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Estado de Minas

BH tem neste domingo (4) sessão única de peça sobre princesa 'rebelde'

'Princesa Falalinda, sem papas na língua' se propõe a desconstruir o estereótipo das heroínas frágeis e submissas. Montagem será encenada no teatro do Minas Tênis Clube


postado em 03/08/2019 04:08

A peça Princesa Falalinda, sem papas na língua se propõe a desconstruir o estereótipo das princesas frágeis e submissas. Espetáculo tem sessão única amanhã em BH (foto: Ana Clara Breno/Divulgação)
A peça Princesa Falalinda, sem papas na língua se propõe a desconstruir o estereótipo das princesas frágeis e submissas. Espetáculo tem sessão única amanhã em BH (foto: Ana Clara Breno/Divulgação)

Era uma vez uma menina que nasceu e cresceu numa sociedade que impõe às mulheres, desde a infância, uma série de padrões comportamentais. Essa história está tanto no mundo real quanto nos contos de fada. Porém, o momento é de repensar essa estrutura em ambos, segundo propõe a peça Princesa Falalinda, sem papas na língua, que terá apresentação única neste domingo (4), no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube.

Autora do texto e intérprete da protagonista em sua idade adulta, Lívia Gaudêncio explica que a obra surgiu de duas inquietações. “A primeira são as representatividades femininas que existem para as crianças, ainda dominadas pelas ‘princesas da Disney’. Por mais que tenhamos algumas que já transgridem essa fragilidade feminina, como a Valente, ainda há um domínio de Bela Adormecida, Branca de Neve e Cinderela. Pensei que o teatro também precisava de novos modelos”, diz.

A segunda inquietação que a moveu a escrever e montar o texto está relacionada à sua pesquisa sobre a condição de gênero da mulher. Lívia estuda o silenciamento do feminino a partir da mitologia. “Se o mais básico que temos como público são as crianças, torna-se importante haver uma princesa que vá contra esse estigma”, argumenta.

Na trama, Falalinda é uma princesa que aparenta ser como muitas outras dos livros de histórias. “Ela é bonita, vaidosa, não luta contra esses paradigmas, mas é questionadora e faz muitas perguntas que são vistas como uma ameaça à supremacia do rei e do príncipe”, explica a autora. A montagem dirigida por Cynthia Falabella começa quando a personagem ainda é criança, interpretada por Giovanna Leão, e vai acompanhando seu crescimento, marcado pela oposição ao que os homens da realeza determinavam para ela. Nessa trajetória, os questionamentos vão ficando mais complexos, assim como a reação daqueles que são confrontados por ela.

“Ela começa como uma criança irreverente, engraçada, mas, quando começa a questionar coisas mais sérias, o pai, que é o rei, mente para ela e faz aquilo que é feito desde os tempos do 'era uma vez’: arranja um casamento. E aí temos o príncipe como o grande vilão, que a prende no alto da torre. É a inversão do conto de fadas, a partir do silenciamento crescente que ela vai sofrendo”, diz a autora e atriz.

Lívia Gaudêncio afirma que a peça não é “maniqueísta a ponto de colocar os homens como vilões de modo geral”. “No caso do rei, por exemplo, damos a ele uma humanidade que mostra como o machismo também oprime os homens. Ele é obrigado a ser sempre contido e enquadrado em um caminho masculino de governar”, exemplifica. Produzido pela companhia de teatro O Trem, o espetáculo é destinado ao público a partir de 6 anos. (PG)

Princesa Falalinda, sem papas na língua
Domingo (4), às 16h, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia), à venda na bilheteria local ou pelo site www.eventim.com.br. Classificação indicativa: 6 anos. Duração: 55 minutos. Mais informações: (31) 3516-1027.


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