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Peças do Festival Cenas Curtas dão o recado em apenas 15 minutos

De terça (24) a domingo (29), cerca de 30 trabalhos serão apresentados no Galpão Cine Horto, Gruta, bares e na rua. Em 'Quem vai olhar as crianças', garotas questionam o machismo na política


postado em 23/09/2019 04:00 / atualizado em 22/09/2019 21:18

Quem vai olhar as crianças discute a relação da mulher com o poder(foto: Marcos Coletta/divulgação)
Quem vai olhar as crianças discute a relação da mulher com o poder (foto: Marcos Coletta/divulgação)


Não é raro ouvir que em Minas Gerais as pessoas são “de poucas palavras”. Certo é que, pelo menos nas artes cênicas mineiras, não é preciso muitas delongas para dizer coisas importantes. Celebrando seus 20 anos, o Festival Cenas Curtas será realizado de terça-feira (24) a domingo (29), no Galpão Cine Horto, em BH. Além de destacar a criatividade de artistas e grupos independentes em apresentações de até 15 minutos, o evento se propõe a promover a diversidade, além de transformar a Zona Leste da cidade em vitrine cultural.

A programação oferece 16 cenas de palco, quatro cenas-espetáculo, duas cenas de rua e seis performances artísticas, além de debates, exibição de documentário, instalação sonora e mostra fotográfica.

Na terça-feira (24), a abertura será dedicada à mostra Cena-espetáculo. Os quatro finalistas do projeto Rascunho de Cena, selecionados por meio de edital, vão se apresentar e caberá à curadoria escolher a melhor proposta. O vencedor receberá R$ 10 mil para desenvolver sua peça.

Uma das candidatas é Quem vai olhar as crianças, escrita, dirigida e estrelada por Raquel Castro. Em 15 minutos, ela interpreta a poderosa ex-deputada e assessora Alone May, encarregada de conduzir a reunião em que o público faz o papel de possível investidor em candidaturas eleitorais femininas.

“O desejo de trazer o tema à cena vem do percentual gritante que pesquisamos: 94,3% do mundo é governado por homens, considerando todas as instâncias do poder. Partimos da estatística real e criamos uma ficção”, explica Raquel Castro. Ela contracena com meninas de 13 a 18 anos, que interpretam a si mesmas. Potenciais parlamentares do futuro, as garotas apresentam suas ideias, questionamentos e opiniões.

“Falamos da relação da mulher com o poder ao longo da história, sobre como gênero e política se relacionam. Trazemos assuntos bem atuais, discursos da Marielle e da Greta Thunberg, ativista do clima. No palco, as meninas apresentam seus pontos de vista”, adianta Raquel, referindo-se à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018, e à adolescente sueca que criou o movimento Fridays for Future.

A noite de abertura também terá Transe, da Maldita Cia. de Investigação Teatral, Tubo, do recifense Maia, e o “monólogo coletivo” Eu Só, Com Verso, da companhia belo-horizontina 5só.

INTOLERÂNCIA 

Nos outros dias, cenas curtas de palco entram na programação. Serão 16 até domingo, no Teatro Wanda Fernandes, integrado ao Galpão Cine Horto. Boa parte das montagens aborda temas urgentes da contemporaneidade, como direitos e visibilidade LGBT, racismo e intolerância.

“A gente passa por um momento especial no país. Boa parte da temática fala da necessidade de criação de ilhas de resistência. O conceito do festival veio a partir disso. Assim fomos elaborando a programação, os rolês, escolhendo as cenas. Levamos esta bandeira para somá-la a outras no sentido de resistir e construir um país mais humano, tolerante e contemporâneo, social e economicamente”, afirma o ator Chico Pelúcio, diretor-geral do Galpão Cine Horto.

Na quarta-feira (25), estará em cartaz A farsa do bom juiz, criação do coletivo belo-horizontino Mamãe Tá na Plateia. Com abordagem mais abstrata e onírica, a cena reúne seis artistas. De acordo com a sinopse, “os guardiões da lei e da Justiça aguardam, ocupando-se com absurdos rituais, pelo parto daquele que parece ser finalmente o grande herói da nossa tortuosa história, à luz de um grande acordo nacional (com o Supremo, com tudo)”.

O dramaturgo Raysner de Paula conta que A farsa... foi gestada desde o processo de impeachment de Dilma Rousseff. “Imaginamos uma situação teatral que pudesse materializar aquilo em outro lugar, por sempre ouvirmos o termo ‘farsa’ em tudo o que essa história envolvia”, explica. De acordo com ele, o grupo levará ao palco uma proposta poética, “sem criar um lugar doce ou confortável, mas com a sensação do delírio”. Raysner participou do festival duas vezes. Em 2013, apresentou a cena curta  Aurora, que posteriormente virou espetáculo.


LOOP questiona o machismo da sociedade tecnológica(foto: Ângulos Fotografia/divulgação)
LOOP questiona o machismo da sociedade tecnológica (foto: Ângulos Fotografia/divulgação)

SPOTLIGHT 

Os autores de LOOP, em cartaz na quarta-feira, também sonham em desdobrar a cena em um espetáculo maior. Mesclando teatro, dança e audiovisual, a performance aborda injustiças envolvendo questões de gênero, sob o ponto de vista tecnológico. “Queremos colocar um spotlight sobre o tema. Além da nossa vontade particular, há o interesse social nessa proposta, que pode ser expandida”, diz o diretor Tulio Cassio. Ele contracena com Elisa Righetto e Rafo Barbosa, cocriadores da coreografia.

LOOP surgiu da inquietação dos autores com assistentes pessoais tecnológicos, como vozes de GPS e programas de smartphones. “Por que sempre é mulher ou uma voz feminina?”, questiona Tulio. “Pesquisamos e elaboramos a cena em parceria com o artista visual Sandro Miccoli. Ele cria um ciberespaço durante a apresentação, e esse é o nosso cenário. O tempo todo, meu personagem, um homem, vai exigindo uma série de coisas da bailarina. É uma forma de repensar o machismo”, adianta o performer.

Outro destaque do festival são os rolês – performances nas ruas. Na terça-feira, no Galpão Cine Horto, será apresentada Quanto pesa por Lucas Dupin e Ludmilla Ramalho. A dupla testa o limite físico dos próprios corpos no exercício de sustentar a Bandeira Nacional hasteada em um mastro, que aumenta de tamanho a cada minuto. Vários trabalhos ficarão em cartaz na Gruta, Zona Last e no Bar Santa. A ideia é institucionalizar o corredor cultural da Zona Leste, informa Chico Pelúcio.

Haverá apresentação gratuita de Abre alas na Praça Duque de Caxias, no domingo, às 12h, e de Gente é bem?, no sábado, às 13h. Pelúcio informa que se trata de um protesto pela falta de apoio governamental ao evento. “BH já foi cidade muito importante no teatro de rua. Hoje, produz muito pouco. Embora haja o Festival Internacional de Teatro, o FIT, não existe apoio ou política de produção e criação de um circuito de rua. O Cine Horto, ao fazer isso, cria uma provocação para mostrar a miopia do poder público”, conclui o ator, diretor e fundador do Grupo Galpão.

CENAS CURTAS 2019
De terça-feira (24) a domingo (29), no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto) e espaços do entorno. Ingressos – R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), por dia; R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), passaporte. À venda no site Sympla. Informações: (31) 3481-5580. Programação completa: www.galpaocinehorto.com.br


Programação


» TERÇA (24)
•  18h30 – Documentário Cenas curtas: 20 anos
•  19h30 – Rolê. Galpão Cine Horto
•  20h – Cena-espetáculo
•  22h – Rolê. Galpão Cine Horto

» QUARTA (25)
•  17h – Debate
•  18h30 – Documentário Cenas curtas: 20 anos
•  19h30 – Rolê. Galpão Cine Horto e Gruta
•  20h – Cenas de palco
•  22h – Rolê. Galpão Cine Horto e Gruta

» QUINTA (26)
•  17h – Debate
•  18h40 – Documentário
•  20h – Cenas de palco
•  22h – Rolê. Zona Last

» SEXTA (27)
•  17h30 – Debate
•  19h30 – Documentário
•  21h – Cenas de palco
•  23h – Rolê. Gruta

» SÁBADO (28)
•  13h – Espetáculo de rua. Praça Duque de Caxias, Santa Tereza
•  17h30 – Debate
•  19h30 – Documentário
•  21h - Cenas de palco
•  23h – Rolê. Bar Santa

» DOMINGO (29)
•  12h – Cena na rua. Praça Duque de Caxias, Santa Tereza
•  16h – Debate
•  18h – Documentário e festa de encerramento


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