Publicidade

Estado de Minas

Rita Lee fala sobre seu novo livro, Brigitte Bardot e João Gilberto

Cantora e compositora escreveu 'Amiga ursa - Uma história triste, mas com final feliz', em homenagem a Rowena, que morreu no último dia 24/7


postado em 06/08/2019 04:07 / atualizado em 06/08/2019 07:44

Rita Lee alimenta a ursa Rowena no Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, na região da Mantiqueira, onde o animal passou seus últimos meses de vida(foto: Guilherme Samora/Divulgação)
Rita Lee alimenta a ursa Rowena no Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, na região da Mantiqueira, onde o animal passou seus últimos meses de vida (foto: Guilherme Samora/Divulgação)

Por 40 longos e intermináveis anos, Marsha comeu o pão que o diabo amassou. Desde a sua chegada ao Brasil, sofreu maus-tratos em circos e zoológico em Teresina (Piauí), até comover a opinião pública e ser transferida há quase um ano para a Serra da Mantiqueira. Ganhou vida e um nome novos – Rowena, que significa Recomeço. Ficou mais feliz. Mas, apesar dos cuidados que passou a receber no Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, desde setembro do ano passado, ela morreu no último dia 24, em consequência de um tumor ovariano.

A história da ursa mais triste do mundo, como ela ficou conhecida, sensibilizou muita gente. Luisa Mell bancou recinto com queda d'água e um tanque no novo lar da ursa, e Rita Lee escreveu o livro Amiga ursa – Uma história triste, mas com final feliz, chamando a atenção para a necessidade de estarmos atentos também ao mundo animal.

Na obra, Rita é a vovó Ritinha, personagem que relembra a trajetória de Rowena de forma lúdica, com espaço para o leitor colocar no livro informações que deverão ser pesquisadas. O recado mais importante da eterna rainha do rock brasileiro é o respeito aos animais e a importância da preservação do meio ambiente. Luisa Mell e a atriz Brigitte Bardot também são personagens do livro.

Após a morte da ursa, Rita Lee divulgou nota lamentando o sofrimento do animal. “Rowena passou a vida toda apenas servindo de distração para os humanos e foi muito abusada”, escreveu. Mas a escritora, que visitou a ursa na Serra da Mantiqueira, ressaltou que, nos últimos meses, ela estava feliz e livre, num espaço grande, num lugar magnífico. “Ela esperou ser homenageada para partir. Meu coração chorou muito quando ela se foi... Mas os 10 meses finais foram de amor, de carinho e de cuidado.”

Como foi o processo criativo de Amiga ursa, comparado a trabalhos anteriores, como Autobiografia (2016), Dropz (2017) e Favorita (2018)?
Foi uma retomada dos quatro livrinhos infantis que escrevi nos anos 1980 sobre Dr. Alex, um ratinho ambientalista. Inclusive, a Globo Livros vai relançá-los. Com Amiga ursa, me deu vontade de dividir a história de Rowena, para conscientizar as crianças dos abusos que os animais sofrem.

Amiga ursa é o seu quarto livro lançado em quatro anos. A literatura traz a você a mesma satisfação do palco ou são emoções bem distintas? E em que ponto elas convergem ou divergem?
É outra fase da minha vida pessoal: escrever livros é um ato solitário e fazer shows é coletivo.

Como herança perversa dos tempos em que os circos não respeitavam os direitos dos animais, outros bichos devem sofrer tanto quanto Rowena. Vovó Ritinha estará sempre com o alerta ligado na frequência da papisa Bibi (Brigitte Bardot) e da Lulu (Luisa Mell)? 
Sempre carreguei a bandeira da defesa de animais que ainda hoje sofrem maus-tratos em circos, rodeios, vaquejadas, rinhas de galo e de cachorro, comércio ilegal de bichos exóticos, touradas e por aí vai. Bibi acompanhou de longe o traslado de Rowena, que Luisa Mell administrou até o Rancho do Gnomos, e festejou conosco via e-mail.

Que importância você atribui ao trabalho de Luisa Mell e Brigitte Bardot na defesa do animais?
São duas mulheres corajosas que peitam brigas com gente poderosa e milionária, que ganha muita grana explorando animais. O que faço é cumprimentá-las e agradecer por esse trabalho.

Antes de entregar os originais do livro à editora, você fez um test drive com os netinhos ou preferiu surpreendê-los?
Minha neta já é adolescente e vive grudada nas redes sociais. Meu neto ainda usa fralda (risos). A única pessoa para a qual mostro o que escrevo é para meu editor e melhor amigo, Guilherme Samora.

Que olhar as crianças devem ter para a causa?
Fiz esse livrinho para os pós-millennials, crianças que eu chamo de “índigo/cristal”, uma nova geração que vem por aí, com olhar mais consciente sobre os problemas do nosso planeta e a necessidade de mudanças em várias áreas de conservação.

Que olhar os políticos devem ter para a causa?
O olhar de perceber que todas as formas de vida devem ser respeitadas e que animais não são objetos de uso pessoal: eles sofrem igual a nós e somos a voz que eles não têm para se expressar.

E por que Alex, o ratinho criado nos anos 1980, não se juntou em defesa de Rowena? Pensa em uni-los na defesa dos animais?
Como disse, a história real de Rowena bateu forte no coração, enquanto Dr. Alex se preocupa com problemas como o desmatamento, as usinas nucleares, as mineradoras...

Lança perfume, um dos grandes hits de sua carreira, comemora 40 anos de lançamento. O que a canção representa para você? 
Já me esqueci até da letra da música (risos)... Lembro-me de que foi um grande sucesso popular e que até hoje é citada como algo ousado para a época.

Uma das cenas mais bonitas e reprisadas no noticiário sobre a morte de João Gilberto foi o duo de vocês em Joujoux e balangandãs. O que João representa para você?
João foi muito generoso quando me convidou para fazer parte de um especial, cantando com ele Joujoux e balangandãs, o que para mim significou um upgrade prestigioso. Triste é saber que nunca haverá quem o substitua: era o mestre dos mestres, the one and only...
 

Amiga ursa
• Rita Lee
• Globinho (46 págs.)
• R$ 58

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade