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Estado de Minas

Festival de Brasília será vitrine do vigor do cinema nacional

Oitenta produções foram selecionadas para a edição deste ano. Filmes que disputarão o Troféu Candango abordam crise política, questão indígena, bullying e o universo trans


postado em 12/11/2019 04:00 / atualizado em 11/11/2019 17:39

Cauã Reymond e Fernanda Montenegro em Piedade, filme de Claudio Assis que disputará o Troféu Candango(foto: República Pureza Filmes/divulgação)
Cauã Reymond e Fernanda Montenegro em Piedade, filme de Claudio Assis que disputará o Troféu Candango (foto: República Pureza Filmes/divulgação)
 

O 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que começa em 22 de novembro, mantém o compromisso com a diversidade, a polêmica e a urgência – marcas registradas do evento desde sua criação, em meados dos anos 1960. Do pacote de 701 filmes inscritos, a seleção final reuniu cerca de 80 produções que serão exibidas até 1º de dezembro.
 
Sete longas e 14 curtas disputarão o Troféu Candango, cuja premiação soma R$ 270 mil. O conteúdo dos longas da competição oficial será afiado: o pernambucano Cláudio Assis (com trabalhos multipremiados em outras edições) retorna com Piedade, exame de um núcleo familiar em conflito. A denúncia de perseguição a mulheres move o documentário brasiliense O tempo que resta, assinado por Thais Borges. Temas como impeachment e a polarização política no Brasil são abordados no documentário O mês que não terminou, narrado por Fernanda Torres. A direção é dividida entre Francisco Bosco e Raul Mourão.
 
Exibido em Cannes, A febre, dirigido por Maya Da-Rin, mostra índios em crise(foto: Tamanduá Vermelho/divulgação)
Exibido em Cannes, A febre, dirigido por Maya Da-Rin, mostra índios em crise (foto: Tamanduá Vermelho/divulgação)
 
 
Desde já dono de gritante apelo popular, Alice Jr. (de Gil Baroni) foca numa youtuber trans. Pronta para beijar na boca, ela se vê numa camisa de força para se ajustar (ou não) a moldes conservadores.
 
Completam a lista Loop, filme de estreia de Bruno Bini protagonizado por Bruno Gagliasso, com enredo romântico e deslocamentos de tempo e espaço; Volume morto (de Kauê Telloli), que adota o humor negro para abordar bullying e expiar culpas dentro de uma sala de aula; e o internacionalmente premiado A febre (de Maya Da-Rin), ficção que flerta com a realidade para tratar de um índio inserido no mundo capitalista como operário, em conflito com suas origens.
 
Desta vez, não há filme mineiro nessa disputa. Os três últimos vencedores do Candango são do estado. A cidade onde envelheço, de Marilia Rocha, levou o primeiro lugar na mostra competitiva em 2016. O longa Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans, venceu em 2017. E Temporada, de André Novais Oliveira, ganhou o troféu em 2018. Minas está na competição de curtas com Cabeça de rua, de Angélica Lourenço, e Angela, de Marília Nogueira.
 
O corpo de jurados é formado por Cacá Diegues (presidente), Bianca De Fellipes, Artur Xexéo, Jimi Figueiredo, Bruna Linzmeyer, Carmen Luz e Pablo Villaça. O orçamento da edição deste ano soma cerca de R$ 4 milhões.
 
Política é o tema do documentário O mês que não terminou, de Francisco Bosco e Raul Mourão(foto: Mostra de SP/divulgação)
Política é o tema do documentário O mês que não terminou, de Francisco Bosco e Raul Mourão (foto: Mostra de SP/divulgação)
 

CANNES O festival terá abertura emblemática: O traidor (coprodução assinada pelo italiano Marco Bellocchio), exibido em Cannes. A brasileira Maria Fernanda Cândido integra o elenco desse filme, que tentará uma vaga para a Itália na disputa do Oscar de melhor filme internacional.
 
“O Brasil tem, cada vez, mais coproduzido com a Europa”, destaca a curadora Anna Karina de Carvalho, exaltando o momento produtivo dos filmes brasileiros. Oito estados estão representados entre os 14 curtas-metragens selecionados.
 
Nos momentos de celebração, haverá homenagens a profissionais do porte do ator Stepan Nercessian, do antigo coordenador da festa Fernando Adolfo, e dos diretores Daniel Filho (com nova versão do clássico Boca de Ouro) e Vladimir Carvalho, que assina o filme de encerramento, Giocondo Dias – Ilustre clandestino.
 
Também contemplado nas homenagens, o produtor Márcio Curi (morto há três anos), generoso articulador das realizações brasilienses, teve concluído Campo santo, longa que será projetado em sessão especial.

SEDE Nas mostras – estendidas para segmentos denominados Território Brasil, Vozes, Novos Realizadores, Guerrilha e Futuro Brasil, além da Mostra Brasília –, haverá rememoração de personagens ímpares para o destino de Brasília, sede do festival. O fotógrafo Luis Humberto e a atriz Dulcina de Moraes estão entre eles. “Estão porque, como talvez JK viesse a responder, Brasília é a metassíntese, ao refletir um ideal de integração. Convivi com Paulo Emílio (Salles Gomes), fui distinguido por José Aparecido e acho que Dulcina plantou o teatro em Brasília. São pessoas que não estão aqui por acaso. Desde 1969, testemunho essa realidade”, afirma o cineasta Vladimir Carvalho.
Ao comentar seu longa Giocondo Dias, Carvalho observa: “Fui um homem que viveu dois terços da jornada na clandestinidade. Nem por isso ele perdeu os sensos de identidade e de lucidez, quando se fala em história política do país.”
 
A Mostra Brasília BRB, cujos prêmios somam R$ 150 mil, trará longas-metragens assinados pelos diretores Glória Teixeira, Adriana Vasconcelos, Gustavo Galvão e pela dupla Rama de Oliveira e André Luiz Oliveira. A competição contará também com oito curtas.
 
Integrante ao lado do codiretor Neto Borges da mostra paralela Território Brasil com o longa Servidão, o cineasta Renato Barbieri comemorou a vitrine. “Foram anos de pesquisa. Nesse filme, tratamos do trabalho escravo contemporâneo na Amazônia. Como presidente do Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste (Conne), vejo avanço na nacionalização do cinema brasileiro. A mostra do Festival de Brasília propicia o exame de retratos criados, em filmes, por todas as regiões do Brasil.” (Com redação)
 
z  MOSTRA COMPETITIVA

» Longas

Alice Júnior (PR)
De Gil Baroni

A febre (RJ)
De Maya Da-Rin

Loop (MT)
De Bruno Bini

O mês que não terminou (RJ)
De Francisco Bosco e Raul Mourão

Piedade (RJ)
De Claudio Assis

O tempo que resta (DF)
De Thaís Borges

Volume morto (SP)
De Kauê Telloli

» Curtas

Alfazema (RJ)
De Sabrina Fidalgo

Amor aos vinte anos (SP)
De Felipe Arrojo Poroger e Toti Loureiro

Angela (MG)
De Marília Nogueira

Ari y yo (PA)
De Adriana de Faria

Cabeça de rua (MG)
De Angélica Lourenço

Caranguejo rei (PE)
De Enock Carvalho e Matheus Farias

Carne (SP)
De Camila Kater

Chico Mendes: um legado a defender (DF) De João Inácio

Marco (CE)
De Sara Benvenuto

A nave de Mané Socó (PE)
De Severino Dadá

Parabéns a você (PR)
De Andréia Kaláboa

Pelano! (BA)
De Christina Mariani e Calebe Lopes

Rã (SP)
De Julia Zakia e Ana Flavia Cavalcanti

Sangro (SP)
De Tiago Minamisawa, 
Bruno H. Castro e Guto BR 


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