delicada e conturbada, mas, no fim, há um caminho de perdão, redenção e arre-pendimento. Como o filme se chama Entreolhares, costumo dizer que são vários olhares. Ela tem problemas de deficiência visual e precisa mudar a visão de si mesma para ter outra da própria vida”, descreve Daniel Satti, que vive Sandro.

Ele revela que o filme chama a atenção também para um problema comum no Brasil, que é o transplante de córnea. “Acabamos de ganhar o 12º prêmio e, desses, cinco foram em categorias do festival norte-americano. Eles escolheram o nosso filme e, dele, uma cena específica, sendo que a premiação aconteceu a partir disso. Ganhamos em todas as categorias indicadas.”

Nascido em São Paulo, mas criado em Minas, onde se tornou ator, ele arrebatou os prêmios de Maryland e Inhapim como Melhor ator. “Embora tenha mais de 20 anos de carreira, esse é o meu primeiro troféu internacional. Nada como um prêmio internacional para coroar a minha carreira, que é de busca, desafios e luta, o que é natural no Brasil quando se quer tornar um artista.”

Satti acredita que a premiação em um festival norte-americano é uma grande forma de reconhecimento. “Éramos os únicos brasileiros a representar o nosso país naquele festival e por isso nos sentimos tão orgulhosos. É uma via de mão dupla, pois levamos nosso filme para lá, mostrando que o Brasil sabe fazer cinema e, ao mesmo tempo, touxemos prêmios para cá.”


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