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Estado de Minas

Combate e êxtase marcam APKÁ, o novo disco de Céu

Quinto álbum da cantora tem 11 faixas, com inédita que Caetano Veloso faz para ela. Canções remetem à alegria do filho caçula e ao momento de polarização vivido pelo mundo


postado em 08/10/2019 04:00 / atualizado em 07/10/2019 17:41

Em 19 de outubro, Céu faz show em BH para lançar APKÁ!(foto: Fabio Audi/divulgação)
Em 19 de outubro, Céu faz show em BH para lançar APKÁ! (foto: Fabio Audi/divulgação)
Quinto álbum de inéditas da cantora Céu, APKÁ!, com 11 faixas, foi composto durante a gestação de seu segundo filho, Antonino, fruto do relacionamento com o músico e colaborador Pupillo, que assina a produção do trabalho ao lado do francês Hervé Salters, da banda General Elektriks.

Sucessor do elogiado Tropix (2016), APKÁ! remete à expressão cunhada pelo caçula de Céu em “momentos de êxtase e plenitude” durante as interações com a irmã mais velha, Rosa Morena, de 10 anos.

“Reparei que a palavra vinha atrelada à sensação de alegria, de brincar. É uma coisa muito dele com a Rosa, com afeto e permeado pela energia de criança. No fim, foi a melhor palavra para simbolizar esse momento”, conta Céu. Em APKÁ!, ela continua sua saga de traduzir emoções em sonoridade. “É um disco sobre contrastes. A gente vive um momento de polarização completa, de combate mesmo, e a necessidade desse contraste é crucial. A inteligência artificial está tomando força gigante em nossos universos orgânicos. Falo muito desses digitalismos e das analogias às coisas reais”, explica Céu.

A dualidade real/imaginário, orgânico/virtual permeia a maior parte das faixas de APKÁ!, mas aparece mais forte e explícita em Off (Sad Siri). A música, que abre o LP, narra a tristeza de uma robô ao perceber que, com o dia lindo lá fora, seu interlocutor decidiu abandoná-la para viver. “Talvez, daqui a um tempo, nós tenhamos que realmente pagar para poder ficar 'off'”, pontua Céu.

Nada irreal vem na mesma pegada. “Você pode falar que é só uma música de amor, mas na verdade é sobre o real e não sobre ideologias amorosas, como se existisse um amor perfeito. Não, existe o amor real”, reforça, acrescentando que o disco é também “sobre existir e ouvir” muito. “É o momento de entendermos como aconteceu essa grande m... na qual a gente está”, diz ela.

CAETANO

O disco traz uma inédita de Caetano Veloso, Pardo, presente que Céu comemora. “Não sei quais são os direitos das pessoas, mas, no meu caso, eu me dei 'só' a ousadia de pedir uma canção inédita, nada mais”, ri. “Ele, maravilhosamente, me respondeu que faria e me entregou essa canção. Achou fantástico eu cantar sobre um relacionamento homoafetivo masculino, sendo mulher.”

A leveza dos vocais e da produção de APKÁ!, ainda mais dançante que seu antecessor, também tem momentos para discoteca, perceptível em Eye contact, parceria com a dupla André Laudz e Zé Gonzales, do Tropkillaz.

Já a colaboração com Dinho, do Boogarins, traz a primeira letra do compositor em inglês, com Make sure your head is above. “Sempre transitei muito lá fora. Essa música foi um exercício e um momento de assumir esse universo que me pertence também. Já tive muitas propostas para fazer discos só em inglês, mas sempre tive muito apreço pela música brasileira e pelo português”, revela Céu.

Pronta para cair na estrada com a turnê de APKÁ!, a cantora já tem show marcado em Belo Horizonte. Ela vai se apresentar em 19 de outubro, no Sesc Palladium. Ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada).

APKÁ!
De Céu
Som Livre
 11 faixas
Disponível nas plataformas digitais


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