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Estado de Minas CONFINADA

'Tenho lavado muita louça', diz Rosanna Arquette

Atriz, que está em quarentena em sua casa em Los Angeles, exalta a solidariedade entre os cidadãos e critica o modo como o governo Trump lida com a crise


postado em 26/05/2020 04:00


"É extraordinário quantas pessoas estão se unindo e ajudando as outras", diz a atriz Rosanna Arquette sobre o mundo atual durante a pandemia do novo coronavírus. Confinada em sua casa em Los Angelas, a atriz de Procura-se Susan desesperadamente e Pulp fiction e também ativista do movimento #MeToo, pela erradicação do assédio no ambiente de trabalho, falou sobre o impacto que a crise sanitária gerou em sua vida e suas perspectivas para a fase pós-pandemia.

Qual tem sido sua atividade favorita durante essa crise?
Estou me metendo muito na cozinha, cozinho muito e não desperdiço nada. Por alguma razão, tenho um dom para juntar coisas com um sabor muito bom. É algo relaxante e que faz você se sentir bem. Passei muito tempo em restaurantes durante anos. Ser capaz de cozinhar para meu marido e minha filha tem sido realmente bom. Venho lavando muita louça, limpando a casa, lavando roupa, tem sido ótimo. Não reclamo, parece real, o que supõe que devo fazer.

O que a pandemia lhe ensinou?
Minha impaciência, aprender que sou realmente impaciente. Sinto muita tristeza com alguns assuntos e aprendi a aceitar as coisas dentro de mim e com os outros, a ter paciência com os outros e a perdoar, deixar o ressentimento ir. Tudo isso. Hoje visto essa camisa, que diz Coragem... a coragem de mudar. Esse é um aspecto espiritual na vida, a coragem para mudar, que acredito que todos precisamos neste momento.

Como a pandemia nos mudou?
É extraordinário quantas pessoas estão se unindo e ajudando as outras. Todos fazendo máscaras, enviando para as pessoas, estamos vendo a comunidade se unir, em uma verdadeira irmandade. Acho que isso nunca vai acabar, o mundo nunca mais será o mesmo depois disso. Estados Unidos nunca mais será o mesmo depois disso. Não voltaremos aos velhos hábitos.

Quais soluções gostaria de ver depois do fim da pandemia?
Estamos vendo que os grandes capitais governam tudo e isso certamente continuará, mas muitos seres humanos estão vendo que isso não é justo, que é injusto em todos os níveis. E acredito que os jovens serão motivados a sair para votar e vamos nos livrar dessas pessoas no governo, que é tão fascista.

Como a pandemia afetará a indústria do entretenimento?
Acho que o streaming será o novo caminho. Assim como foi para a música, está acontecendo com os filmes e a televisão. Sei que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acaba de mudar (as regras para o próximo Oscar) para permitir que filmes estreados em streaming sejam elegíveis. Isso está começando a acontecer, de modo lento, mas seguro. Adoro assistir a um filme no cinema e tenho certeza de que muita gente também, mas você se sente seguro?

Quais líderes estão lidando melhor com a crise?
Temos administrado isso muito mal nos Estados Unidos. Não temos um presidente incrível como (a primeira-ministra Jacinda) Ardern na Nova Zelândia. Aqui, está sendo administrado de maneira tão terrível que agora se espalhará e matará acho que milhões. É assustador... As mulheres são poderosas, inteligentes e são mães. Possuem um instinto natural de proteger e de cuidar.

Como afetará o #MeToo?
Vejo um grande esforço para acabar com ele, questioná-lo, isso acontece a cada minuto. Mas sempre escutarei qualquer sobrevivente que sinta que foi abusada e violada, creio que é preciso investigar a fundo... E vou votar por (Joe) Biden (candidato democrata à eleição presidencial de novembro, recentemente acusado de agressão sexual). As pessoas se sentem ameaçadas pelo movimento #MeToo, que fez muitas coisas boas, grandes coisas, que permitiu que as pessoas falassem e fossem ouvidas. Vamos torcer para que cada ser humano aprenda algo disso e seja melhor do que antes. (AFP)


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