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Estado de Minas AUDIOVISUAL

Nova série da Netflix coloca um líder religioso como Jesus na sociedade moderna

Diretor admite que Messiah é provocativo, mas nega viés ofensivo. Protestos cercam estreia, neste 1º de janeiro


postado em 01/01/2020 04:00 / atualizado em 31/12/2019 16:01

O belga Mehdi Dehbi interpreta o protagonista sob o desafio de mostrar como a sociedade moderna reagiria a um líder religioso que lembra o Messias(foto: NETFLIX/DIVULGAÇÃO)
O belga Mehdi Dehbi interpreta o protagonista sob o desafio de mostrar como a sociedade moderna reagiria a um líder religioso que lembra o Messias (foto: NETFLIX/DIVULGAÇÃO)

 
Um profeta que desafia o ressurgimento do Estado Islâmico na Síria, um tiroteio no sagrado Monte do Templo de Jerusalém e... ,possivelmente, a vinda do Messias: antes de estrear, uma nova série do Netflix já provocava polêmica.

Messiah segue a história de um misterioso líder religioso que emerge no Oriente Médio e é perseguido por todo o planeta pela CIA, a agência de inteligência norte-americana.
 
“Sim, é provocativo, a série é provocativa”, declarou o criador, Michael Petroni. “Mas provocativo não é ofensivo”. Messiah, que estreia nesta quarta-feira (1º de janeiro) na plataforma de streaming, imagina como a sociedade moderna reagiria ao surgimento de uma figura religiosa desste tipo, divulgando sua mensagem rapidamente pelas redes sociais em um mundo afetado pelas fake news e ciclos de notícias alarmantes e intermináveis.
 
As ações transcorrem no Oriente Médio e Estados Unidos. Os personagens, como a obstinada agente da CIA interpretada por Michelle Monaghan, vão do inglês ao hebraico, passando pelo árabe, às vezes, na mesma conversa.
 
E a pergunta é se a figura central da série – interpretada pelo ator belga Mehdi Dehbi – é um messias genuíno, um nefasto agente político ou simplesmente um trapaceiro.
Petroni afirma que o thriller tem como objetivo provocar um debate e uma perspectiva do “ponto de vista do outro”.
 
“Esperamos muito barulho ao redor do programa e muito debate. Espero que ocorra um debate”, insistiu, antes de destacar que a série “não busca ofender nem julgar ninguém”.
 
Uma campanha no site Change.org pede o boicote do programa, descrito como “propaganda maligna e anti-islâmica”, embora a série nunca especifique a que religião pertence o enigmático líder, que os demais personagens chamam de Messias e Al-Masih, entre outros nomes.
 
Petroni admite que a Netflix ficou “nervosa” quando ele apresentou a ideia. “Era um conceito muito audacioso”, destaca. “Você lê o piloto e este cara vai marchar com 2 mil sírios palestinos através da fronteira de Israel.”
 
A proposta previa também a construção, com custo considerável, de uma réplica em escala de parte do Monte do Templo – o local mais sagrado do judaísmo –, incluindo o Domo da Rocha, de onde os muçulmanos acreditam que o profeta Maomé subiu ao céu.
 
Filmar no local sagrado nunca foi uma possibilidade, particularmente pela natureza violenta da cena que aparece no segundo episódio da série. As tomadas do Oriente Médio foram rodadas na Jordânia e nos Estados Unidos, o que representou um desafio adicional.

BARREIRA Outras séries americanas, como Homeland, enfrentaram barreiras culturais e linguísticas, o que gerou críticas por sua representação da região e dos muçulmanos.
 
Neste programa, por exemplo, em uma cena filmada em Berlim, um comandante do Hezbollah escolta a protagonista por um suposto campo de refugiados sírios, no qual alguém pichou em árabe a frase “Homeland é racista”.
 
O primeiro trailer de Messiah, divulgado no início de dezembro, foi ridicularizado por espectadores muçulmanos, que destacaram que o nome Al-Masih é utilizado na teologia islâmica por Dajjal, um falso profeta comparável ao Anticristo.
 
A Netflix rapidamente respondeu que este "não é o nome do personagem" e que os detalhes da trama permaneciam sob embargo.
 
Petroni, um australiano cujo pai foi criado no Egito, não fala árabe, assim como os diretores, o que exigiu a contratação de uma equipe experiente e confiável de tradutores e professores de dialetos. “Fomos muito cuidadosos”, garantiu Petroni.


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