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Estado de Minas DIVA POP

Lady Gaga coloca o mundo pra dançar enquanto ele acaba

'Chromatica', o sexto álbum de estúdio da cantora, lançado nesta sexta (29), trata de temas sérios, mas retoma a sonoridade festiva


postado em 30/05/2020 04:00 / atualizado em 31/05/2020 17:37

Nas 16 canções do novo trabalho, Gaga aborda temas como a saúde mental e volta ao registro sonoro que a tornou famosa(foto: Interscope Records/divulgação)
Nas 16 canções do novo trabalho, Gaga aborda temas como a saúde mental e volta ao registro sonoro que a tornou famosa (foto: Interscope Records/divulgação)
Tamanho é o burburinho gerado em torno da chegada de Chromatica, sexto disco de estúdio de Lady Gaga, lançado nesta sexta-feira (29), que é fácil se esquecer de que já se passou mais de uma década desde que ela surgiu como grande novidade da música. Naquela época, a então jovem cantora e compositora nova-iorquina, estranha na medida, conquistou um lugar tão cativo que foi capaz de relançar seu disco de estreia, The fame (2008), adicionando ao título a palavra "monster" e incluindo oito faixas inéditas, entre elas as hoje clássicas Bad romance, Telephone e Alejandro.

Considerando os elementos country de Joanne (2016) – seu álbum anterior – e o sucesso internacional da trilha sonora do filme Nasce uma estrela (2018), com o qual ela conquistou o Oscar de melhor canção original (Shallow), era difícil imaginar qual a direção que a Gaga de 2020 poderia tomar.

O arranjo orquestral da primeira música do novo disco, intitulada Chromatica I, mostra um pouco do que tem passado pela cabeça da estrela pop. Presente ainda em outros dois momentos no disco, sob os títulos Chromatica II e Chromatica III, essas faixas funcionam como uma cortina que se abre e fecha ao longo do álbum, dividindo-o em atos que provam o retorno da cantora ao eurodance teatral que a fez famosa.

Ao longo de suas 16 faixas, Chromatica é puro exagero. Cada música emula temas que vêm sendo discutidos por Gaga nos últimos anos, como empoderamento e saúde mental, sem deixar de ser dançante e otimista. É como se ela estivesse dando uma grande festa, enquanto o mundo acaba – algo que dialoga bastante com o momento atual, ainda mais quando se leva em conta que o disco estava marcado para sair, originalmente, em 10 de abril, mas foi adiado para ontem devido à pandemia do novo coronavírus.

Sendo assim, é interessante pensar o quanto músicas como Fun tonight, Plastic doll e 1000 doves fazem um retrato de sua compositora, no qual ela trata de assuntos sérios com bom humor e leveza, o que também ocorre em Free woman, quando ela afirma que continua tendo valor, mesmo sem um homem a seu lado.

PIANO 

Em seus discos anteriores, Lady Gaga insistia em incluir baladas adocicadas que, na maioria das vezes, produziam uma quebra de expectativa, talvez com o objetivo de mostrar suas habilidade ao piano – vide a estranha Dope, do igualmente estranho e incompreendido Artpop (2013).

Em Chromatica, ela não apela para essa estratégia e entrega 43 minutos sem diminuir o ritmo, até mesmo na parceria com Elton John em Sine from above, que explode em sons eletrônicos depois do primeiro refrão. As outras duas parcerias do disco, com a outra estrela pop Ariana Grande em Rain on me e o girl group sul-coreano BLACKPINK em Sour candy, fazem jus ao hype que trouxeram ao disco.

Divulgadas dias antes do lançamento, as canções certamente são promessas para o verão no hemisfério Norte e cumprem o papel de reintroduzir o trabalho de Gaga para as novas gerações, ainda que as músicas sejam claramente construídas para trazer bons números para o disco. Chromatica ainda guarda bons momentos na inserção esperta de Enigma – nome da residência que Lady Gaga realizou em Las Vegas entre o fim de 2018 e o início de 2020 – e Babylon, que vem sendo testada pela cantora desde o lançamento de sua própria linha de cosméticos, a Haus Laboratories.
 
Os pontos altos estão em três canções indispensáveis para compreender o conceito do disco: Alice, 911 e Replay. A primeira faz referência direta à personagem de Lewis Carroll e é a prova de que a cantora não deixou de sonhar. A segunda é positivamente a mais experimental do disco e começa com uma transição impressionante com o fim de Chromatica II. A terceira traz versos viciantes e será um desperdício se não for trabalhada como single.

Chromatica não traz nada que nunca se tenha ouvido antes, inclusive da própria Gaga, mas é difícil pensar em um álbum pop dos últimos tempos que consiga sustentar um nível tão alto de qualidade e energia - sem contar a relevância. Mais de 10 anos depois de ter entrado em cena com sua inconfundível excentricidade, Gaga finalmente lança um disco digno do trabalho que a colocou no mapa.


CHROMATICA
. Lady Gaga
. Universal Music
. Disponível nas plataformas digitais




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