Publicidade

Estado de Minas

Pixies lança podcast e aposta em novo som no disco 'Beneath the eyrie'

Ícone do indie rock, banda americana mantém o gosto pela experimentação em seu último álbum. Turnê mundial começa em fevereiro, mas ainda não há datas no Brasil


postado em 20/01/2020 04:00

Pixies faz turnê mundial a partir de fevereiro, mas ainda não há datas no Brasil(foto: nfectious/BMG/reprodução)
Pixies faz turnê mundial a partir de fevereiro, mas ainda não há datas no Brasil (foto: nfectious/BMG/reprodução)

 
Desde que a americana Pixies voltou ao estúdio depois do processo sabático de mais de duas décadas, a banda encontrou dificuldades para reencontrar sua própria voz. As saídas de Kim Deal, a icônica baixista que ajudou a definir as bases do indie rock da década de 1990 em diante, e depois a de Kim Shattuck (sua substituta, que durou apenas um ano no Pixies), foram apenas alguns dos problemas enfrentados pela banda, que ainda deu um jeito de lançar os álbuns Indie Cindy (2014) e Head carrier (2016).
 
Em 2019, já com Paz Lenchantin, a baixista argentina que se juntou a Black Francis e Joey Santiago (vozes e guitarras) e David Lovering (bateria), o Pixies lançou Beneath the eyrie, o projeto mais consistente desde seu retorno ao cenário global. Coincidência ou não, é o que mais se parece com o estilo do grupo nos primórdios: guitarras espaçosas, abertas a experimentações que resvalam em diversos ritmos, uma costura única nas transições entre refrões, versos e letras basicamente non sense.
 
“Não tínhamos intenção de soar como soávamos no começo da banda”, explica Joey Santiago. De acordo com ele, a ideia era simplesmente que o álbum não fosse “uma merda”. “E ele não é, sei que não”, ri. “A essa altura, já não estamos na condição de fazer um álbum realmente ruim”, completa, sem modéstia. “Sempre vai haver uma característica redentora.”
 
Aos 54 anos, Joey Santiago é responsável por boa parte da experimentação que o Pixies empreendeu numa época em que a guitarra era o instrumento dominante. “Mas ainda quero explorar novos sons. Há um número infinito de sons que podem sair de uma guitarra. Há 12 notas, mas possibilidades infinitas”, diz. Joey está convicto de que a guitarra vai permanecer no cenário da música popular “simplesmente porque é um dos instrumentos mais expressivos que existem”.
 
Com efeito, o guitarrista explorou novos sons em Beneath the eyrie. É o caso da faixa Silver bullet, em que a “qualidade gótica” do disco fica bem clara. “A essa altura, tenho um som próprio. Não tentamos nenhum ‘detour’ (desvio). Temos sorte de ter um estilo para o qual sempre podemos apelar. Sempre queremos alcançar e soar como os Pixies”, enfatiza Santiago.

PODCAST Uma das novidades ligadas ao álbum é o It’s a Pixies Podcast . Disponível nas plataformas de áudio, ele compartilha, com riqueza de detalhes, o processo de gravação de Beneath the eyrie. A série de 12 episódios, narrada e produzida pelo jornalista britânico Tony Fletcher, traz entrevistas, demos e registros realizados no estúdio Dreamland Recordings, em Woodstock, Nova York.
 
A documentação em tempo real do processo de trabalho de uma das maiores bandas do mundo é interessante. “Tony foi uma mosca na parede”, conta Santiago. “A gente nem sabia que estava sendo gravado, depois de algum tempo. Havia pequenos microfones instalados ali. Há documentários e filmes sobre o processo de gravação de outras bandas, até dos Beatles, mas um podcast assim... Acho que não existe.”
 
Santiago diz que seu relacionamento com Francis Black – a dupla se conheceu na faculdade, em Boston, e logo em seguida formou o Pixies – está “melhor do que nunca”. Ao comentar a parceria com a argentina Paz, ele descreve a baixista como “um sopro de ar fresco” no grupo. “Ela é positiva, muito criativa, muito bem-humorada. Todos nos sentimos muito confortáveis com ela no estúdio.”
 
Ainda sem previsão de voltar ao Brasil – o último show por aqui foi em 2014, num histórico Lollapalooza –, Pixies fará turnê mundial a partir do mês que vem. Em 24 e 25 de fevereiro, o grupo se apresenta em Yokohama e Tóquio, no Japão, seguindo para China, Nova Zelândia e Austrália. Por enquanto, a agenda vai até setembro, com espetáculos em Israel e na Europa. (Estadão Conteúdo)
 
BENEATH THE EYRIE . De Pixies . 11 faixas . Infectious/BMG Worldwide . Disponível nas plataformas digitais(foto: nfectious/BMG/reprodução)
BENEATH THE EYRIE . De Pixies . 11 faixas . Infectious/BMG Worldwide . Disponível nas plataformas digitais (foto: nfectious/BMG/reprodução)
 
 
 


Publicidade