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Estado de Minas

Escritório de BH assume curadoria do Pavilhão do Brasil na 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza

Mostra italiana será realizada em maio e tem como tema 'Como viveremos juntos?'. Arquitetos Associados pretendem ressaltar contexto brasileiro


postado em 22/01/2020 04:00 / atualizado em 21/01/2020 18:12

André Luiz Prado, Carlos Alberto Maciel, Alexandre Brasil, Paula Zasnicoff e Bruno Santa Cecilia são sócios no estúdio Arquitetos Associados(foto: ANNA LARA/DIVULGAÇÃO)
André Luiz Prado, Carlos Alberto Maciel, Alexandre Brasil, Paula Zasnicoff e Bruno Santa Cecilia são sócios no estúdio Arquitetos Associados (foto: ANNA LARA/DIVULGAÇÃO)

Em atividade desde 1997, o estúdio Arquitetos Associados, de Belo Horizonte, vai responder pela curadoria do Pavilhão do Brasil na 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que tem início em 23 de maio. A previsão é que os nomes participantes da exposição sejam anunciados pela Fundação Bienal de São Paulo, responsável pela representação brasileira, no mês que vem.

O que se sabe, por ora, é que a mostra vai dialogar com o tema da exposição principal desta edição: How will we live together? (Como viveremos juntos?), proposta do curador geral Hashim Sarkis. “A proposição em si é uma provocação, pois hoje o contexto mundial é de conflitos em todas as instâncias, das fronteiras, das desigualdades sociais. Colocado isso, temos que pensar como a arquitetura pode redefinir o contrato social, para que possibilidades mais abertas possam ocorrer”, afirma Carlos Alberto Maciel, um dos sócios do estúdio.

Espaço colaborativo, em que seus integrantes atuam também em projetos individuais, em dupla ou coletivo, o Arquitetos Associados conta, atualmente, com cinco integrantes: Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília e Paula Zasnicoff, além de Maciel. Para a curadoria em Veneza, o grupo vai atuar com o designer visual Henrique Penha.“Nossa proposta ainda está em desenvolvimento, mas, no momento, a questão que se coloca mais premente é pensar como o tema pode ser abordado no contexto brasileiro. O Brasil tem uma peculiaridade, por ter se urbanizado no período de desenvolvimento econômico coincidente com o da arquitetura moderna. Todas as cidades brasileiras têm uma identidade comum, pois, quando seus centros estavam crescendo, havia uma pressão demográfica grande. Hoje, com as cidades consolidadas, há uma espacialização das diferenças e, talvez, a oportunidade de reduzi-las esteja em cima de novas ações, algo que não seja uma reprodução do que foi feito no século 20”, afirma Maciel.

''A questão que se coloca é pensar como o tema pode ser abordado no contexto brasileiro. O Brasil tem uma peculiaridade, por ter se urbanizado no período de desenvolvimento econômico coincidente com o da arquitetura moderna. Hoje, com as cidades consolidadas, há uma espacialização das diferenças e, talvez, a oportunidade de reduzi-las esteja em cima de novas ações, algo que não seja uma reprodução do que foi feito no século 20''

Carlos Alberto Maciel, arquiteto



TRANSFORMAÇÃO 

Para ele, é necessário repensar o modo como a arquitetura operou ao longo do último século. “Para pensar em como viveremos juntos, temos que ter o olhar do passado, aquele que construiu as cidades, com uma visão prospectiva de transformação.”

Projeto de 1959 dos arquitetos Henrique Mindlin e Giancarlo Palanti inaugurado em meados dos anos 1960, o Pavilhão do Brasil ocupa uma parte nobre do Giardini, uma das duas áreas onde ocorre a Bienal. “A ideia é dialogar com o tema colocado a partir da experiência brasileira, quase como uma segunda narrativa”, diz Maciel.

Em seus poucos mais de 20 anos de atividade, o Arquitetos Associados vem se destacando com projetos que pensam a interseção entre arquitetura e arte. O escritório assinou vários projetos do Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho. Entre eles, as galerias Claudia Andujar, Cosmococa, Miguel Rio Branco e o Centro Educativo Burle Marx. “Foi um aprendizado de uma década, que serviu quase como uma sequência de experimentos em que pudemos estabelecer diferentes tipos de colaboração com a curadoria e os próprios artistas”, comenta Maciel.

Além da experiência em Inhotim, ainda no campo das artes o escritório criou os projetos dos museus do Meio Ambiente, no Jardim Botânico, e o de Arte Popular da Casa do Pontal, ambos no Rio de Janeiro, e assina também a ampliação da Pinacoteca do Estado de São Paulo.


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