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Estado de Minas ARTES VISUAIS

Galerias de arte fechadas, mas as vendas não param

Com restrição de funcionamento por causa da pandemia de coronavírus, marchands recorrem ao atendimento on-line para manter os negócios em Belo Horizonte


postado em 30/03/2020 04:00 / atualizado em 27/03/2020 23:21

Cenário anterior à COVID-19, com clientes nas salas da dotART: agora, vale o suporte a distância(foto: Dotart/divulgação)
Cenário anterior à COVID-19, com clientes nas salas da dotART: agora, vale o suporte a distância (foto: Dotart/divulgação)

Mais do que nunca, trabalhar em modelos alternativos é preciso, mesmo em período de crise. E não tem sido diferente para as galerias de arte de Belo Horizonte. De portas fechadas por causa das medidas restritivas em função do coronavírus, o jeito foi buscar outra maneira para vender obras, como o regime remoto. Interessados podem ver as peças por meio das redes sociais e demandar o negócio.

De acordo com vários proprietários, tal operação vem dando bons resultados, apesar dos efeitos da pandemia. Algumas casas paulistas já estão fazendo até leilões on-line. Os marchands garantem que os preços continuam estáveis e o investimento, atraente. Naturalmente, podem subir ou descer após a tormenta. por enquanto e pode ser que subam ou caiam, assim que passar o período.

Fundada em 1990 pela colecionadora e galerista Celma Albuquerque, morta em 2015, e hoje dirigida pelos filhos dela, Flávia e Lúcio Albuquerque, a Galeria Celma Albuquerque é uma das pioneiras de BH, com papel importante na exibição, circulação e comercialização da produção de autores mineiros.

Os irmãos inauguraram recentemente uma filial em Brasília, também fechada momentaneamente por determinação pública. “O jeito é esperar passar essa crise”, lamenta Flávia. Porém, ela ressalta que as duas unidades continuam operando on-line. “Tivemos de reduzir nossa equipe, mas continuamos operando normalmente via telefone e redes sociais”.

Ela diz ter vários itens à venda. “Neste momento de incerteza econômica, muito se fala que o mercado de arte vai acabar, o que não é verdade, muito pelo contrário. Porém, nesse caso do coronavírus, as pessoas estão um pouco assustadas, porque é uma situação que envolve a saúde. Mas muita gente no Brasil e no mundo não será atingida financeiramente e continuará investindo em obras de arte”, prevê.

Ela ressalta que tem recorrido muito a postagens virtuais, com depoimentos de artistas e fotos de trabalhos. “Liberei meus funcionários para trabalhar de suas residências. Criamos um grupo de WhatsApp e a gente se fala diariamente, além de postar exposições e imagens dos artistas nas redes sociais”.

REMOTO

Flávia explica que, caso o cliente queira ser atendido virtualmente, não há problema. “A galeria não está aberta, mas meus funcionários estão trabalhando ativamente de casa. Podemos mandar fotos das obras. Investir em arte é sempre seguro e bom negócio, mas desde que a pessoa compre bem. Que compre de um artista que tenha um bom projeto, uma boa pesquisa”.

O bom investimento, observa, não seria somente por causa dessa crise. “Realmente, é um investimento certeiro quando a pessoa é bem orientada. Continuamos trabalhando muito, mas de casa. É uma maneira de contribuir e para fazer a máquina funcionar”.

A marchand não crê em alteração pontual no preço das obras agora. “É uma questão de oferta e procura. Para o interessado em comprar é um bom momento, não porque as obras estejam mais baratas, mas porque poderá ocorrer até uma melhor forma de negociação”, analisa.

Já os valores seguirão estáveis, ainda que em baixa, favoráveis ao comprador. “Como as vendas diminuíram, melhoraram as condições de negócio. Porém, o preço das obras continua o mesmo. Não irão se valorizar nem se desvalorizar somente por causa do momento atual”.

Lucienne Amantéa, da Firenze, com a artista Yara Tupynambá: %u201CObras estão saindo bem on-line%u201D(foto: Arquivo pessoal)
Lucienne Amantéa, da Firenze, com a artista Yara Tupynambá: %u201CObras estão saindo bem on-line%u201D (foto: Arquivo pessoal)

Ainda sem sentir
os efeitos da crise


Para a marchand Lucienne Amantéa Ferreira, proprietária da Galeria Firenze, fundada há cerca de 50 anos, a arte demora um pouco mais a sentir efeitos de crise. “Não sei se as pessoas que investem têm poder aquisitivo melhor, se bem que há obra para todo tipo de bolso. Desde uma gravura para enfeitar o escritório até uma obra mais cara”. Ainda que aposte na 'resistência' de valor para a arte, ela admite o quadro de incerteza. “Não sabemos como vai ser. Não temos um panorama firmado ainda”.

Lucienne também prevê que nesse período o valor das obras permanecerá estável, mas antevê indefinição após a crise. “Não sei se as pessoas vão segurar suas obras ou se vão correr e comprar com medo de subir muito depois. Só o tempo dirá”.

A especialista ressalta que, em qualquer cenário, a arte tem sempre mercado. Antes da pandemia, os negócios iam bem e, naturalmente, tiveram uma retraída. Ainda assim, ela diz que a movimentação é positiva. “Por enquanto, continuamos as vendas on-line e não podemos reclamar. As obras estão saindo bem”.

A Firenze também trabalha com leilões, mas ainda não definiu se recorrerá às ofertas on-line. “Estamos pensando qual a melhor maneira: colocar on-line ou mandar imprimir o catálogo, o que não é barato. Mas acredito que neste momento não vale a pena arriscar. Tudo dependerá do que o governo irá falar sobre o período em que teremos de continuar com a galeria fechada. Por outro lado, estamos entrando em contato com as pessoas e fazendo vendas on-line, que é o melhor caminho no momento. Essa crise pegou todos de surpresa e se o país não voltar à sua normalidade, será muito difícil”, analisa.

Lucienne observa que o mercado vinha muito bem. “Ele havia caído um pouco na época do impeachment de Dilma Rousseff. De lá para cá, veio melhorando devagarzinho. Não está como há alguns anos, mas não posso reclamar. Sempre temos comprador, principalmente para as obras mais caras”.

Enquanto isso, as vendas virtuais prosseguem. “Quando fechamos a galeria, tínhamos várias obras expostas. Até alguns compradores já sinalizaram que ficarão com algumas delas. Estamos tentando vendê-las on-line. As obras estão expostas também nas redes sociais. No contato pelo telefone ou redes sociais, damos todo o suporte”.

Na Celma Albuquerque, obras de Amilcar de Castro: marchands não preveem oscilação de preços (foto: Galeria Celma Albuquerque/divulgação)
Na Celma Albuquerque, obras de Amilcar de Castro: marchands não preveem oscilação de preços (foto: Galeria Celma Albuquerque/divulgação)

Momento é bom 
para compradores

Em sua segunda geração, a dotART Galeria de Arte foi criada há 40 anos e hoje tem no comando a marchand Leila Gontijo. Para o diretor Wilson Lázaro, a saída no momento é manter as vendas on-line “O mercado está sempre aquecido. As pessoas continuam investindo em arte. Acredito que, passado este momento, o mercado se aquecerá mais ainda”, prevê, ainda que admita o exercício de futurologia.

Ele acredita que este período de incerteza mundial servirá como motivo de reflexão para qualquer setor ou pessoa. “É preciso repensar como cuidar do cliente, do colecionador, do artista e não perder a esperança. Até na própria arte está acontecendo isso. O que valoriza o artista é como ele vê a trajetória dele, como ele vem trabalhando com as instituições e qual é o trabalho que estamos fazendo junto ao cliente”.

Um dos desafios tem sido o de funcionar como uma espécie de bússola. “Vamos continuar dando todo apoio aos clientes e artistas que estão na galeria. No momento, estamos oferecendo mais suporte do que vendas, passando informações de como os artistas estão se posicionando e como estão sendo as reações desse mercado. As previsões são de que isso tudo passará e o mercado voltará à sua normalidade, podendo até se aquecer ainda mais”, acredita.

Ele chama a atenção para a vocação de BH como reduto de colecionadores de arte. “Minas sempre teve bons clientes e grandes colecionadores, desde a época do Império”, ressalta. O diretor da dotART explica que para adquirir obras, basta ao interessado acessar as redes sociais da galeria. “Entrando em contato, daremos todo o suporte.Temos muita obra exposta e este é um bom momento de compra e de trocar informações”.


NA ATIVA


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