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Estado de Minas MUSICAL

'Hamilton' estreia com novo fôlego na Disney+

Adaptação do sucesso da Broadway ganha outra conotação depois da onda de protestos contra o racismo provocada pelo Caso George Floyd


postado em 27/06/2020 04:00

Leslie Odom Jr. interpreta Aaron Burr, o vice-presidente dos EUA que matou Alexander Hamilton (Lin-Manuel Miranda) num duelo(foto: Disney /divulgação)
Leslie Odom Jr. interpreta Aaron Burr, o vice-presidente dos EUA que matou Alexander Hamilton (Lin-Manuel Miranda) num duelo (foto: Disney /divulgação)

Hamilton chega à plataforma Disney+, com sua inovadora mistura de rap e elenco multiétnico, para contar a história da fundação dos Estados Unidos neste momento em que o país se mobiliza em profunda reflexão sobre o racismo.

A versão filmada do aclamado musical da Broadway estará disponível para assinantes do serviço de streaming a partir de sexta-feira (3). Com as salas de cinema fechadas devido à pandemia, o longa é uma oportunidade de conferir a produção original, que ganhou 11 prêmios Tony em 2016.

Quatro atores e atrizes negros venceram nas primeiras categorias. Isso ocorreu pela primeira vez na história do Tony, considerado o Oscar do teatro dos EUA. Hamilton arrecadou cerca de US$ 1 bilhão em todo o mundo.

FLOYD

Americano de origem porto-riquenha, Lin-Manuel Miranda, o criador de Hamilton, se empolga com a influência do musical na onda de protestos que se seguiu à morte do segurança negro George Floyd, asfixiado por um policial branco. A violência ocorreu em 25 de maio, na cidade norte-americana de Minneapolis.

“Quando vejo uma faixa em protesto de rua que diz 'A história está voltada para você' ou 'Amanhã haverá mais de nós', sei que a linguagem do musical se conecta de tal maneira que me faz sentir incrivelmente orgulhoso”, afirmou Miranda, referindo-se a duas canções do programa de Hamilton.

O musical conta a história de Alexander Hamilton e de outros fundadores dos Estados Unidos por meio da visão moderna de um país multiétnico, onde rap, blues, jazz e hip-hop se mesclam à música tradicional americana.

Desde sua estreia na Broadway, há cinco anos, versões de Hamilton foram apresentadas em vários pontos dos Estados Unidos e também no exterior – boa parte delas com atores não brancos.

Para Renée Elise Goldsberry, integrante do elenco original, a mensagem da peça, defendendo que se arrisque tudo por uma causa justa, chega em momento oportuno.

“A diversidade deste país (os EUA) pode ser reivindicada por todas as pessoas que o criaram. Essa é uma das muitas coisas que o show celebra, algo muito necessário agora”, diz Goldsberry, que interpretou Angelica Schuyler, a cunhada de Hamilton.

O filme chega à Disney no momento em que estátuas e monumentos históricos associados ao racismo vêm sendo removidos ou derrubados em várias regiões dos Estados Unidos. Okieriete Onaodowan, ator de Hamilton, se emociona ao constatar como essa movimentação tem afetado a juventude negra.

“Os jovens que estão por aí, chateados e com raiva, percebem que podem drenar suas energias por meio da escrita, desafiando as pessoas que estão dizendo coisas que você não gosta de ouvir. Assim como Hamilton fez”, afirma Onaodowan, que interpreta os personagens Hercules Mulligan e James Madison.

Desde a estreia, em janeiro de 2015, Hamilton se tornou popular nos Estados Unidos, entre elogios nas mídias sociais e de celebridades como a família do ex-presidente Barack Obama. Michelle Obama, então primeira-dama, afirmou: “Foi a melhor obra de arte que já vi na vida”.

O ator e rapper Daveed Digs faz o papel de Thomas Jefferson, presidente dos EUA(foto: Disney /divulgação)
O ator e rapper Daveed Digs faz o papel de Thomas Jefferson, presidente dos EUA (foto: Disney /divulgação)

INFLAÇÃO

O imenso sucesso fez com que os preços dos ingressos subissem rapidamente, com entradas revendidas por milhares de dólares. “Sempre dissemos que queríamos democratizar o acesso do público à peça”, pondera Lin-Manuel Miranda, referindo-se ao filme. Ele faz o papel do protagonista Alexander Hamilton.

“As pessoas não podiam pagar o ingresso”, relembra Daveed Diggs, ator e rapper que interpreta o Marquês de Lafayette e Thomas Jefferson. “Como empresa e como entidade, estávamos em constante batalha com o mercado de revenda”, enfatiza.

O diretor Thomas Kail filmou a peça em três dias, em junho de 2016, na Broadway. O filme combina duas apresentações ao vivo, com câmeras colocadas entre e acima da plateia, e outra realizada a portas fechadas. Nessa última, havia uma câmera fixa no palco e outra instalada na grua, com o propósito de transmitir a sensação de proximidade entre personagens e espectadores. “Não se trata apenas de assistir ao show. É outra experiência”, acredita Kail. (AFP)

(foto: National Portrait Gallery/reprodução)
(foto: National Portrait Gallery/reprodução)

ÍCONE DA AMÉRICA

Alexander Hamilton (1755-1804, foto) é considerado o “pai da indústria” dos Estados Unidos. Nascido em família humilde nas Antilhas, era autodidata, estudioso de matemática, ciências naturais e história. Cursou o King's College (futura Universidade de Columbia), escreveu ensaios em defesa da independência. Capitão de artilharia, lutou na Guerra da Independência e se tornou fiel escudeiro de George Washington. Advogado, suas ideias influenciaram fortemente a Constituição dos EUA, elaborada no fim do século 18. Foi secretário do Tesouro, defensor da industrialização e político combativo. Integrante do Partido Federalista, morreu num duelo, alvejado por Aaron Burr, vice-presidente dos Estados Unidos no governo Thomas Jefferson e membro do Partido Democrata-Republicano.


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