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Estado de Minas

Último CD de Marília Pêra é 'empreitada de amor'

Por causa de você já está nas plataformas digitais e lojas físicas e tem seis canções na voz cantora e atriz, que morreu durante a gravação do álbum


postado em 12/11/2019 04:00

Mesmo doente, Marília Pera escolheu o repertório de Por causa de você e impressionou pela competência e alegria(foto: Jorge Bispo/Divulgação)
Mesmo doente, Marília Pera escolheu o repertório de Por causa de você e impressionou pela competência e alegria (foto: Jorge Bispo/Divulgação)


Último registro da atriz e cantora carioca Marília Pera (1943-2015), o álbum Por causa de você (Biscoito Fino) já está nas plataformas digitais e lojas físicas. Além da voz da artista, o disco traz também as presenças de As Chicas, Sandra Pêra, Dhu Moraes, Ricardo Graça Mello, José Milton, Ney Latorraca, Zezé Motta, Marcos Caruso, Arlete Salles, Esperança Mota e Nina Morena. Marília registrou vozes guias em seis canções e, no dia em que começaria a gravar, teve sua saúde piorada, não conseguindo mais voltar ao estúdio.
 
A cara do espelho, Duas contas, Risque, Por causa de você, Não me deixes mais (versão para Ne me quite pas, feita por Fausto Nilo) e Lua e flor, feita por Oswaldo Montenegro, que compôs para a peça Brincando em cima daquilo, são as canções na voz de Marília Pêra. O restante foi gravado por familiares e amigos da artista, completando o álbum, numa empreitada de amor, como conta Sandra Pêra, irmã da atriz. A produção do CD coube ao cantor, compositor e produtor cearense José Milton, um dos produtores de discos mais conhecidos do país.
 
Zé Milton, que também tem no seu currículo produção de álbuns de nomes expressivos da MPB, como Nana Caymmi e Fagner, conta que o convite para produzir o disco partiu de Katia de Almeida Braga (empresária do ramo musical), durante jantar com Miúcha e Marília Pêra. “Elas me ligaram perguntando o que eu achava. Aí eu respondi: 'É agora, tá topado!' Dias depois, Marília me contou que já estava doente. Mas, apesar disso, decidimos embarcar nesse projeto.”
 
Marília, a irmã dela Sandra, Zé Milton, Kátia e Cristóvão Bastos se reuniram por várias vezes antes de gravar o CD, decidindo quais as músicas entrariam no álbum. “Marília queria cantar realmente coisas que ela sempre gostou durante a sua vida. Inclusive, a música Chinelinho chinfrim, que ela havia feito para as Frenéticas gravarem na época. Ela também queria gravar Lua e flor, que Oswaldo Montenegro havia composto para uma peça que ela fez, enfim, uma série de músicas que a acompanhou a sua vida inteira.”
 
Zé Milton ressalta que Marília queria gravar no formato de ser algo bem MPB, que fosse bonito e que tivesse sonoridade. “Tanto que músicos excepcionais, como Jorge Helder e Jamil Joanes (baixo), João Lira (violões), João Castilho (guitarra), Paulo Braga e Jurim Moreira (bateria), Bebe Kramer (acordeon), Jessé Sardoc (Flugel e trompete), Zé Canuto e Marcelo Martins (sax) e Antônio Rocha (flauta) participaram das gravações”. Os arranjos foram de Cristóvão Bastos.
 
O produtor lembra que a artista foi vendo quais músicas entrariam no disco. “Duas contas era uma canção que ela gostava desde criança. Risque, que ela cantou muito bem no seu show e Ne me quite pas, que Fausto Nilo fez uma versão com uma letra muito bonita, que o Fagner cantou, também entrariam no disco. Marília era um absurdo, multiartista. Kátia foi uma pessoa incrível, que esteve conosco o tempo inteiro e Sandra fez uma direção de produção fantástica.”
 
Zé Miton garante que tudo foi feito com muito carinho. “Dava gosto ver a alegria de Marília. A ideia dela era fazer um show também, cantado e conversando com as pessoas. Infelizmente, não deu tempo, mas esse era um grande desejo dela. Apesar da doença, a presença dela no estúdio era uma alegria imensa, mesmo sentindo fortes dores. Ela também ficava alegre quando participava das gravações e nem parecia estar no sacrifício. Cantava com uma satisfação e uma alegria tão grande que nos emocionava. Sem problemas como o andamento, afinação, tudo em uma musicalidade absurda, tanto que a gente ouvia a gravação e ficava impressionado com tamanha competência e profissionalismo.”

COMPETÊNCIA O produtor afirma que não teve uma canção sequer, mesmo que fosse uma guia, que não pudesse ter sido a voz definitiva para entrar no disco. “A competência e o carisma de Marília eram de deixar qualquer um de boca aberta. Ela chegava ao estúdio e tudo mudava, sua luz irradiava”.
 
Zé Milton conta que tudo foi resolvido em uns seis ou sete encontros. “Ela já tinha um pré repertório na cabeça. O disco está muito bonito e acredito que se ela ainda estivesse aqui o aprovaria, com certeza. Os meninos que participaram das gravações sempre foram muito ligados a ela e fizeram tudo com o maior carinho. Nos demos muito bem com as ideias e com os músicos. É um disco no qual o amor e o carinho estão presentes em todas as faixas, assim como a alegria de ter conhecido e convivido com a grande Marília Pêra.”


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