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Estado de Minas

Caldeirão de influências

Ademir Cândido lança CD com 11 composições autorais. Repertório do multi-instrumentista explora diversidade de ritmos brasileiros, como bossa nova, marcha-frevo, samba e xote


postado em 24/06/2019 04:07

Ritmos do Brasil tem sabor especial, porque marca o meu retorno ao Brasil depois de mais de 20 anos morando na Suíça... A riqueza da musicalidade brasileira é inegável e tem correlação direta com minhas principais influências%u201D Ademir Cândido, multi-instrumentista(foto: Arquivo Pessoal)
Ritmos do Brasil tem sabor especial, porque marca o meu retorno ao Brasil depois de mais de 20 anos morando na Suíça... A riqueza da musicalidade brasileira é inegável e tem correlação direta com minhas principais influências%u201D Ademir Cândido, multi-instrumentista (foto: Arquivo Pessoal)
Explorar a diversidade da música brasileira é a proposta do multi-instrumentista Ademir Cândido. Essa busca está presente no CD Ritmos do Brasil %u2013 Ademir Cândido quarteto, que o artista lançou recentemente. Após duas décadas na Suíça, morando há cerca de quatro anos no Rio de Janeiro, ele apresenta 11 composições autorais. Entre elas está a bossa-nova Pro Luisão, a marcha-frevo Enquanto ele dorme, o samba gafieira Pakito na gafieira, a valsa jazz Caminho da paz, o xote Enxotando, o samba jazz O fino da bossa e o baiãozinho Amor carioca, entre outros. Os arranjos são do próprio músico gaúcho. Este é o quinto CD solo de Ademir. %u201CGravei o primeiro, Brazilian Jazz, que saiu em 1996 e também foi gravado no Brasil. Depois, vieram Trio a Pampa e Urubu aterrizando, em 1998, ambos gravados em Zurich. Em 2008, veio Choro Alegre, gravado no Brasil, Suíça e França%u201D, lembra. Aos 62 anos, o artista tem 46 dedicados à música. Ele traz, em sua trajetória, outros trabalhos que marcaram a carreira nestas mais de quatro décadas. Já arranjou e participou de diversos discos e shows de importantes intérpretes, como Andrea Esperti, Flora Almeida, Leny Andrade e Fafá de Belém, entre outros. %u201CRitmos do Brasil tem sabor especial, porque marca o meu retorno ao Brasil depois de mais de 20 anos morando na Suíça e, ainda por cima, ao lado destas feras do quarteto e convidados. A riqueza da musicalidade brasileira é inegável e tem correlação direta com minhas principais influências%u201D, garante Ademir. Independente, o CD é distribuído pela Tratore. %u201CEle sairá também em DVD e num e-book, com partituras desenvolvidas pelo baixista, maestro e compositor Sidão Santos%u201D, antecipa Ademir, que é autodidata e natural de Porto Alegre. %u201CComecei na música cedo, observando meu pai tocando sax e meu irmão mais velho no acordeon em casa e nas antigas serestas realizadas em minha cidade. Mas meu primeiro instrumento foi mesmo a bateria, lá pelos 14, 15 anos e, posteriormente, a guitarra%u201D, lembra. Ademir se mudou para São Paulo aos 18 anos, onde foi tentar ganhar a vida como músico. %u201CFiquei lá até os 22 e me mudei para o Rio de Janeiro, onde pude observar muitas feras da bossa nova e do jazz, com quem aprendi muito. Nessa mesma época, também me enveredei pelo cavaquinho e violão e fui tocar nas noites cariocas ao lado de grandes músicos, o que me foi uma grande escola%u201D, conta. %u201CAquilo foi, para mim, um caldeirão de influências, sem nenhuma dúvida, e me trouxe muita versatilidade e originalidade.%u201D No Brasil, Ademir já dividiu o palco com Robertinho Silva, Luisão Maia, Hermeto Pascoal, Mauro Senise, Elza Soares e Paulo Moura, entre outros. %u201CToquei com muita gente e cheguei a fazer parte da banda de Leny Andrade, com quem gravei dois discos, e de Fafá de Belém%u201D, orgulha-se o músico gaúcho. %u201CNo exterior, participei de vários festivais ao lado estrelas como Stanley Jordan, Lenny White, Johnny Griffin, Matthieu Micheu, Michel Godard, Julio Barreto e Habib Faye%u201D. Violonista da escola mineira Ademir revela que um de seus mestres foi o violonista mineiro Chiquito Braga, que influenciou vários artistas, entre eles, Toninho Horta. %u201CAprendi muito com Chiquito e de quem me tornei grande amigo. Aliás, entrei no lugar dele na banda de Fafá de Belém. Chegamos até a fazer o Festival Pixinguinha juntos%u201D, orgulha-se. %u201CA música brasileira tem uma diversidade muito grande de ritmos. Diante disso, acabei indo para esse lado mais abrasileirado%u201D, confessa o artista, que sempre viveu da música. %u201CNa Suíça cheguei a gravar cinco discos, mas só oficializei três, que até chegaram a ser lançados. Ainda não fiz nada com os outros dois, mas pretendo em breve lançá-los também. Um deles se chama Samambaia e traz canções conhecidas, mas gravadas com uma roupagem nova. Nele há duas músicas autorais inéditas, e as outras são clássicos, como Comadre Sebastiana (Jackson do Pandeiro), Descobridor dos sete mares (Tim Maia) e Aquarela do Brasil (Ary Barroso), entre outras. Vou lançá-lo no ano que vem%u201D, promete. Formam o quarteto Ademir (guitarra, cavaquinho, violão, viola de 12 cordas, baixo, bateria, percussão e voz), Fernando Moraes (piano e teclados), Sidão Santos (baixo acústico) e Renato Endrigo (bateria). O álbum conta ainda com as presenças de Kiko Horta (acordeon), Marcelo Amaro (triângulo), Diogo Gomes (trompete), Jota Moraes (vibrafone) e de Darelly Sette, Filó Machado e Paloma Costa nos vocais, além das participações especiais de Jacques Morelenbaum (cello), Marcelo Martins (sax) e José Carlos Bigorna (flauta). REPERTÓRIO 1 %u2013 Enquanto ele dorme 2 %u2013 Pro Luisão 3 %u2013 Pakito na gafieira 4 %u2013 Caminho da paz 5 %u2013 Enxotando 6 %u2013 Transição 7 %u2013 Abraço pro Guinga 8 %u2013 Arara 9 %u2013 O fino da bossa 10 %u2013 Amor carioca 11 %u2013 Esperança


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