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Estado de Minas

Andrea Camilleri deixa mais de 100 livros publicados


postado em 21/07/2019 04:18

Na praça central de Porto Empedocle, cidade natal do escritor italiano, morto em Roma, aos 93 anos, na última quarta, está instalada uma estátua de seu personagem mais famoso, o inspetor Salvo Montalbano (foto: ANDREAS SOLARO/AFP )
Na praça central de Porto Empedocle, cidade natal do escritor italiano, morto em Roma, aos 93 anos, na última quarta, está instalada uma estátua de seu personagem mais famoso, o inspetor Salvo Montalbano (foto: ANDREAS SOLARO/AFP )

 
O escritor Andrea Camilleri costumava dizer que gostaria de terminar sua carreira sentado em uma praça e contando histórias – e, depois, passando entre o público com sua boina na mão. Aos 93 anos, o italiano que ficou mundialmente famoso com as histórias que criou para o delegado Montalbano se preparava para estrear um monólogo, neste mês, quando foi internado em um hospital de Roma para cuidar de um problema cardíaco e de complicações decorrentes de uma fratura no quadril. Camilleri morreu na última quarta-feira (17).

Nascido em Porto Empedocle, na Sicília, no dia 6 de setembro de 1925, Andrea Camilleri trabalhou por muito tempo como roteirista e diretor de teatro e TV, produzindo os famosos seriados policiais do delegado Maigret e do tenente Sheridan. Estreou como romancista em 1978, aos 53 anos, mas ficou famoso mesmo aos 73, no final dos anos 1990, com o lançamento de A forma da água, a primeira história com o comissário siciliano Salvo Montalbano. 

A fama de seu personagem erudito e avesso às armas e à violência ultrapassou as fronteiras da Itália, onde Montalbano virou tema, também, de uma série de televisão. Profícuo escritor, Camilleri teve seus livros traduzidos para várias línguas. Só na Itália, vendeu cerca de 25 milhões de exemplares. No Brasil, sua obra é publicada pelo Grupo Record, e a lista é extensa. Entre eles estão os policiais A lua de papel, A paciência da aranha, O cão de terracota e A caça ao tesouro; os romances O Todomeu e A revolução da Lua e os juvenis Magia e O nariz. 

O escritor italiano, que dizia ter alergia a escrever sobre a máfia, viveu por mais de 50 anos numa casa modesta, em Roma, e sempre se definiu como uma pessoa de esquerda – algo que estava implícito em sua obra. Seu 100º título, L’altro capo del filo (O outro fim da fila), também uma história com Montalbano, foi lançado em 2016, quando já estava ficando cego (ele precisou ditar o texto). 

A obra aborda o drama dos refugiados que tentam chegar à Sicília e acabam sendo resgatados no mar. Em 2017, Camilleri publicou Esercizi di memoria (Exercício de memória), com 23 histórias sobre sua vida.

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