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Estado de Minas

Clar a Lima vai à luta durante a quarentena e promete um clipe por mês

Rapper mineira acaba de lançar o single 'V.B.S V.B.D', parceria dela com os fãs. Radicada em São Paulo, diz que experimenta nova fase em sua carreira, 'mais coração e sentimento'


postado em 19/04/2020 04:00

(foto: Daniel Assis/divulgação)
(foto: Daniel Assis/divulgação)
 

É totalmente diferente de tudo que lancei antes. E a galera tá curtindo e compartilhando

Clara Lima, rapper


Fernanda Gomes

Até o final do ano, lançar um single e um videoclipe por mês. Esta é a meta de Clara Lima. “Estou quebrando a cabeça para saber como produzir”, confessa a cantora e rapper mineira, de 20 anos. Apesar da impossibilidade de reunir a equipe por causa do isolamento social, Clara garante: não vai desistir. “A gente faz de casa mesmo, com celular e interagindo com o público.”

O primeiro clipe chegou ao YouTube e às plataformas digitais no último dia 10. V.B.S V.B.D foi criado com a ajuda dos fãs, que gravaram vídeos dançando e enviaram para ela. Clara se inspira na rapper americana Young M.A. “Ela é minha maior referência. Até as trancinhas dela são parecidas com as minhas”, comenta.

O maior desafio é produzir canções e vídeos sem ter contato pessoal com os parceiros e colaboradores. “É totalmente diferente de tudo que lancei antes. E a galera tá curtindo e compartilhando”, comemora.

V.B.S V.B.D marca a nova fase da carreira da rapper. “Estava superansiosa para saber o que achariam. As pessoas me conheciam por ter essa marra... Mas agora é um bagulho mais coração e sentimento.”

Assim como Selfie, lançada no final de 2019, a novidade é mais melódica. “Quando eu vim para São Paulo, conheci várias pessoas que admirava. Essa vivência está me ajudando a mudar”, revela.

Clara mora há cerca de um ano na capital paulista, depois de fechar contrato com a gravadora de rap Ceia Ent. “Me mudei para uma casa nova, ainda estou ajeitando as coisas”, diz, ao falar de sua rotina na quarentena. Ela enfrenta o isolamento social ao lado da namorada, Mariana Clara. “Está sendo entre tapas e beijos”, brinca. “Mas é bom, porque quem está passando sozinho deve estar sofrendo um pouco mais.”

DUELO 

Moradora do Bairro Ribeiro de Abreu, na Região Nordeste de BH, Clara começou a fazer rap aos 14 anos. Logo se destacou nas batalhas de rimas. Em 2015, aos 16, foi finalista do Duelo de MCs nacional, realizado debaixo do Viaduto de Santa Tereza. Um um dos talentos do coletivo DV Tribo, ao lado de Djonga, FBC e Hot & Oreia, a mineira está entre os destaques da nova geração do rap brasileiro.

DV Tribo foi desfeito em 2018, quando os integrantes passaram a se dedicar à carreira solo. “A gente tá sempre se falando e trocando ideias. Mas, pelo menos por agora, não temos ideia de voltar”, revela.
Língua afiada nos duelos, em que oponentes improvisam as rimas sob aplausos ou vaias do público, Clara não se dedica mais a essa modalidade. “Parei de batalhar há muito tempo. A batalha foi o meu primeiro passo, abriu as portas para mim”, diz.

Quando começou a duelar, as equipes eram compostas principalmente por homens. Clara jamais se curvou ao machismo do hip-hop. “Tive a sorte da Família de Rua me abraçar desde o início”, conta, referindo-se ao coletivo que promove o Duelo de MCs . “Sempre foi assim, sete meninos e eu de menina. Está melhorando, mas ainda tem muito a melhorar. Para as minas que vieram antes de mim deve ter sido mais difícil. Espero que para quem vier agora seja mais fácil. A gente é foda”, diz.

Um pouco da trajetória dessa mineira está em Selfie – o documentário, dirigido por Rasputines, lançado em março. “É sempre bom relembrar a nossa base, a nossa raiz. Foi uma caminhada longa, seis anos, cada degrau foi feito com muito amor e carinho”, afirma. O minidocumentário está disponível na página da Ceia Ent no YouTube.

Selfie não é o primeiro filme de Clara. Em 2017, o curta Nada, protagonizado por ela, dirigido por Gabriel Martins e assinado pela produtora Filmes de Plástico, foi exibido no Festival de Cannes, na França. “Foi chique demais! Na verdade, nem sabia o que era Festival de Cannes. Fiquei sabendo quando contei para minha mãe e ela foi pesquisar o que era”, diverte-se.

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria 









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