Publicidade

Estado de Minas DEPOIS DE TRUMP

Kanye West candidato: é possível ter um rapper na Casa Branca?

O marido de Kim, que anunciou sua candidatura à sucessão do republicano, coleciona polêmicas como quase todos os rappers norte-americanos, mas por razões bem diferentes. Confira


postado em 09/07/2020 04:00

Além de uma bem-sucedida carreira musical pela qual foi premiado com o Grammy, Kanye West tem também uma grife de roupas. Ele afirma ter orgulho de ser bilionário, assim como a mulher, Kim Kardashian (foto: JEAN-BAPTISTE LACROIX /afp )
Além de uma bem-sucedida carreira musical pela qual foi premiado com o Grammy, Kanye West tem também uma grife de roupas. Ele afirma ter orgulho de ser bilionário, assim como a mulher, Kim Kardashian (foto: JEAN-BAPTISTE LACROIX /afp )
Os Estados Unidos terão eleição presidencial em novembro deste ano e as candidaturas de Donald Trump, atual presidente, e Joe Biden, ex-vice de Barack Obama, estão praticamente confirmadas pelos partidos Republicano e Democrata, respectivamente. Apesar disso, as regras eleitorais norte-americanas admitem candidaturas independentes e é aí que o rapper Kanye West parece querer entrar.

Em publicação no Twitter feita no último sábado (4), ele voltou a dizer que pretende se candidatar ao cargo. “Devemos realizar a promessa da América, confiando em Deus, unindo nossa visão e construindo nosso futuro. Vou concorrer a presidente dos Estados Unidos”, escreveu, usando a hashtag #2020VISION, o que dá a entender que entraria no pleito deste ano.

Na mesma rede social, o magnata norte-americano Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX e marido da cantora canadense Grimes, referendou a candidatura. “Você tem todo o meu apoio”, escreveu.

Esta não é a primeira vez que Kanye diz estar interessado em comandar a Casa Branca. Durante o MTV Video Music Awards de 2015, quando foi premiado por suas “contribuições extraordinárias” e “profundo impacto” na cultura popular, ele anunciou que disputaria a eleição de 2020.

Apontado como uma das grandes revelações do rap da primeira década dos anos 2000, Kanye West surgiu para o grande público em 2004 com o disco The college drop out. Antes disso, o jovem de Atlanta (Geórgia) já era conhecido nos bastidores da indústria do hip-hop e produziu singles de grandes artistas, como Jay-Z, Alicia Keys, Janet Jackson e John Legend.

Embora os sucessores, Late registration (2005) e 808s & heartbreak (2007), também tenham obtido sucesso comercial, foi em Graduation (2007) que Kanye definiu um estilo bastante próprio, orientado por sintetizadores e efeitos sonoros futurísticos, distanciando-se dos samples de soul e tendo como principais referências Daft Punk e Public Enemy.

Em novembro daquele ano, a mãe do rapper, Donda West, morreu devido a complicações de uma cirurgia plástica. A morte, segundo os jornais da época, abalou Kanye de uma forma devastadora. “Foi como perder um braço e uma perna e tentar andar desse jeito”, declarou ele, um ano após a perda.

TAYLOR No VMA de 2009, ele foi o protagonista de uma das cenas mais polêmicas da história da premiação da MTV norte-americana, ao interromper o discurso de Taylor Swift, que recebia o prêmio de Melhor Vídeo Feminino, alegando que Beyoncé deveria ter ganho. Mais tarde, os dois “enterrariam” a “briga” e Taylor  seria a responsável por entregar a ele o prêmio de 2015.

A partir daí, a música de Kanye West só melhorou enquanto sua vida pessoal passou a ser alvo do escrutínio público dos tabloides. My beautiful dark twisted fantasy, lançado em 2010, é até hoje considerado um de seus melhores discos. Nele, o rapper consagrou sua fama de hit maker com os singles All of the lights, Monster e Runaway, e ainda conseguiu reunir um séquito de colaboradores, entre eles Nicki Minaj, Pusha T, Kid Cudi e até o indie folk de Bon Iver.

Dias depois do lançamento, ele informou pelo Twitter que lançaria um álbum colaborativo com Jay-Z intitulado Watch the throne, que de fato saiu em 2011.

O controverso Yeezus (2013) se tornou o divisor de águas em sua carreira. Com o disco, Kanye redefiniu sua forma de trabalhar, aproximando-se ainda mais da música eletrônica, e assumiu o relacionamento com a empresária e estrela de reality show Kim Kardashian – com quem é casado até hoje e tem quatro filhos.

O título do álbum também gerou polêmica. Trata-se de um trocadilho que mistura Ye- ezy (apelido de Kanye e nome de sua grife) com o nome Jesus. Além disso, na faixa I am a God o rapper se descreve como o próprio Deus.

Antes de lançar o infame The life of Pablo (2016), o rapper trabalhou, entre 2013 e 2014, no disco So help me God, que nunca se materializou. Posteriormente, uma série de canções criadas para o projeto foram lançadas separadamente, como FourFiveSeconds, gravada em parceria com Rihanna e Paul McCartney, lançada em 2015.

Em The life of Pablo, Kanye desenterrou a polêmica envolvendo Taylor Swift e, num dos versos da música Famous, ele afirma querer fazer sexo com a cantora. “Eu a fiz ficar famosa”, canta ele. Para o videoclipe da canção, o cantor reuniu, em uma grande cama, bonecos de celebridades pelados. Entre eles estão Trump, o cantor Ray J e Taylor Swift, além de Rihanna e o próprio Kanye.

O disco também gerou uma turnê mundial, a Saint Pablo Tour. Durante a passagem por Paris, Kim Kardashian sofreu um assalto no quarto de um hotel. O assalto causou trauma na família, e a agenda de shows sofreu uma pausa.

Depois desses acontecimentos, Kanye lançou o ótimo ye e Kids see ghost, em parceria com Kid Cudi, ambos em 2018. Além disso, ele tem se dedicado à moda com a duradoura parceria de sua grife com a Adidas.

Politicamente, Kanye West pode ser definido como um republicano fervoroso. Em 2016, declarou apoio irrestrito ao então candidato à Casa Branca Donald Trump, ao mesmo tempo em que teceu duras críticas ao democrata Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Soma-se a isso o fato de o rapper ter assumido, desde o início de 2019, a frente de um culto religioso baseado principalmente na música. Ele anunciou sua conversão, dizendo ter se tornado uma pessoa 100% cristã.

Realizado desde janeiro do ano passado, o Sunday Service é uma sessão musical privada, aos domingos,  comandada por Kanye West acompanhado de um grande coral gospel. Segundo Tony Williams, músico e primo de Kanye, o projeto tem o intuito de “comunicar uma mensagem de amor”.

Em abril do ano passado, no domingo de Páscoa, o “culto musical” tomou conta da área de camping do festival Coachella. Com um grande coral e muitos instrumentistas, o rapper subiu ao alto de uma colina, construída especialmente para o show, que durou mais de duas horas.

Entre mensagens de fé e batidas de hip- hop e eletrônica, a apresentação ainda teve as participações dos cantores americanos Chance The Rapper e Teyana Taylor, além das inéditas Water e Everything we need.

A apresentação foi transmitida ao vivo pelo YouTube, mas a visão era parcial, através de um círculo. Uma ferramenta de vídeo deu o efeito arredondado, que dava a impressão de se estar olhando através de uma fechadura. O rapper aproveitou o momento para lançar uma linha de produtos do Sunday Service em seu site e no próprio festival.

Mais tarde, em outubro, Kanye West lançou o disco Jesus is king e, em 25 de dezembro, o Sunday Service Choir ganhou um disco para chamar de seu, Jesus is born, que conta com 19 faixas e quase 1h30min de duração.

Ao comentar algumas de suas propostas caso seja eleito presidente dos Estados Unidos, ele se disse inspirado pelo modelo de gerenciamento e inovação de Wakanda, país africano fictício do filme Pantera negra (2018).

''É a melhor explicação de como nosso grupo de designers vai se sentir na Casa Branca'', disse à revista Forbes. ''Como no filme, em Wakanda, quando o rei foi visitar a cientista que fez os sapatos envolverem seus pés. A quantidade de inovação que pode acontecer, a quantidade de inovação na medicina – como as grandes empresas farmacêuticas – vamos trabalhar, inovar, juntos'', completou.

Crítica Na entrevista, ele voltou a fazer críticas ao atual presidente dos EUA, Donald Trump, e disse não apoiar mais sua reeleição. ''Parece uma grande bagunça para mim'', afirmou sobre a gestão do republicano. Ele ainda criticou o fato de Trump ter ido para um bunker da Casa Branca quando os protestos em defesa da valorização das vidas negras tomaram as ruas de Washington.

Kanye afirmou ter tido COVID-19. Disse que sentiu calafrios, que ficou ''tremendo na cama'' e ''vendo vídeos para superar isso''. Mesmo tendo enfrentado a doença, o rapper tem um olhar cauteloso sobre futuras vacinas e desenvolve teorias da conspiração.

“Essa é a marca da besta. Eles querem colocar fichas dentro de nós, querem fazer todo tipo de coisa, para chegar onde não podemos atravessar os portões do céu.”

Kanye ainda apontou outros projetos que pretende tocar caso chegue à Casa Branca. Em relação à política externa, ele afirma que ainda não desenvolveu um projeto, mas que está “focado em proteger a América, primeiro, com nossos grandes militares”.

O rapper de 43 anos explicou que é contra a pena de morte utilizando o versículo bíblico “não matarás” e também disse que é “pró-vida”, ou seja, contrário ao aborto. Ele também criticou os democratas, insinuando que o partido prega uma segregação racial ao “dizer que todos os negros precisam ser democratas e assumir que eu concorrer é dividir os votos”.

Críticos ao posicionamento de Kanye West afirmam que o “lançamento” de sua candidatura é mais uma de suas jogadas para se manter na ordem dos assuntos do dia. Na última semana, sua marca de roupas, a Yeezy, anunciou uma parceria de 10 anos com a Gap. Além disso, o rapper lançou a música Wash us in the blood em parceria com Travis Scott.

No clipe, ele conta com a presença de diversas personalidades negras, além de exibir imagens que exemplificam a brutalidade da polícia nos Estados Unidos. Se a candidatura é pra valer ou não, o tempo dirá.


CINCO VEZES EM QUE KANYE CAUSOU

A Paixão de Kanye West
Recém-saído do sucesso Jesus walks, de 2004, o rapper estampou a capa da revista Rolling Stone representando Jesus Cristo. Na foto, ele aparece com uma coroa de espinhos e provoca: ''Vocês querem que eu seja maior, mas não me deixam dizer que sou o maior?''.

(foto: Gary Hershorn/AFP)
(foto: Gary Hershorn/AFP)

“Vou deixar você terminar...
Em 2009, durante o Video Music Awards, Kanye West roubou a cena ao interromper o discurso de Taylor Swift, que agradecia o prêmio de Melhor Videoclipe Feminino por You belong with me. Kanye não se conformou com o fato de Beyoncé, que concorria com Single ladies, não ter vencido.

“Escravidão foi uma escolha”
Em 2018, em entrevista ao TMZ, ele afirmou que a escravidão de negros nos EUA “foi uma opção”. “Quando você ouve que a escravidão durou 400 anos, me parece que foi uma escolha.” O repórter Van Lathan rebateu ao vivo: “Enquanto você está fazendo música e vivendo a vida que você merece por ser um gênio, o resto de nós precisa lidar com a marginalização que resultou desses 400 anos de escravidão”.

Inocentando Bill Cosby
Em fevereiro de 2016, Kanye escreveu no Twitter: “Bill Cosby é inocente”. Posteriormente, o ator, alvo de múltiplas acusações de abuso sexual, foi condenado por ter drogado e molestado uma mulher, em 2004. Na época, o rapper estava no auge dos comentários polêmicos e, coincidentemente, dias depois lançou o álbum The life of Pablo.

(foto: SEBASTIAN SMITH/AFP)
(foto: SEBASTIAN SMITH/AFP)

“Trump é meu irmão”
Após a eleição de Donald Trump, Kanye se referiu ao presidente americano como “meu irmão” e disse  que ambos têm a “energia do dragão”. Depois disso, os dois já protagonizaram alguns encontros oficiais e, em um deles, Kanye vestia o boné com o slogan da campanha do magnata: Make America great again.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade