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Estado de Minas ORGULHO LGBT

Filme 'As cores do divino' discute fé, sexualidade e preconceito

Documentário de Victor Costa Lopes mostra os desafios enfrentados por integrantes de várias religiões da comunidade LGBT no Ceará. Longa será exibido neste sábado, no canal da Embaúba Filmes


postado em 27/06/2020 04:00

Católico fervoroso, Leo da Silva se considera mulher e faz questão de assumir esta identidade(foto: Fotos: Embaúba Filmes/divulgação)
Católico fervoroso, Leo da Silva se considera mulher e faz questão de assumir esta identidade (foto: Fotos: Embaúba Filmes/divulgação)
Leo da Silva é de uma família muito rígida, católica. Seus padrinhos de batismo são Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e São Francisco, prática comum no sertão cearense. Um dos irmãos teve câncer e o médico sugeriu a amputação de uma das pernas. Leo fez várias promessas, uma delas vestir marrom durante todo o mês de outubro. O irmão se curou, sem qualquer intervenção cirúrgica. E Leo segue a vida, rezando para os muitos santos que tem em casa. Leo nasceu homem, mas se considera mulher. Não há dúvidas quanto a isso.

As cores do divino, primeiro documentário em longa-metragem do cearense Victor Costa Lopes, investiga a relação entre fé, espiritualidade, religião e sexualidade. Inédito, o filme será lançado neste sábado (27), com exibição no YouTube seguida de live com o realizador e entrevistados. Em celebração ao Dia do Orgulho LGBT, no domingo (28), sua distribuidora, a mineira Embaúba Filmes, começa a exibi-lo gratuitamente, a partir de amanhã, durante duas semanas, em seu próprio site.

A evangélica Karine Queiroz se apaixonou por uma mulher e abandonou a igreja que frequentava
A evangélica Karine Queiroz se apaixonou por uma mulher e abandonou a igreja que frequentava
CEARÁ 

Leo é um dos nove personagens que Victor e sua equipe entrevistaram para o documentário. São todos cearenses e pessoas de muita fé. No grupo LGBT há católicos, umbandistas, espíritas, evangélicos. Nas conversas, eles revelam a descoberta da fé, da sexualidade e sua relação com a religião ou doutrina que escolheram.

Há histórias de intolerância, mas que depois tiveram um final feliz. Evangélica, Karine Queiroz se apaixonou e iniciou uma relação com uma mulher da mesma igreja. A pastora descobriu e revelou o relacionamento à família dela. Karine deixou a igreja que frequentava, mas obteve plena compreensão e aceitação dos parentes.

“Nunca fui uma pessoa religiosa, mas nunca tive nada contra. Tinha a inquietação pessoal de tentar entender por que, apesar da violência que algumas instituições religiosas propagam, as pessoas LGBT permaneciam nelas. Queria entender como conseguiam manter a fé”, comenta Victor.

Tal investigação é feita por meio de entrevistas. A partir de pesquisa prévia, a equipe chegou aos entrevistados, pessoas de diferentes realidades socioeconômicas.

“A fé que elas têm é pautada por certa racionalidade. Em algum momento de sua vida, essas pessoas foram confrontadas por serem LGBT. A partir do momento em que isso ocorre, a fé vem de forma mais forte. É interessante a relação com a religiosidade, pois ela é marcada por muito amor, para além das questões dogmáticas”, diz Victor.

As cores do divino foi criado unicamente com entrevistas. Quase não há respiros. “Queria um filme de relatos em que as pessoas se apropriassem de suas próprias histórias. Para mim, o grande desafio foi conseguir que as conversas fossem longas o suficiente para que houvesse desdobramentos. Mas ninguém pretende dar a palavra final sobre o assunto”, conclui o diretor.

LGBT NA TELINHA

>> Tomboy
Neste sábado (27), às 16h45, 
no Telecine Cult
Produção francesa dirigida por Céline Sciamma. Menina de 10 anos decide assumir, em segredo, a identidade de menino para manter uma nova amizade.

>> Rafiki 
Neste sábado (27), às 18h15, no Telecine Cult
Produção do Quênia dirigida por 
Wanuri Kahiu. Duas jovens, amigas inseparáveis, começam um 
intenso relacionamento, desafiando 
as leis de seu país, que criminaliza a relação homossexual.

>> Toda forma de amor 
Domingo (28), às 15h25, no Telecine Touch
Dirigido por Mike Mills, com Ewan McGregor e Christopher Plummer, o drama acompanha a relação de um filho 
e seu pai, que, morrendo de câncer, se assume gay aos 75 anos.

>> Me chame pelo seu nome
Domingo (28), às 17h15, no Telecine Touch
Vencedor do Oscar de roteiro adaptado, o filme de Luca Guadagnino acompanha a relação de um jovem com um professor no verão da Itália dos anos 1980.

>> O segredo de Brokeback Mountain
Domingo (28), às 19h40, no Telecine Touch
Vencedor de três Oscars, o filme de Ang Lee fez história ao acompanhar o relacionamento afetivo de dois caubóis ao longo de décadas no interior dos EUA.

>> O pecado de ser gay 
Domingo (28), às 22h10, no Lifetime
Baseado em um caso real, acompanha a história de uma jovem lésbica de 15 anos enviada pelos pais para um campo de conversão para tentar se “curar” da homossexualidade.

>> Transhood
Terça (1º/7), às 20h15, na HBO
O documentário de Sharon Liese acompanha, durante cinco anos, quatro crianças e adolescentes trans de Kansas City.

AS CORES DO DIVINO
O documentário será lançado neste sábado (27), às 19h, no canal da Embaúba Filmes no YouTube. Na sequência, haverá live com parte da equipe e dos personagens do filme. A partir de domingo (28), o filme será disponibilizado gratuitamente no site www.embaubafilmes.com.br durante duas semanas.


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