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Versão teatral de Dogville discute a cultura do ódio e da intolerância

Protagonizada por Mel Lisboa, peça leva recursos do cinema para o palco. Dirigido por Zé Henrique de Paula, espetáculo estreia nesta quinta (28), no CCBB


postado em 27/11/2019 04:00 / atualizado em 26/11/2019 22:16

Mel Lisboa diz que a peça Dogville dialoga com o atual momento da história do Brasil (foto: Ale Catan/divulgação)
Mel Lisboa diz que a peça Dogville dialoga com o atual momento da história do Brasil (foto: Ale Catan/divulgação)

Em 2003, o cineasta dinamarquês Lars von Trier surpreendeu o mundo ao apostar na estética teatral para filmar Dogville. No filme de quase três horas, o único cenário é o galpão em que foi montada a vila onde a história é ambientada. As casas eram desenhadas com giz no chão. Em 2019, o diretor paulistano Zé Henrique de Paula resgatou a trama nos palcos brasileiros, mas invertendo a linguagem. Com elementos cinematográficos, o espetáculo que tem Mel Lisboa no papel principal chega nesta quinta-feira (28) ao CCBB, em Belo Horizonte, onde ficará em cartaz até dezembro.

“Assim que começamos a montar a peça, sempre me perguntavam se teria o desenho das casas no chão. Comecei a perceber um recall muito grande do filme na cabeça das pessoas, que se lembravam mais daquela estética do que da trama em si. Vimos, então, que era necessário fugir disso, invertendo o eixo da linguagem. Se o filme parece uma peça filmada, procuramos fazer com que, no teatro, o espectador tenha acesso a elementos cinematográficos, mas sabendo que está assistindo a uma peça”, explica Zé Henrique.

Com poucos elementos cenográficos, a montagem inclui projeções de vídeo com imagens em tempo real e também gravadas. Closes e outras perspectivas visuais, além da atuação do elenco, são oferecidos ao público. A trama é a mesma do filme. A misteriosa Grace (Mel Lisboa) chega ao pequeno vilarejo norte-americano de Dogville à procura de abrigo. Inicialmente acolhida, logo se vê submetida a uma rotina de abusos, humilhações e violências por parte da comunidade.

Trabalhando questões como ódio, intolerância e as perversidades de que o ser humano é capaz para defender os direitos que julga possuir, o espetáculo se faz ainda mais relevante no contexto atual. “Como a peça discute a moral e o que é essa palavra hoje em dia, dependendo da pauta dos noticiários da semana na política, na economia e no aspecto social, ela ganha novos contornos, novas luzes. É a prova cabal de sua atualidade”, comenta o diretor.

Mel Lisboa destaca o potencial das reflexões propostas por Dogville. “Assisti ao filme em 2003 e já foi um choque, ainda mais quando se conhece a obra do Lars von Trier. Muito provocador, ele coloca esse lugar da mesquinhez, o lado pérfido do ser humano. Durante a peça, a plateia fica aliviada e tensa ao mesmo tempo. Por ser uma montagem brasileira, em português, com tudo o que vivemos no Brasil e no mundo, isso chega de forma mais forte ainda. Tem gente que chora, gente que adora. Não é um espetáculo que se encerra e você diz: ‘Vamos comer uma pizza?’. Ele mexe com as pessoas, convida ao debate. Não tem como ignorar o que acabou de acontecer em cena”, afirma atriz, que interpreta a personagem que foi de Nicole Kidman no cinema.

DOGVILLE
CCBB. Praça da Liberdade, 450, Funcionários. De quinta a segunda-feira, às 20h. Até 23 de dezembro. R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Vendas on-line: www.eventim.com.br. Classificação: 16 anos. Informações: (31) 3431-9400 e 3431-9503.




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