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Valentina Herszage vive uma Hebe jovem, morena e antes da fama

Atriz de 21 anos interpreta a apresentadora dos 14 aos 28 anos na minissérie sobre a vida da rainha da TV


postado em 22/12/2019 04:00 / atualizado em 21/12/2019 19:56

(foto: Fábio Rocha/Divulgação)
(foto: Fábio Rocha/Divulgação)

A atriz Valentina Herszage mal havia terminado as gravações da novela Pega pega, na Globo, quando foi chamada para fazer um teste para um papel sobre o qual ela não tinha informação alguma. “Isso foi em janeiro de 2018. A produtora me pediu apenas um vídeo em que eu cantasse. Mandei um em que eu cantava uma música da Marisa Monte”, conta.

Dois meses depois, ela foi avisada de que havia sido aprovada. “Foi uma grande surpresa não só eu ter passado, mas para qual trabalho fui selecionada – interpretar a Hebe Camargo (1929-2012).” Valentina recebeu a resposta positiva ao seu teste no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher e também o dia de nascimento da apresentadora. “Foi uma data mais do que simbólica”, afirma.

Valentina vive Hebe dos 14 aos 28 anos na minissérie sobre a vida da loura que acaba de chegar ao Globoplay. Andréa Beltrão assume a personagem dali em diante não só na série, mas também no longa-metragem, que estreou em setembro passado, com um recorte específico da carreira da estrela, os anos 1980.

Valentina se surpreendeu ao descobrir que a rainha da televisão brasileira era originalmente morena e parecida com ela. “Fiquei impressionada em ver como sou parecidíssima com a Hebe quando ela era mais jovem. Nunca imaginei que ela tivesse cabelos escuros. Na minha cabeça, ela sempre foi loira.”

Fiquei sabendo que já é a série mais vista do Globoplay. O mérito é de todos. É um trabalho impecável de elenco, direção, caracterização e sobre essa mulher que foi uma guerreira em todos os aspectos

Valentina Herszage, atriz



Hoje com 21 anos, a atriz não chegou a assistir Hebe apresentando ao vivo e diz que não tem nenhuma lembrança específica dela. Mas fez questão de mergulhar no universo da comunicadora com uma pesquisa que incluiu muitos vídeos e livros. “Fui atrás de praticamente tudo o que havia sobre ela. Foi uma imersão. A Hebe está muito presente na memória dos brasileiros com essa coisa do selinho, do bordão 'gracinha'. É uma figura marcante e importante da nossa TV, da nossa cultura. Eu me aproximei o máximo possível do universo dela”, diz.

A atriz passou por um processo intenso de preparação – vocal, corporal e de prosódia – que levou cinco meses. Chegou inclusive a construir a personagem ao lado de Andréa Beltrão, para que a Hebe da ficção não destoasse na passagem de tempo. “Os gestos, o jeito de falar, não só o sotaque (Valentina é carioca, e Hebe era de Taubaté, no interior paulista, e se esforçava para se comunicar como as pessoas da capital). Ela tinha uma musicalidade única para se expressar, era muito expansiva. Para fazer uma personagem que existiu e está no imaginário das pessoas, tem que estudar tudo milimetricamente. É muito detalhe para se chegar ao resultado que a gente quer”, afirma.

CANTO Um dos pontos altos da produção são as apresentações musicais de Hebe Camargo, que começou sua carreira como cantora. Valentina literalmente dá um show. Um dos momentos mais bonitos é sua interpretação de O que é que a baiana tem?, clássico de Dorival Caymmi imortalizado por Carmen Miranda. Soltar a voz não é uma novidade para a atriz, que, dos 5 aos 18 anos, fez curso de canto, dança, sapateado, teatro e circo.
“Essa base, essa formação me ajudaram demais em muita coisa. Depois acabei indo mais para o lado da interpretação e, atualmente, estou cursando a faculdade de artes cênicas. Mas cantar surgiu até antes. Canto tudo na minissérie, inclusive ao vivo em alguns momentos. Foi um dos grandes desafios, porque a maneira de cantar daquela época, anos 1940, 1950, era bem diferente”, comenta.

Aluns aspectos da trajetória de Hebe chamaram a atenção de sua intérprete, como a relação afetuosa com o pai, o maestro e violinista de cinema mudo Fêgo Camargo, vivido na produção pelo ator mineiro Ângelo Antônio. “Essa ligação é uma das coisas mais lindas da história dela. Naqueles anos, as mulheres tinham que casar cedo, tomar conta da casa, e esse pai, por ser artista também, estimulava-a a seguir seus sonhos e a ser livre. Hebe foi muito mais próxima dele do que da mãe”, diz.

Outro episódio que a marcou foi o aborto que Hebe fez aos 18 anos, quando engravidou de um filho de seu primeiro amor, o empresário Luís Ramos, papel de Daniel de Oliveira na minissérie. “Ele era casado. Na ocasião, ela abortou e não contou para ninguém da família. Só foi revelar isso muitos anos depois.”

Na produção, Valentina Herszage contracena pela primeira vez com o namorado, o também ator Ravel Andrade, que faz um diretor da extinta TV Tupi, emissora que reprova Hebe em um teste. Ironicamente, ele afirma para a futura apresentadora que a TV não servia para ela. “E ela foi se tornar a rainha da televisão. Foram apenas duas cenas com o Ravel, mas foi muito legal a gente fazer esse trabalho juntos.”

Fui atrás de praticamente tudo o que havia sobre ela. Foi uma imersão. A Hebe está muito presente na memória dos brasileiros com essa coisa do selinho, do bordão 'gracinha'. É uma figura marcante e importante da nossa TV, da nossa cultura. Eu me aproximei o máximo possível do universo dela

Valentina Herszage, atriz



Valentina afirma que já tem sentido a repercussão do trabalho nas ruas e também via redes sociais, inclusive de familiares de Hebe, como o sobrinho Cláudio Pessutti. “É muio gratificante saber que esse projeto feito com tanto carinho e dedicação tocou as pessoas. Fiquei sabendo que já é a série mais vista do Globoplay. O mérito é de todos. É um trabalho impecável de elenco, direção, caracterização e sobre essa mulher que foi uma guerreira em todos os aspectos.”

CINEMA 

Além da TV, a atriz está com projetos no teatro e no cinema. Em 2020, ela volta aos palcos com Lazarus, musical inspirado em David Bowie dirigido por Felipe Hirsch, e também estará na telona com Homem onça, de Vinicius Reis. Outro trabalho que acaba de rodar, o longa-metragem Raquel 1.1, de Mariana Bastos, em que faz a protagonista, ainda não tem data de estreia. “Está tudo meio complicado na cultura, infelizmente. Mas temos que resistir.”

Valentina considera sua participação no longa Mate-me, por favor, da diretora Anita Rocha da Silveira, como um divisor de águas em sua carreira. Com o papel, ela ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio, em 2015. Foi a partir dali que surgiu o convite para a sua primeira novela, Pega pega. Na trama, ela era a problemática adolescente Bebeth, filha de Eric (Mateus Solano), que sofre muito desde a morte da mãe, vivendo em um mundo totalmente paralelo. A menina vivia agarrada a Flor, sua canguru de pelúcia. Um dos bonecos do bichinho foi confeccionado pelo grupo mineiro Giramundo. “Eu já conhecia o trabalho deles, que é supercriativo. Foi muito bacana fazer essa novela, interpretar um papel cheio de camadas. A Cláudia Souto (autora) escreveu uma personagem muito humana, sofrida, que foi um presente pra mim.”

Valentina, que é bisneta de poloneses que fugiram da guerra na Europa, comemora o fato de estar numa profissão que lhe permite tantas possibilidades e aprendizados. E mais do que isso, encontros. “Essa coisa da relação de grupo, do coletivo, encontrar com alguém com quem você já contracenou em um novo trabalho. Essa troca é muito interessante. Sem contar a parte da pesquisa. Em um trabalho, você tem que saber sobre a vida da Hebe, da Carmen Miranda; num outro, tem que aprender a manipular um boneco. É tudo muito rico.”






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